Yayoi Kusama

 

Foto: Divulgação

A super estilosa octogenária YAYOI KUSAMA que por vontade própria mora desde 1975 em um Hospital Psiquiátrico no Japão, divide com Louis Vuitton o design da nova coleção da Maison – A INFINITELY KUSAMA.

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Nem todas as vitrines seguirão o charmoso layout da Champs Elysees, mas as 475 lojas espalhadas pelo mundo foram invadidas com peças cheias de bolas, bolinhas e bolões, as marcas registradas da artista.

Yayoi Kusama, nascida em 1929 no Japão, aos 10 anos já tentava mostrar ao mundo as imagens gráficas que habitavam sua mente nas constantes alucinações provocadas pela esquizofrenia. As visões distorcidas a faziam enxergar tudo em forma de bolas e pontos.

Após tentativas de suicídio, resolveu que iria se dedicar a arte e identificou-se direto com a avant-guard européia e americana. A artista começa a cobrir superfícies de todos os tipos – parede, piso, teto, pessoas, com as bolinhas fruto de seus delírios.

Aos 27 anos, a convite de uma amiga também artista, muda-se para New York, onde trabalhou com grandes nomes da Arte Moderna, dentre eles Andy Warhol e em dois tempos passou a liderar o movimento de vanguarda.

Kusama encontrou na manifestação artística a fuga de seus delírios: “Minha arte é uma expressão de minha vida, sobretudo de minha doença mental, originária de alucinações que só eu consigo ver.”

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Ela percebeu que reproduzindo seu mundo interior em realidade palpável para as pessoas normais, aliviaria sua carga emocional. Na medida em que os outros vissem seu mundo louco, quem sabe a compreendessem. E, o mundo entendeu a sua loucura.

Yayoi Kusama sempre foi uma mulher a frente de seu tempo. Feminista, moderna e revolucionária por natureza, participou de diversas exposições a céu aberto no Central Park, muitas vezes tendo sobre sua nudez, apenas bolas pintadas.

Suas obras possuem um valor incrível, tendo sido uma delas arrematada na Christie de NY por 5,1 milhões de dólares. Nós no Brasil temos o privilégio de podermos apreciar uma versão feita por ela em 1966 para a Bienal de Veneza. A Narcisus Garden encontra-se no espetacular Instituto Inhotim, em Brumadinho.

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Em 1973 retornou ao Japão, pois seu transtorno obsessivo se agrava e resolve fazer do Hospital Psiquiátrico seu lar. Mas a poucos passos, monta seu atelier, onde sua mente inquieta e sem limites é transformada em arte.

Até março deste ano, a Austrália foi palco de uma sua instalação interativa super interessante. Recriando ambientes típicos de casas australianas, ela pintou absolutamente TUDO de branco, como se fossem grandes telas. As crianças recebiam adesivos coloridos em forma de bolas e é claro iam colocando aonde quisessem. Através da escolha inocente e aleatória, a obra de arte ia surgindo e se transformando.

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O mais incrível na personalidade desta vibrante artista é que superando suas dores internas, o resultado final transborda de alegria. Sua angústia aparece com força apenas nos seus livros, com personagens sofridas.

A vitrine da Champs Elysee é simplesmente uma festa aos olhos. Marc Jacobs, diretor artístico da Maison Louis Vuitton, com sua inegável inspiração, associa o monograma da LV aos padrões de Yayoi Kusama – ambos têm a mesma energia – atemporal, infinitos e eternos.

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Ela e sua arte com bolinhas coloridas, ganharam ainda mais admiradores depois de uma parceria de sucesso com a Louis Vuitton. E, depois de passar pelo Brasil como inspiração para o inverno 2013 de Juliana Jabour, é a vez de algumas obras de Kusama desembarcarem no País.

A mostra atende pelo nome de Obsessão Infinita e estará em exposição no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro de 12 de outubro até janeiro de 2014, quando deve seguir para o CCBB de Brasília e no dia 21 de maio chega em São Paulo no Instituto Tomie Ohtake, onde fica até 24 de julho. Ou seja, oportunidades para as fashionistas conferirem a exposição não faltam! Ao todo mais de cem obras da artista japonesa criadas desde 1950, mais algumas instalações pelas ruas da cidade estarão por aqui.

 

Comentários 4

  • Ana Boucinhas14/09/2012 em 22:02

    Fiquei impressionada quando soube que em Inhotim tinha um trabalho dela .Vida super interessante e sofrida .Mas com tantas dificuldades, além de ser octagenária….. maravilha de exemplo.

  • maria emilia14/09/2012 em 16:56

    O lago com as bolas em Inhotim é fascinate, gostei de saber a história da artista.

  • Ana Boucinhas09/09/2012 em 13:28

    Isto é que é dar a volta por cima.Usou a arte para aliviar a doença com a qual convive até hoje .Impressionante .Quando vi a vitrine da Louis Vuitton na Champs Elysses ,logo imaginei que deveria haver algo muito especial atrás da japonesa com peruca vermelha.

  • Isabel Cardoso09/09/2012 em 13:22

    Não conhecia, amei as informações sobre a vida e obra dessa artista tão talentosa quanto sofrida.

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