Volta ao passado

 

O desejo de revisitar o passado e tratá-lo com limpeza, frescor e arrojo marcam o próximo inverno internacional e são a deixa para criar looks ultracontemporâneos.

Foi olhando para mulheres de três décadas que os maiores criadores da atualidade propuseram maneiras de vestir para o próximo inverno europeu que estão a léguas de distância do retrô caricato e com cheiro de naftalina que costuma impregnar certas releituras fashion.

Foto: Divulgação

 

No caso, a volta ao passado deu certo porque esses estilistas possuem inegável bagagem cultural, que os habilita a projetar para o futuro estilos de vestir e modos de pensar que ficaram pra trás. O primeiro arquétipo resgatado é o da mulher da metade do século , de elegância recatada e gosto afinado. E foi Raf Simons que, em seu desfile de despedida da Jil Sander, recriou-a impecavelmente segundo sua ótica de irrepreensível modernidade.

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A silhueta ampulheta dos anos 50 também foi largamente explorada pelos criadores da vez, construída agora com recursos mais elaborados que os já desgastados peplums. Há também o resgate dos ternos das working women dos anos 70, com destaque para aqueles que trabalham a proporção entre as partes, inevitável deixa para looks que exploram a sobreposição de calças, camisas, coletes e mantôs, sempre trabalhados segundo as leis de equilíbrio próprias de cada autor. 

Por fim, é o sportswear dos anos 80 que inspira a maior mudança de paradigma da estação, com suas mangas volumosas e arredondadas que evocam um passado recente com perfume sci-fi. Coisas que só o passar do tempo é capaz de fazer pela moda.

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Por Barbara Leão de Moura/Edição Costanza Pascolato- vogue.com.br

 

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