Viver e não ter vergonha de ser feliz

Viver e não ter vergonha de ser feliz é a filosofia das novas coroas.

Até pouquíssimo tempo atrás, as salas cercadas de espelhos e barras eram reservadas exclusivamente às crianças e às jovenzinhas. Ali, as meninas desenvolviam a graciosidade feminina, cabendo às vovós
aplaudirem as netinhas que pululavam com graça no palco.

Em um piscar de olhos, academias de ballet para as mais experientes, deram para pipocar pelas cidades.
Vovós mais arrojadas já resgataram o entusiasmo juvenil e treinam aulas a fio para trocarem de posição com as netas: sobem elas ao palco. Passou a ser a coisa mais natural do mundo estar a vovó se exibindo sob os olhares divertidos das suas pequenas descendentes.

É mais do que sabido que a prática de qualquer exercício é imprescindível para uma longevidade saudável.
Em todos eles, o esperto corpo libera substâncias, tipo um tal de IGF 1 e uma tal de endorfina. O primeiro, entra no sangue, passa direto para o cérebro e produz novos neurônios. Tremenda maneira de driblar o fantasma do tio alemão. O outro é conhecido como o hormônio do bem estar.

Mas… convenhamos… Já que é para ter prazer, depois de uma certa fase da vida, é preciso uma boa dose de masoquismo para ficar serelepe com infindáveis abdominais e trocentos saltos aeróbicos.

Já na dança… como a alma se diverte com a chegada do tal hormônio !!!

Enquanto ela está batendo palmas, o corpo, sem perceber, vai se alongando, ganhando flexibilidade, equilíbrio, coordenação motora e ativando a memória com os neurônios que vão sendo colocados. Nesta fase da vida, decorar uma coreografia de quatro minutos passa a ser tão difícil quanto aprender a falar corretamente o chinês em uma semana. Tremendo desafio !!! Mas na dança, também tem a mãozinha do IGF-! Então,tudo bem.

A coisa mais mágica que rola numa sala de aula de ballet de adultos, é a total distância da percepção da idade de cada companheira de barra. Mamães e vovós entram na mesma sintonia. Naquela sala, é a criança interna de cada uma que se faz presente e… estão elas na puberdade.
Às vésperas da subida no palco, então, todas incorporam o auge dos seus 18 anos, cheias de entusiasmo com as fantasias e as caprichadas maquiagens teatrais. É uma farra que a alma até tem certeza de estar na Disney.
Chega o dia que já passa a ser fatídico, pois os hormônios agradáveis se mandam e entra uma descarga de adrenalina, com a força de uma cachoeira das enormes. No toque da primeira campainha, a realidade chega sem dó nem piedade. Na mente, só o questionamento: o que você está fazendo aqui ??? Seu lugar é na cadeira de balanço fazendo tricot.
Mas aí, não tem mais jeito… Entrou na chuva é pra se molhar.

O curioso é que basta pisar no palco e a endorfina vem em dose quádrupla. A alma se encanta com as luzes e com os movimentos, enquanto a mente liga o dane-se. Errou, disfarça que ninguém percebe.

Todas as coroas que lá no passado tiveram ao menos a curiosidade em aprender ballet, deveriam deixar de lado o senso crítico, colocar umas sapatinhas e irem numa boa dançar, sem ter vergonha de ser feliz.

Ana Boucinhas 

Comentário 1

  • Zelia de C P Mendes27/08/2018 em 18:30

    Maravilha de análise sobre a dança e o exercício necessário para nós.
    Um grupo alegre , divertido e bem dirigido com uma super mestra e amiga é o caminho certo para o sucesso.
    Parabéns Ana Boucinhas!

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