Vamos correr, meninas? Parte III

Correr pode ser um esporte extremamente seguro… ou não. Cabe ao corredor tomar as devidas precauções para não correr risco inútil. Procure horários e locais onde outros esportistas estejam se exercitando. Evite lugares ermos e sem policiamento. Se for correr no mato, em descampados ou praias desertas, leve companhia. Se não for possível, avise a alguém onde vai, quanto tempo acha que vai levar correndo e todos os detalhes que possam ser de alguma valia, se você sumir. O seguro morreu de velho. Compartilhe seu roteiro. 

Se você corre nas ruas do bairro onde mora, está bem consciente do entorno. Não custa lembrar,  no entanto,  que as estatísticas mostram que os índices de acidentes perto do lugar onde se reside, são muito maiores. A pessoa acha que sabe tudo a respeito de onde está e baixa a guarda.

Por falar em “baixar”, corra com a cabeça alta, examinando de antemão o percurso. Isto vai evitar que você trombe com galhos de árvores e fiação despencada. Tome cuidado com desníveis e buracos nas calçadas. Evite pisar em tampas de bueiros que podem estar mal colocadas e provocar acidentes graves. Muita gente quebra a perna deste modo, acredite. Não pise em gravetos e galhos que por serem arredondados, rolam e vão levá-lo ao chão, numa perigosa manobra de costas. Flores caídas das árvores apodrecem e tornam-se escorregadias. Corra com especial atenção quando tiver que ultrapassar faixas pintadas no asfalto –  quando molhadas, são de alto risco.  Pedras soltas exigem passos curtos e muito equilíbrio. Ninguém que está lendo este texto é candidato a ganhar primeiro lugar na geral de alguma maratona de rua – o que está se propondo é qualidade de vida e divertimento. Somos amadores que curtimos muito sair trotando pelos bairros, trocando ideias e fazendo novos amigos. Portanto, menos é mais, quando se trata de riscos desnecessários. Uma fratura ou torção significa meses e meses sem praticar esporte, além das dores, fisioterapias e custos.

Se a corrida for noturna, evite usar preto. Coloque cores berrantes e claras, se possível com algum adesivo reflexivo que alerte ciclistas, motociclistas e motoristas de carros sobre sua presença. Já existe no mercado grande variedade de itens que tem este propósito de sinalizar o corredor.

Ouvir música e usar fones de ouvido é muito divertido, mas arriscadíssimo! Entretido com a música, a cabeça vai longe, o pensamento viaja e… você acaba se deparando frente a frente com um veículo qualquer. Ele pode até ter buzinado mas a música, ao mesmo tempo em que distrai, aliena.  Se o áudio é um must, alerta lobinho pois trata-se de um elemento de alta periculosidade. Falo por experiência própria: adoro correr ouvindo música country e rock dentro do meu condomínio e já fui ultrapassada por diversos vizinhos muito injuriados por eu estar atrapalhando a passagem dos carros, correndo no asfalto… Isto num lugar onde a velocidade permitida é de 30 km por hora, imagina nas ruas de São Paulo!

Já participei de maratonas no exterior onde o uso de earphones era proibido exatamente para a proteção do corredor.

Sair para correr debaixo de chuva é desagradável, mas quando começa a chover no meio do percurso, pode ser muito divertido e refrescante. Se estiver calor, então, nem se fala!  O cheiro da água batendo no asfalto e no mato é uma delícia!   Cuidado, no entanto, se houver raios e trovões. Melhor abrigar-se e esperar por momento mais oportuno. Esta história de que o raio não vai cair na nossa cabeça é puro otimismo – sim, acontece e muita gente já morreu em decorrência de descargas elétricas.  Isto sem contar que poças de água podem ocultar buracos fundos e tanto a terra quanto o asfalto ficam bons para patinar…

Vamos levar adiante minhas dicas em outro bate papo. Por favor, compartilhem a experiência de vocês pois juntos podemos ir muito mais longe!

Adicionar comentário