Vamos botar o Tico e Teco pra sapatear

por Ana Boucinhas 

Vamos falar. O coroa do século XXI precisa ser muito, mas muito desencanado para não temer, ainda que discretamente, o fantasma do tal do Alzheimer.

Os laboratórios marcaram bobeira e não se prepararam em tempo para o expressivo aumento de expectativa de vida que vinha despontando pela frente. E cá estamos nós, sem nada químico ainda para abastecer nossos Ticos e Tecos.

Enquanto não chega na praça nada que se compre em farmácia, os mais antenados vão massageando seus neurônios com receitas caseiras. Dá-lhe fazer palavras cruzadas, dá-lhe tratar de inverter a ordem dos atos já tocados de maneira natural e até surgiu agora a novidade do cannabis para reativar a memória. Vai saber !

Mas falando sério: exercitar o cérebro é ao menos um antídoto para colocar os neurônios em posição de “alerta lobinho “.

Os que, como eu, curtem atividades físicas PRAZEIROSAS, um excelente desafio é fazer sapateado. Ir no embalo de uma música é uma delícia, a alma viaja, mas Tico e Teco ficam só no cantinho observando a alma se divertir.

Já no sapateado, o processo é inverso. A alma, por mais que queira dar uma de Ginger Roger, não consegue fazer nada e os neurônios que se mobilizem até decorar determinada sequência, onde a espetacular sapateadora pode até despertar.

Colocou o sapato com as plaquinhas, não sobra espaço para nenhum pensamento. Concentração total e absoluta nos sons vindos do tap-tap.
Espirrou ? Já perdeu a sequência que vinha pela frente…..Sei lá, mas acho que é tão difícil quanto aprender a escrever em chinês. E além de ser bem mais divertido, ainda tem outra vantagem – o físico se movimentando, também se beneficia e muito !!!

O que se queima de calorias em uma hora de aula, não está no gibi. Não digo que se recupere o equilíbrio que tínhamos na infância é, claro, mas é um excelente exercício para se manter ao menos firme sob um pé só no chão, numa boa. O tônus muscular recupera seu brilho rapidinho.

Mas é na coordenação motora que se concentra o tremendo desafio para o cérebro. Para se chegar a fazer uma mini coreografia, dá-lhe usar exaustivamente a memória. Ao contrário de uma dança, onde a graça pode até disfarçar um erro, no sapateado não tem esta chance. O som do pé não acompanhou o da turma, pimba, tremenda bandeira que não tem como desbaratinar.

Claro que tem o lado leve, pois desenvolve a musicalidade e o ritmo. A relação entre as companheiras de “step” “balchange” promove a socialização, muitas risadas envolvem o aprendizado e por aí vai.

Com o tempo, vai-se criando o próprio estilo com o corpo sob o ritmo dado como os pés.

Quando finalmente determinada coreografia está decorada, há o merecido repouso dos neurônios e a alma jura que é a Ginger Roger.
Mas é por pouco tempo que a fantasia toma corpo.

Lá vem a professora com uma nova sequencia de passos que em nada se parece com a anterior. Ginger sai disfarçadamente e Tico e Teco reassumem o posto temporariamente perdido e nem um espirro pode ser dado, para não tirar o foco da atenção plena e total !!!!!
Uma pena que os novos coroas ainda não se deram conta que pode existir um Fred Astaire escondido dentro deles. Que este sugerido antídoto possa ser aproveitado também por eles.

Comentário 1

  • Lilian12/03/2019 em 12:29

    Você arrasou nas fotos e no texto
    Que energia linda você tem não a perca até o infinito ❤️
    Sugiro uma matéria dos efeitos da epigenética na saúde

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