“Uma Vida no Teatro”

 

O espetáculo é dividido em cenas, ora divertidas, ora comoventes, que se passam dentro de locais ligados diretamente ao ofício dos atores de teatro…

O encontro do novo com o ‘velho’. Assim pode ser definido o espetáculo “Uma Vida no Teatro”. Com Francisco Cuoco e Ângelo Paes Leme, dirigidos por Alexandre Reinecke, a primeira vista pode parecer uma biografia de Cuoco, mas como o próprio título sugere, a peça é uma comédia dramática que narra a trajetória de dois atores, um velho e um jovem, que durante um período de suas carreiras trabalham juntos e vivenciam inúmeras situações típicas dos atores teatrais, tais como as inseguranças, carências, sucessos e fracassos em várias montagens. “Teatro é sempre a grande escola e a nossa principal casa, porque ainda tem um ‘quê’ artesanal. É uma escola em que o progresso da gente é muito lento e parece sempre inacabado. Enquanto houver vida, estaremos buscando personagens, histórias e a melhor forma de fazer essas peças. Essa é a grande diferença da televisão é um veículo extraordinário e a comunicação dela é imediata, mas o teatro é diferente”, explica Francisco Cuoco.

O espetáculo é dividido em cenas, ora divertidas, ora comoventes, que se passam dentro de locais ligados diretamente ao ofício dos atores de teatro – salas de ensaio, coxias, fim de um espetáculo, camarins, durante um espetáculo e a saída após as apresentações.

Foto: Divulgação

Personagens

Robert, vivido por Francisco Cuoco, é um ator de seus 70 anos, com larga experiência nos palcos e vive de um sucesso que teve no passado. Como a maioria dos atores mais velhos, é cheio de manias, trejeitos, opiniões e inseguranças. Gosta de falar sobre as atuações de seus colegas, dar dicas para os mesmos e está sempre pronto para discutir cenas; mas é solitário, não tem mais muitos amigos e sua carência se mostra latente durante todo o espetáculo.

“Sem nenhuma pretensão, diria que tenho tudo do Robert. Tenho a idade, tenho um caminho percorrido que o personagem tem de peças. Um ponto interessante é o jogo da juventude e o outro que está quase se despedindo dos palcos”, conta o ator, que ressalta o fato de que seu personagem é como um mentor para o jovem John (Ângelo Paes Leme). “Ao mesmo tempo, tem uma inveja, uma vaidade, uma coisa professoral. Não só com o jovem ator e diretor, mas no sentido de não deixar a peteca cair. Há momentos em que o Robert não está representando, em que ele mostra sua alma, sua verdade, e nesses momentos acho que se confunde um pouco com o Chico Cuoco”, revela ao contar que  aí é o ator. 

“É o ator vivido, sempre querendo aprender. A peça é um hino de amor ao teatro muito bem bolado e escrito. É uma declaração de amor, de fidelidade, de que aquelas coisas que a gente ouve de que tal ator já declarou que quer morrer no palco e esse também é o desejo do Robert. É uma dedicação absurda, linda e bonita. Embora seja romântica, é verdadeira”.

Em contrapartida a toda essa experiência, aparece John, um jovem e promissor profissional das artes cênicas. Graças a sua generosidade e talento, se transforma em uma espécie de confidente e amigo de Robert, que o elege para suas conversas intermináveis sobre a “arte de ser ator”. Está sempre disponível para ouvir seu mais novo amigo de maneira calma e atenta, até que a insistente necessidade de conversas, dicas e opiniões de Robert começam a cansá-lo.

“Tem uma coisa muito bonita, que acho que passa nesse espetáculo, que é que quando os atores se encontram, existe uma natural disposição para se abrir ao outro. Literalmente, as máscaras desaparecem, e os pudores. O espetáculo conta como que é tão íntimo isso tudo, como no teatro temos que se relacionar com o outro”, afirma Ângelo Paes Leme.

“Acho que é uma coisa muito espontânea que acontece também na vida real. É um privilégio poder trabalhar com o Cuoco. Então, me vejo assistindo-o muitas vezes e essa troca de experiências eu vejo que vem de forma natural, é espontânea. Tive uma experiência de vida nos meus 40 anos e ele teve outra em seus 80 anos. Cada um trabalhou com milhares de pessoas e esse acúmulo vai trazendo uma série de informações. Quando a gente se encontra, estamos ali para jogar. Dentro desse jogo, acho que aparece a qualidade, o jeito, toda essa escola, dentro e fora do espetáculo”, explica o intérprete de John.

Foto: Divulgação

 

Serviço: Uma Vida no Teatro – Teatro Vivo – Av. Dr. Chucri Zaidan, 860 – Morumbi.

De 14 de junho a 4 de agosto. Sextas às 21h30; sábados às 21h e domingos às 18h.

 

Por Alessandra Gardezani/ dci.com.br

 

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