Uma história de amor e fúria

 

FILME DE LUÍS BOLOGNESI DIALOGA COM REVOLTAS ATUAIS AO NARRAR QUATRO PERÍODOS REVOLUCIONÁRIOS NA HISTÓRIA DO BRASIL 

O longa-metragem de animação brasileiro Uma História de Amor e Fúria venceu, o prêmio mais alto do Festival Internacional de Annecy, na França. Criado em 1960, o evento é considerado o mais importante prêmio de animação no mundo, e nunca havia indicado um filme brasileiro até este ano.

Foto: Divulgação

Uma História de Amor e Fúria, que estreou nos cinemas em abril, tem direção de Luís Bolognesi e conta a história de um guerreiro imortal, que reencarna de tempos em tempos para reencontrar o amor de sua vida e conduzir importantes revoltas populares, em diferentes pontos do país. Sua primeira encarnação acontece entre os índios, que lutam contra portugueses, considerados por eles os enviados de Anhangá (um demônio para a mitologia indígena). No segundo ato, o personagem dublado por Selton Mello participa da Revolta dos Balaios e, no terceiro, é um estudante envolvido no combate à ditadura. Já na última parte, o diretor traça um Rio de Janeiro futurista, envolto numa guerrilha pelo controle da água.

O Festival de Annecy tem entre seus vencedores um histórico de animações adultas e com mensagens sociais ou políticas relevantes, mais do que superproduções com alta tecnologia em efeitos visuais. Exemplo disso é o longa romeno premiado em 2012: Crulic, de Anca Damian, que narra a história de um prisioneiro em greve de fome. Já em 2011, o vencedor foi O Gato do Rabino, uma comédia israelense que discute religião e valores morais. Outros filmes mais conhecidos do público também já foram destacados em Annecy, como O Fantástico Sr. Raposo, de Wes Anderson (2010), Mary e Max, de Adam Elliot (2009), James e o Pêssego Gigante e Coraline, ambos de Henry Selick (1997) e Porco Rosso, do mestre japonês Hayao Miyasaki (1993).

Foto: Divulgação

 

Por Juliana Varella/guiadasemana.com.br

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