Turquia

 

As distâncias ficam cada vez menores e agora em poucas horas, saímos de casa e entramos direto nas páginas dos livros da História. Chegar à Turquia, por exemplo, nos faz sentir tão dividido no tempo quanto esta cidade apoiada em dois continentes.

Na antiga Constantinopla, local de conflitos e dominações, desfilam hoje em Istambul, modernos carros num trânsito caótico.

Pelas cavernas que abrigavam incipientes moradores na Capadócia, turistas chiquérrimos desfilam nos agora transformados hotéis entre pedras, com tamanha infra-estrutura contemporânea onde balões coloridos apontam a modernidade. Mas entrar em Ephesus e Kusadasi… é mergulhar com pompa e circunstância no passado. No espaço da antiga cidade repleta de construções em mármores, ruas e fontes, apenas os trajes das pessoas identificam o século XXI.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A preservação e restauração é tão espetacular que se chega a sentir- se um dos seus 500 mil habitantes. Ao seu lado, fantasiados de turistas, desfilam sábios, apóstolos, gladiadores e se duvidar, logo logo vai entrar a comitiva de Cleópatra e Marco Antonio.

Foto: Divulgação

Preocupada com a beleza, a rainha do Egito não vai perder tempo na imensa biblioteca que abrigava 12 mil rolos de papiro. Vai competir com o templo de Artemis, uma das Sete Maravilhas da Antiguidade, isso sim. A deusa da fertilidade mereceu um tremendo templo com 127 colunas de 20 m cada.

As ostentações de arte confirmam a riqueza produzida pelos comerciantes da época, e até São Paulo sobreviveu seis meses por lá, vendendo tecido na praça do mercado entre uma pregação e outra do cristianismo.

Pode parecer contra-senso, mas Ephesus no futuro será o maior sítio arqueológico do mundo. As ruínas vistas hoje representam apenas 20% do trabalho das escavações… Mas para as meninas baby-boomers que como eu que, passaram a primeira infância com fitas vermelhas amarelas e brancas penduradas no pescoço, ostentando o amor maior pela Virgem Maria, a imensa cidade antiga perde em majestade para uma discreta colina isolada na vizinha Kusadasi.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O imaginário infantil sai dos livros de História e entra miraculosamente no espaço Divino – a última casa em que morou Maria até falecer, aos 64 anos. A pequena casinha achada em ruínas foi fielmente reconstituída. Sem mármores e sem colunas, o ultimo lar da Virgem reveste-se da simplicidade do sublime!!!

Pouco a ver na singela construção, mas difícil segurar a enorme emoção. Pensar que a figura heráldica que ornamenta altares de igrejas do mundo inteiro esteve em carne e osso naquele espaço… Chega até a ser sacrilégio ousar ter uma intimidade com a mãe de Jesus.

Maravilha da modernidade – Poder alimentar os olhos e a alma neste “wonderful world”!

Foto: Divulgação

Comentários 10

  • Helena15/02/2014 em 15:10

    Texto sensível como a autora. parabéns! Você está se revelando um vinho de boa cepa!
    Percorri boa parte das regiões de van e, através da janela eu me transportava para os quadros nas igrejas católicas da minha infância. mesma paisagem, mesmas cores e a emoção de uma menina gostadeira de rezar na capela do colégio, além é claro da sensação de pertencimento àquele “Olimpo” ali representado pelo grande amor e culto a Apolo e Artemis, os gêmeos. Inesquecível!

    • Ana Boucinhas18/02/2014 em 17:32

      Repito o que comentei a outro leitora querida quanto voce,pois acho que sente a mesma coisa. Acho que somos privilegiadas por termos vivido em uma época em que história e a realidade eram distantes.Hoje em dia,com a facilidade com que se viaja, sobra pouco tempo para as fantasias que sonhávamos existir do outro lado do mundo.

  • Nicolau Sarquis15/02/2014 em 13:51

    Legal Aninha.
    Estamos indo agora no carnaval.
    Ja vou ver Ephesus e Kusadasi com outros olhos.

    beijos

    • Ana Boucinhas18/02/2014 em 17:29

      Voces vão amar.Claro que não falei,mas ir a uma boate é o maximo. As mulheres,independente da idade, em qualquer que seja o ritmo que esteja tocando, dão um toque especial de dança do ventre. Alias,segue outra dica não dada. A dança dos derviches O máximo !!!

  • Vera de Souza Nazareth de Toledo26/01/2013 em 21:38

    Aninha.

    Amo a Turquia. Já fui 5 vezes e se Deus quiser irei pela sexta . Adorei tudo por lá. Vc. ñ se referiu a Capadoccia é um lugar maravilhoso. Senti uma emoção enorme qdo. entrei na Casa de N. Sra. (que passou os seus últimos momentos nessa casa). A emoção que sentimos entrando lá é indescritivel. Em Istambul, tudo é diferente. um povo super educado, atencioso. Para mim ñ existe lugar mais gostoso do que a Turquia.

    • Ana Boucinhas18/02/2014 em 17:26

      Curioso voce ter ido já tantas vezes.Mas realmente a Turquia oferece um leque enorme de lugares ,pessoas,costumes e historia a serem apreciados.
      Particularmente até um hospital turco, no sentido estereotipado da palavra,conheci. AO lado dos corredores brancos,poltronas de espaldar dourado e assentos de brocado indicavam oriente no ar!!!

  • Elizabeth Valente21/11/2012 em 01:13

    Aninha, vc descreveu a viagem pela Turquia, com a sensibilidade e conhecimento que lhe são peculiares. A minha sensação tb foi a de mergulhar em um livro de história ou sentada na sala de aula, ouvindo o professor falar desse povo que era nômade, no início, e que precisava de uma espaço para se instalar e ser reconhecido como país; do rei Constantino, da rota da seda, sem falar de seus usos e costumes.Um país que se modernizou ao longo do tempo, diferente de seus vizinhos, onde as mulheres não precisam usar véu,estudam fazendo até faculdade e tb trabalham, mas sem esquecer e ter orgulho de suas tradições. É um país onde voltarei quantas vezes puder. bjos Bety

    • Ana Boucinhas18/02/2014 em 17:22

      Acho que somos privilegiadas por termos vivido em uma época em que história e a realidade eram distantes.Hoje em dia,com a facilidade com que se viaja ,sobra pouco tempo as fantasias que sonhávamos existir do outro lado do mundo.

  • Marilena17/10/2012 em 20:53

    Ana, mais uma vez, que delicia viajar com você !
    O sentimento que coloca nas suas cronicas , traz de volta as emoções para quem já conhece os lugares , revivento momentos agradáveis. Quem não conhece , se sente viajando…
    Que venham muitos passeios !

  • Adicionar comentário