Sobre o “Dia do Idoso” – comemorado 1 de outubro

 

Querido leitor, você está longe ou perto de mim, neste instante?

O que vem a ser a distância senão um simples ponto de referencia?
Pois bem, idade é a mesma coisa – ou quase. Quando eu tinha oito, dez anos, lembro-me perfeitamente de considerar uma pessoa de vinte uma… idosa. Aos quinze, achava que dali a cinco anos seria uma “mulher feita”, como se dizia à época. E pela vida afora, a velhice vai caminhando célere à frente, como algo que ainda não acho que atingi, a despeito dos meus setenta e um anos.
Surgem as rugas, a pele desgruda do músculo mas a natureza é tão gentil que faz com que tudo isto ocorra paulatinamente, na surdina, para que a pessoa não se choque nem sinta. Como a vista também enfraquece, é excelente porque os detalhes se perdem.
Nada deixa mais flagrante o passar do tempo do que a prática do esporte. Faço corrida de rua há alguns anos – mais precisamente desde os cinquenta anos. Isto mesmo – para alguns comecei tarde, para outros sou ainda um incentivo.

 

Pois bem: à medida em que a idade avança, o mesmo esforço tem como resultante um tempo muito maior por quilometro. Daí vem a classificação por faixa etária… Por mais que eu ponha os bofes pela boca, não consigo mais correr uma meia maratona em uma hora e cinquenta e nove minutos, meu melhor tempo nesta distância, em Buenos Aires. Hoje, se fecho a prova em duas horas e meia já estou me sentindo vitoriosa. E daí? O importante é vibrar com a vida, acordar pela manhã e se perguntar o que há de importante a fazer, inventar modas, continuar criativo e especialmente, vaidoso. Velho mal cuidado é um horror! Vamos deixar as rugas mais elásticas, cheirosas, vibrantes. Não precisa necessariamente virar velha gaiteira, sem noção de ridículo mas, em alguns casos, até isto passa a ser permitido. Depois de um certo tempo, a opinião alheia, das pessoas que não nos interessam, passa a ser irrelevante. Não se deve mais nada a ninguém mesmo porque não há mais como pagar este tipo de dívida.
Gente, a velhice é ótima – vá perguntar a quem morreu se preferia estar vivo… O importante é continuar enfrentando com bom humor o dia a dia.

 

MARIA EUGENIA CERQUEIRA

Comentários 2

  • Elizabeth Valente16/09/2018 em 23:10

    M. Eugênia parabéns pela crônica. Verdadeira nas não down. Tb acho que a vida é boa e tem q ser vivida plenamente e assim vamos nos adaptando a essas pequenas restrições. Importante tb é arranjarmos uma ocupação ou hobby que nos deixe feliz para nos dar um norte.

    • Maria Manso18/09/2018 em 20:19

      Elizabeth fico feliz com seu comentário com o qual me identifico. Acho, como você, que é preciso sempre descobrir um sentido para a vida. Cabeça vazia oficina do diabo – minha mãe repetia! Ter algo para fazer e que haja prazer na atividade é o segredo da felicidade, em qualquer idade. Beijos Maria Eugenia

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