Sizuko Nakayama

 

AV – Tendo começado a vida como cantora, que por certo teria se tornado um sucesso, como você deu uma guinada total e ingressou no Ministério da Fazenda, como Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil?

Sizuh – Colocaram-me, aos 5 anos, em cima do palco para cantar, era o primeiro concurso que acontecia dentro da colônia japonesa na cidade de Marília, interior do Estado de São Paulo, após o término da 2ª guerra mundial. Foi um grande acontecimento; saí vitoriosa, tirei primeiro lugar e daí em diante, continuei com esse desempenho até os meus 16 anos. Apesar de gostar muito, cantar em várias cidades do interior paulista, o custo era bem maior do que o benefício, pois sobreviver de arte era muito difícil no nosso país e também outras exigências começaram a se fazer presentes em minha vida, tais como estudo, trabalho, namoro, casamento e filhos. Canalizei as minhas energias para dar sustentabilidade digna à minha vida e em 1976, prestei concurso no Ministério da Fazenda, na carreira de Auditora Fiscal da Receita Federal; aprovada, escolhi voltar para Marília para poder dar uma assistência melhor a minha mãe que estava muito doente. Entrei em exercício na Delegacia da Receita Federal de Bauru. Sou muito grata à função que exerci, sou grata ao governo federal, pois tive a oportunidade de desenvolver o meu lado racional, foi um aprendizado muito grande.

AV – Como foi esse passo a passo na sua carreira?

Sizuh – Muito difícil, para quem tem uma emoção por demais aflorada e sensibilidade totalmente manifestada, ser Auditora significa aridez, lógica, autoridade, matemática, frieza, exata, dureza, etc. os quais estão diametralmente opostos ao meu ser… gosto de falar de flores, de beleza, de perfumes, de natureza, curtir a harmonia, a sensibilidade, a leveza. Como aprendizado de vida, sem dúvida é 10, mas não é possível dizer que pude curtir e deleitar-se da função; realizei-me sim, como dever cumprido, e uma etapa da vida vencida.

AV – Quais os seus planos para o futuro?

Sizuh – Simplesmente viver sem nenhuma pretensão, em harmonia com os meus valores. Que o meu viver seja proveitoso para mim e para os meus semelhantes, que eu possa andar nessa estrada da vida, sem tropeçar, que a minha vida esteja pautada em bem-querer, que seja asséptico, que seja digna e possa honrar os meus criadores com dignidade, verdade, amor e justiça; respirar o ar puro e se sentir feliz… sentir a brisa da manhã e se sentir plena… comandar a minha mente de forma que possibilite direcionar juntamente com as emoções construtivas, positivas e limpas. Quero estar cumprindo plenamente os desígnios divinos aos quais nasci passar de ano, sem ter deixado nenhuma pendência para outra vida.

AV- Como integrou suas atividades profissionais às responsabilidades familiares, gerindo uma vida movimentada, filhos (deslumbrantes) e netos hoje em dia?

Sizuh – Não foi fácil! mas tudo é possível, quando se faz movido por uma única força que se chama amor. Esta força motriz tem uma energia incalculável… vale a pena! Quando se está formatando a vida… a minha, dos meus pais, dos meus filhos, dos meus netos, não há que se falar em sacrifício… tudo vale a pena, as lágrimas se transmutam em alegria, o sofrimento em bem estar, a correria em contagiante movimento dançante.

AV – Você tem o dia semanal de “super nanny”, pode nos contar a respeito?

Sizuh – É um dia deslumbrante… ops…um pouco cansativo! É o dia que posso me transformar em criança novamente, interagir de forma amorosa e carinhosa, pois não preciso mais represar e controlar a manifestação dos meus sentimentos sem cobrança de “ter que educar” (sem dúvida alguma, somos obrigados a ser educadora enquanto mãe), mas agora simplesmente me dou ao luxo de compartilhar as emoções de afeto, carinho, alegria e amor.

AV – Qual a sua grande força motriz?

Sizuh – É o Amor! Simples, não é mesmo?

AV – Se voltasse atrás fosse possível, quais as alterações que faria?

Sizuh – Se Deus me permitisse fazer alguma escolha, quem sabe, pediria para nascer em berço de ouro, ser loira alta e de olhos azuis, ser lindíssima, gostosa porém magra, inteligentíssima e culta. Entretanto, mesmo dentro das limitações que me foi dada, eu só tenho a agradecer ao meu destino, ao grande planejador da vida, pois o aprendizado é uma dádiva divina que não tem preço… somente pediria para que os meus erros, fossem menores ainda do que foram, e os aprendizados bem maiores do que também foram.

AV – Como a melhor idade repercutiu em você, física e mentalmente?

Sizuh – Fisicamente, sinto um pouco mais limitada e cansada, apesar de ser muito saudável. Talvez fosse mais honesto afirmar que a resistência física esteja um pouco mais (um pouquinho só) enfraquecida. Mentalmente, estou 10, consigo pensar de uma forma salutar e acima de tudo, a idade nos traz certo benefício e conforto, pois me sinto desobrigada de ter que cumprir uma porção de exigências e necessidades do tipo: “ter-que-ser”; “ter-que-parecer”; “ter-que-fazer” o que me dá um sentimento de leveza e liberdade, trazendo como conseqüência uma mente com plenitude, liberdade e felicidade muito grande.

AV – Amor e trabalho – como encarar esta relação?

Sizuh – Não sei se entendi bem esta pergunta, mas… No meu entender, não há amor sem trabalho e nem sequer, trabalho sem amor. Amar é trabalhoso, a quem ou o que quer que esteja amando, é preciso estar vigilante 24 horas por dia, cuidar, confortar, conciliar, entender, compartilhar, doar. Trabalho sem amor? Torna-se absolutamente estéril.

AV – Você acredita em paixão?

Sizuh – Sim, sem dúvida alguma! É o amor enlouquecido, desenfreado, ilógico, irracional… mas muito gostoso!

AV – Quais os seus hobbies favoritos, além da música?

Sizuh – Livros, cinema, autoconhecimento.

AV – Que tipo de música você curte? Costuma ouvir música com que constância?

Sizuh – Gosto de todos os tipos de música… o que me encanta é a melodia, harmonia das notas musicais. Ouço praticamente todos os dias.

AV – Qual a sua cor predileta?

Sizuh – Vermelha.

AV – Se fosse colocar em ordem de preferências, como classificaria seus focos: Bolsas, sapatos, vestidos, perfumes, cremes, jóias/bijuterias.

Sizuh – Jóias, perfumes, sapatos, vestidos, cremes, bolsas, bijuterias.

AV – Um epitáfio/conselho…

Sizuh – Bom mesmo é ir à luta com afinco e determinação, abraçar a vida e viver com amor e paixão. Ninguém é responsável pela sua felicidade, a não ser você mesma; perder com classe e viver com ousadia e dignidade, pois o triunfo pertence a quem mais se atreve; ter problemas na vida é inevitável; ser derrotado por eles é opcional.

Estar vivo é magnífico: Aceite, confie entregue e acima de tudo agradeça, pois entendo que a expressão máxima do amor é a gratidão.

 

Biografia

Nasci em Marília, cidade do interior paulista, no ano posterior ao término da segunda guerra mundial, filha caçula de 4 irmãos; meu pai, filho único de um agricultor próspero do Japão, foi um intelectual eclético, jornalista, professor, vendedor; minha mãe, descendente de samurai, professora de língua japonesa.

Fui alfabetizada na língua japonesa aos 5 anos, aos 7 anos, quando entrei no primário, precisei da ajuda da aluna da minha mãe, que se sentava ao meu lado, para traduzir o que a professora dizia, pois eu não entendia absolutamente nada do que a professora falava, sendo, portanto a minha língua-mãe, a japonesa.

Sou contadora e socióloga, tenho dois filhos maravilhosos, ambos os médicos, profissionais sérios, dignos e respeitados, genro e nora também médicos, 3 lindos netos.

Estou aposentada, sinto-me honrada por Deus e finalmente desobrigada de responsabilidades, tento-me usufruir das alegrias da vida… cantando… velho sonho da minha vida!

AGRADEÇO aos mentores do site AMANTES DA VIDA: Maria Eugenia Cerqueira, Ana Boucinhas, a oportunidade de manifestar e participar os meus sentimentos e pensamentos; o carinho, alegria e amor.

Que Deus proteja, ilumine e abençoe o caminho de vocês; parabéns e sucesso ao site tão bem elaborado.

Beijos

Sizuh

 

Comentários 5

  • Mozart Guariglia de Oliveira18/07/2012 em 19:42

    Estava passeando por aqui atrás de novidades, que sempre aparecem, li sua frase e achei muito linda. Não há pessoa sensível que não seja atraída por sentimentos como amor e gratidão! Abraço fraterno. Obrigado
    “Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato”

  • Aglaé Seffrin23/05/2012 em 23:18

    Olá Sizuko. Obrigada por compartilhar um pouco da sua vida conosco. Beijos.

  • Carmen Bressane23/05/2012 em 09:18

    Fomos colegas de trabalho e muito antes de saber que você é excelente cantora saltava aos olhos que você tem “alma de artista”, além de ser delicada, sensível, um doce. beijo grande da amiga Carmen

  • renata de camargo menezes22/05/2012 em 15:12

    Minha querida Sizuh, admiro muitissimo seu modo de vida e sua doçura! Um grande beijo da amiga Renata.

  • Av22/05/2012 em 10:55

    Para nós é uma honra apresentar uma pessoa tao sensível,tao forte,tao disciplinada e tao cheia de amor,como voce.

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