Sharon Stone

 

Foto: Divulgação

Sem nunca ter feito plástica, tão fascinante e sexual quanto na época do filme Instinto Selvagem, Sharon Stone fala à Vogue Brasil num editorial de moda maravilhoso.

Nosso encontro no Chateau Marmont, lendário hotel em Hollywood que fica atrás da Sunset Strip e onde muitas celebridades moram, ela aparece linda, livre de agentes e assistentes, sua linguagem corporal e porte anunciam que esta mulher não está para brincadeiras.

À medida que se aproxima, a primeira coisa que impressiona é seu físico majestoso, acentuado pelo rabo de cavalo no topo da cabeça. Seu rosto está quase limpo, a não ser por um toque de base e, aos 54 anos, ela é assustadoramente bonita. Vestida de modo elegante, mas casual, com calças capri cinza-escuro da H&M, camisa sem mangas, sapatos Dior e carregando em volta do pescoço um pingente Damiani jogando em seguida a bolsa Hermès sobre o sofá do lobby.

Sharon está superanimada e gesticula bastante. “As pessoas no Brasil são livres. Você pode curtir as praias, a comida, a vida, a família. Eles não têm problemas em aceitar o próprio corpo como nós. Porque aqui, você só pode usar biquíni se tiver 15 anos e a pela toda bronzeada com spray”.

Ela continua sendo o rosto da Dior para a linha de tratamento One Essential e transpira glamour por todos os poros. “Era insegura, detestava meu bumbum – e é claro que devia ser bonito. Já hoje adoro o que vejo no espelho, mas evito me comparar a Sharon jovem. Estou fantástica, e isso basta”, sorri. “Esqueça aquela garota de 20 anos. Eu sou esta aqui”, declara.

Invejavelmente, sua pele é saudável, esticada e relativamente sem rugas. Ela não parece ter se submetido a nenhuma cirurgia plástica mais pesada, ao contrário da maioria das suas colegas. “É uma questão de DNA, tive muita sorte. É meio ridículo dizer isso, mas meus pais sempre pareceram astros do cimema”, diz. Stone que é uma mulher engraçada, aberta, não fica medindo palavras. “O que você quer que eu diga? Não sou contra liftings. Não acho que você deva ter lábios do tamanho da sua cabeça; isso é meio ridículo. Também não sou muito fã de seios grandes quanto sua bunda. Mas, é só minha opinião.” Empolgada ela continua. “Hoje sabemos que preparo físico conta, temos uma alimentação melhor, cremes melhores, exercícios melhores. Não sou uma anomalia para a minha idade, é possível chegar aos 50 como eu.”

Em uma cultura que envelhecer é quase um crime, Stone representa uma alternativa de sobrevivência digna. “Não vamos mais nos aposentar aos 65 anos. Essa ideia acabou. Temos uma segunda vida agora; coisas grandes que ainda vamos fazer. Não vou colocar aquelas roupinhas com avental para assar biscoitos. Realmente estamos inventando uma nova maneira de chegar à meia-idade para decidir em seguida o que fazer com o resto de nossas vidas.”

“Às vezes me pergunto se realmente é possível continuar desejável aos 50 ou se estou delirando. Mas, quando penso que caras de 25 anos me convidam para sair, concluo  que realmente estamos mais bonitas,” diz. “Na verdade, acho que o paradigma mudou. Homens e mulheres me convidam para sair, e não é mais uma questão de ser gay ou hétero. A sexualidade hoje não tem a ver com a idade, gênero ou raça. A força de casais está mudando totalmente. Tem a ver com estar com a pessoa certa. E só.”

Ser mãe dedicada e manter-se glamorosa não é um dilema para a atriz. “Sou rígida em relação a tudo. Eles têm que arrumar as próprias coisas ou não podem ver TV e perdem o computador e pronto.”

“Gosto cada vez mais de moda. Sou amiga de muitos estilistas, tive o privilégio de visitar os ateliês e vê-los cortando um molde desenhado no papel original. Vi alguns dos melhores do mundo em ação, como Lagerfeld, Valentino e Alaia. E isso ainda me faz vibrar.”

Stone toca seu próprio tambor e nunca poderia ser acusada de fazer algo previsível. “Goste de mim, ou me odeie. Não ligo.”

Foto: Divulgação

 

Fonte: Vogue Brasil

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