São Petersburgo

 

Revisitando São Petersburgo

Foto: Divulgação

Lá estive quatro anos após a queda do comunismo na União Soviética. Na época, me chamaram atenção diversas peculiaridades. A cidade não tinha vitrinas. Ou seja, a população sabia o endereço dos locais onde se vendiam as coisas que necessitava.  Ainda não havia concorrência no comércio. Outdoors também não existiam.

Determinado dia, minha mulher e eu resolvemos, contrariando as instruções da tripulação do navio em que estávamos, ir sozinhos visitar o metrô da cidade. Pegamos um taxi e demos o endereço da estação. No meio do caminho o taxi para, o motorista desce e adentra uma porta. Ficamos a sós no carro, nos entreolhando e esperando o pior.  Lá pelas tantas o motorista sai da porta com algo na mão, abre-o o capô e entra no carro para ligá-lo.

Aproveito para perguntar ao taciturno motorista o que estava ocorrendo e ele diz que havia comprado uma correia para o motor que estava esquentando. Desceu, fechou o capô e continuamos a viagem rumo ao metrô. A porta em que ele sumira era de uma loja de autopeças.  Assim era o comércio na cidade fundada por Pedro o Grande para rivalizar com Moscou e ser a capital da Rússia!

A postura da população era estranha também. Visitando o famoso Hermitage, o palácio dos Romanoff em que o czar Nicolau e sua família foram presos pelos revolucionários, e posteriormente executados por ordem dos chefes da Revolução, verifiquei que a segurança do museu era provida por senhoras de avançada idade, mal humoradas, uma em cada sala e que nada sabiam ou queriam informar aos visitantes. Nosso guia informou que como elas estavam insatisfeitas com o novo regime, assim agiam.

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Para exemplificar o motivo de tamanha irritação, nos disse que o governo estava oferecendo, pelo custo do cartório os apartamentos em que as pessoas viviam que de fora pareciam cair aos pedaços, mas que os novos proprietários teriam de arcar com os custos de manutenção dos seus imóveis e ninguém aceitava isto, nem o nosso guia!  Este era o resultado de setenta anos de regime comunista.  O cachimbo entorta a boca, mesmo. Pretendo volta a São Petersburgo para ver com as coisas andaram.

Enquanto isto no Brasil junto com a governo-dependência da população (Bolsa isto, Bolsa aquilo) cresce a carga tributária e a corrupção. A ideia de nossos governantes parece ser que a melhor forma de reduzir as desigualdades é nivelando todos por baixo, enquanto pouco ou nada é feito no sentido de promover a igualdade de oportunidades. Assim desestimulamos o empreendedorismo e não valorizamos aqueles que por esforço próprio, dão certo na vida.

Aqui, no país tropical, negamos o dito chinês que diz para não dar o peixe pra quem tem fome, mas sim que devemos ensiná-lo a pescar.

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