São João no Porto

Foto: Divulgação
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Um monte de festas pagãs foram sepultadas no tempo. À algumas, a Igreja garantiu a continuidade das comemorações, mas com conotações cristãs é claro. Dentre estas, o 24 de junho, onde era celebrado o solstício e a fertilidade lá atrás, passou a ser o dia da festa de São João, pois o santo nascera neste dia.

Curiosamente, mesmos costumes foram incorporadas em diversos países. É a data em que se pulam fogueiras, a turma dança, bebe e enfeita a cidade com bandeirolas. Mas, pelo que consta, apenas os portugueses agregaram à festa, o hábito descoberto por historiadores.

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Estes chegaram a conclusão que para comemorarem a fertilidade, os grupos brincavam de baterem-se mutuamente nas cabeças com alho poró, enquanto maços de erva cidreira eram distribuídos de montão. Considerando que os elementos representavam respectivamente o símbolo fálico e os pelos púbicos femininos, a brincadeira não era tão ingênua assim…

Provável que este “plus” tenha tornado a cidade do Porto, o reduto da maior festa de São João do planeta. A importância deste dia é tão grande, que a temporada de São João começa em maio, com o tradicional desfile dos Trios Elétricos e termina apenas em 4 de julho com o arraial de São João. No interregno, festivais de música, de fados e concertos, vão esquentando os tambores e oferecendo dezenas de atividades à população do Porto.

Porto, festas de São João no Porto. Manjerico – Foto: Divulgação

Não é á toa que neste período, hotéis e pensões estão superlotados de alegres turistas. Nos dias que antecedem o grande evento então, sente-se no ar, o frisson da farra que está para chegar. Nestas alturas, cartazes do santo e bandeiras já fazem o maior marketing do evento. A ebulição aumenta dia a dia, até a explosão, que se dá na noite de 23 de junho.

À partir das 18 horas, homens, mulheres, velhos e jovens equiparam-se às eufóricas crianças e não há uma cabeça que escape de levar uma leve pancada com um martelo de plástico. Interessante que até 1970, o alho poró ainda era usado, mas resolveram trocar por um outro elemento, mas com a mesma conotação de símbolo fálico. As ervas cidreiras também foram substituídas por vários vasos de ‘manjerico’ que provavelmente tem a mesma simbologia das ervas cidreiras do passado.

Enquanto se divertem, acho que agora ingenuamente mesmo, em cada canto do Porto, começam a serem assadas as sardinhas e abertos os vinhos. A música reverbera por todas as esquinas e as danças que começam discretamente, vão se tornando cada vez mais animadas.

À partir das 22h a ordem é lotar as margens do Rio Douro para ser apreciado um dos maiores espetáculos pirotécnicos do mundo. Embarcações estrategicamente posicionadas, aguardam a meia noite para oferecer o esplendoroso espetáculo. No trecho entre a foz e a ponte D. Luiz l, milhares de pessoas se aglomeram e só a iluminação dos prédios das duas margens já oferece um ‘que’ de magia.

Aos privilegiados, ‘bateaux mouches’ com DJs de primeira, carregam foliões que no início do show, trocam os gingados corporais, por “ais” de exclamações diante das fogosas companheiras das estrelas e da espetacular cascata que jorra da ponte. Quando silencia o retumbar dos fogos, por entre as fumaças surgem centenas e centenas de balões no céu, que com sua iluminação, apelam para que o dia não acabe.

Na hora em que a exaustão alcança as crianças e os velhos, os jovens passam a ser os donos das festas. Não fica um menor de 40 anos em casa. A balada espalha-se por tudo quanto é parte e só entregam os pontos às altas madrugadas, quando então, o por do sol na praia, torna-se o local do merecido descanso.

A única que deve ficar um pouco enciumada é  a Nossa Senhora de Vandom, a verdadeira padroeira do Porto. Mas, fazer o que, pois desde o século XIV, quando Fernão Lopes  foi organizar a recepção do então rei à cidade, já sabia que uma  grande festa seria vivida pelas gentes do Porto. A noite de SÃO JOÃO!!!

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