Poesia do Faxineiro

por Maria Eugenia Cerqueira

 

Pobre de quem imagina
Já que a sujeira abomina,
Ter feito toda faxina,
Como manda a disciplina.
O trabalho encerrado,
Vem o pó bem descarado
Pelo vento acelerado,
Enche a casa do coitado
Que mal havia pousado
A vassoura ao seu lado.
O que dizer para o povo?
Começar tudo de novo?
Assim a casa se suja,
O que é de ferro enferruja
E não há como se fuja
Se a sujeira sobrepuja.
Recomeçando sem gosto
Mas com sorriso no rosto
Pois mais vale estar disposto
Do que morrer de desgosto.
Saudades de quem fazia
A limpeza a cada dia,
Daquela vida vadia,
Que a infância lhe permitia.
Lembrança imorredoura,
Mas seja benvinda a vassoura,
Tarefa não duradoura
Na contramão da lavoura
Que não foi acolhedoura.
A ida para a cidade
Com a falsa liberdade
Da vida em comunidade,
Buscando oportunidade.
Pede então ao pó piedade,
A sua cumplicidade,
Na plena serenidade,
De quem teme a ociosidade.

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