Pinceladas sobre o papel do Pai no correr da História

por Ana Boucinhas

Ana Boucinhas com seu pai

 

O pai, diante da história, sempre dançou conforme os sons da época.

Dos uivos dos leões aos gritos das passeatas feministas, séculos e séculos se passaram e o coautor dos filhos, sempre adaptando seu personagem às realidades que iam surgindo.

De caçador, o pai passou para guerreiro e os berros de guerra ultrapassaram os uivos. Mas nenhum registro sobre a importância do pai, que continuava como o forte, o corajoso e distante fisicamente das obrigações com os filhos.

Já na Idade Antiga, o poderoso Nabucodonosor foi o primeiro pai a receber do seu filho uma mensagem específica. Provavelmente, numa tremenda cerimonia, ao som de harpas, flautas e alaúdes, o jovem Elmesu entregou ao seu papis uma placa de argila desejando saúde, sorte e longa vida. Considerando os personagens, deve ter sido um fato isolado, mas o registro ficou para a posteridade.

Se houve uma fase em que os sons não foram marcantes, mas o papel do pai subiu às alturas, foi no período romano. A bola dos pais foi tão vertiginosamente levada às alturas que até recebeu um título específico: Pater Família. Deve ter começado aí a bronca das mulheres, pois os homens assumiam na totalidade o papel de “super-machões”. Os filhos, então, deveriam morrer de medo da figura paterna, pois se lhe virasse a cabeça, o pai poderia joga-los às traças.

Sem documentação, mas com superficial ótica e excesso de liberdade romântica, os pais na Idade Média devem ter perdido a prepotência e, se curvando aos sons dos órgãos ecoando cantos gregorianos nas igrejas, tornaram-se mais dóceis na relação pai e filho.

Sons de mares revoltos, de troca de moedas de ouro, de incipientes máquinas industriais, levaram os pais a transferirem para as escolas a obrigação de educar seus pimpolhos. A responsabilidade maior do pai de então, era a de ser o provedor da família, mas já sem tiranias. Os caras chegavam tão cansados em casa que devia sobrar pouco tempo para saber das gracinhas dos pequenos.

O mundo foi rolando e eis que surgem, na era contemporânea, os gritos nas passeatas feministas. O pai assustado perdeu o histórico chão e teve que reinventar rapidinho o conceito de pai.

Para não enraivecerem ainda mais as mulheres, eles cortaram as asas de machão logo de cara. Sem deixar de lado os sons anteriores, de repente devem até ter se assustado quando começaram a ouvir, com certa atenção, os barulhos dos carrilhões dos mimos colocados nos berços dos bebês. Da noite pro dia, descobriram que estes bebezinhos não tinham que se limitar aos cuidados só das mães leiteiras.
Tremenda revolução comportamental pela frente.
Sem precisar caçar, guerrear, enfrentar os mares e ainda por cima ter a mãe do seu bebê dividindo com ele a posição de provedor… nada mais inteligente do que optar por curtir com ela os cuidados com seus descendentes diretos.

Pai Ideal: será que existe?

Pelo que tudo indica, esta é a primeira geração na história do mundo, em que os filhos têm nos pais uma figura presente, em tempo quase integral.
No imaginário infantil, o pai continua tendo os poderes de super-heróis, o que é consolador para eles rs.
Mas, na realidade, suas forças físicas foram transferidas para os trabalhos educacionais ao lado dos filhos.
Corajoso hoje é o pai que, com a maior tranquilidade, entrega-se à luta no troca troca de fraldas dos seus bebês.
Desbravador é o pai que, de mãos dadas com seus filhos, invade parques, praias e piscinas, antes só ocupadas por figuras femininas.
Educador é o pai que, preocupado com o peso dos seus exemplos, procura ser sempre o espelho que vai refletir aos seus filhos os princípios que acredita.
Pelo andar da carruagem, muito provavelmente, em um futuro próximo, todos os pais irão merecer dos seus filhos o carinho que o imperador babilônico mereceu.
Ainda que no Brasil a ideia de instituir o segundo domingo de agosto como o Dia dos Pais, teve um caráter meramente comercial, o marqueteiro do Roberto Marinho, sem querer, acabou criando um dia especial para os especiais papais do novo século!!!

Comentário 1

  • Zelia de C P Mendes10/08/2018 em 13:30

    Que saudade do meu pai e de sua sabedoria! ❤️❤️❤️
    Texto muito bem escrito !
    Viva os nossos pais!
    Que nos guardem sempre!

  • Adicionar comentário