Patrícia Centurion

 

Recentemente, fui convidada por uma grande amiga, Maria Emilia Cunali, para um evento num atelier de joias na Alameda Lorena onde vários joalheiros estariam expondo suas criações. Fiquei fascinada com o espaço e com a energia que emanava do local, ultra moderno e clean. Quis então conhecer melhor a anfitriã da exposição, trazendo para os leitores do Portal Amantes da Vida um pouco da história desta artesã incomum que recebe colegas da área não como concorrentes mas como amigos que partilham interesses comuns, cada qual expressando a arte da ourivesaria segundo ótica própria. A mostra estava linda e harmônica.

Patrícia Centurion  nasceu em São Paulo, sob o signo de Áries e efetivamente externa toda a vibração do elemento fogo que carrega dentro de si. O Atelier Galeria que idealizou e onde impera, reflete seu imenso poder criativo já que foge do rotineiro conceito de loja para tornar-se um espaço onde “o próprio cliente se serve das joias que mais gostar, tornando sua experiência de compra muito mais envolvente e agradável”, nas próprias palavras de Patrícia.

Foto: Divulgação

Graduada em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, em ourivesaria, desenho, gemologia e história da joalheria pela escola italiana Le Arte Orafe, de Florença, complementou sua formação no Instituto per L’Arte il Restauro Palazzo Spinelli, no Fuji Studio e na Or Virtual.

Na trilogia do fogo, Áries representa a faísca e é dela que Patrícia sabe tão bem fazer uso em sua profissão, forjando a armadura com que enfrenta o mundo e vence seus desafios. Em seus sonhos infantis, não se via como a “Bela Adormecida”, repousando em sono plácido mas como a detetive Kelly do seriado “As Panteras”, com a impaciência que não suporta limites e a cabeça cheia de ideias de transformar o mundo.

Nada de vida comum e rotineira! Patrícia advoga que, em termos de relacionamentos humanos, os opostos se atraem e tendem a dar certo, apesar dos questionamentos mútuos. Áries precisa de um ideal pelo qual lutar, ainda que no campo afetivo. Casada há dezessete anos, tem dois filhos, cujos nascimentos propiciaram à Patrícia a mais plena expressão da felicidade. A menina minha xará, ao sermos apresentadas durante o coquetel no atelier, afirmou, em tom decidido, que adorava o próprio nome o que eu, claro, concordei!

Lealdade e humor são qualidades que preza. Realmente, a vida tem que ser levada com leveza pois momentos há em que as batalhas são muitas. Patrícia pensa muito antes de agir e com isto evita arrepender-se do que faz. Curiosa e aventureira (ah, esses arianos…), gostaria de conhecer o mundo, já que diferentes culturas lhe servem como inspiração no trabalho. Eclética em termos de experiências gastronômicas, vai das massas às comidas indiana e japonesa, privilegiando verduras grelhadas. Frutas? A manga, que “coincidentemente” é cor de fogo…

A praia e receber bem fazem parte de seu lazer, reunindo amigos em casa, onde todos os cantos lhe são preciosos. Este espírito maternal do aconchego  evidencia-se quando afirma que “o melhor momento do dia é quando dou boa noite para as crianças e elas me amassam!”

Hoje em dia,em sua loja, esclarece que dentre todas as peças, os brincos são os mais comprados e que a maioria dos clientes está na faixa entre os trinta e sessenta anos. A gema mais popular, talvez por ser a mais conhecida, é o diamante e, na opinião da entrevistada, “todas as mulheres deveriam ter pelo menos um”. É bom que nossos leitores masculinos prestem especial atenção nesta assertiva…Palavras de expert no assunto!

Foto: Divulgação

Desde que Patrícia voltou da Itália, em 1992, constatou que o brasileiro passou a valorizar mais as pedras brasileiras, o que considera excelente pois com elas pode dar asas à sua criatividade. Por falar em voos, não fossem os riscos, Patrícia escolheu o paraquedismo como esporte radical que eventualmente praticaria…

Não suporta a dor alheia, principalmente dos que lhe são próximos, bem como a deslealdade. Expõe bondade de coração quando divaga que jamais trabalharia num abatedouro de qualquer espécie.  Por sua postura, quase nunca guarda rancor mas não abandona uma batalha e impossibilidade é uma palavra que não consta em seu dicionário.

Perdoar ou pedir perdão? Qual o mais difícil, lhe foi perguntado? “Nenhum nem outro”– tudo na verdade é circunstancial.

Livro marcante: Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva, lido nos anos 80, do qual lembra com carinho mas há muitos outros que ajudaram a formar esta Patrícia criativa, objetiva, determinada e que sabe levar a vida com bom humor.

É um privilégio trazer para o nosso Portal uma personalidade tão generosa em nos conceder essa entrevista.

 

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