Pães Integrais

 

No caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo, a repórter Juliana Vines, com a colaboração de Carolina de Andrade, expôs o embuste por detrás dos chamados pães integrais que só são especiais no nome e no preço e que contém mais farinha de trigo tradicional do que não refinada.

Diz o texto: “O pão integral industrializado não é tão integral assim, mostra a análise da Proteste (órgão de defesa do consumidor). Quatro entre sete marcas testadas têm mais farinha tradicional do que a não refinada na composição”. Questionados sobre o assunto, os fabricantes que se deram ao trabalho de responder já que alguns nem isso fizeram, alegaram que seguem as normas brasileiras.

Considerando que as ditas normas brasileiras não abordam o assunto, é um salvem-se quem puder! Cada um faz o que bem entende e pronto – o consumidor que se conforme. O trigo integral preserva a casca do cereal, além do gérmen, onde residem os principais nutrientes, tem mais fibras, o que aumenta a sensação de saciedade e facilita o trânsito intestinal, mantendo estáveis os níveis de glicemia no sangue.

Nos Estados Unidos, o pão integral de trigo só pode receber essa designação se só contiver farinha integral, sem farinha refinada branca. Na Holanda, idem. Por que no Brasil o consumidor é tão desrespeitado e ludibriado? Faço questão de adquirir produtos ditos naturais, com farinhas integrais, mas chego à conclusão que estou comprando gato por lebre. “A Vigilância Sanitária informou que pretende rever a regulamentação dos produtos integrais, mas o tema não está na agenda deste ano”.

Há quanto tempo há pães integrais sendo comercializados sem o serem? Por que o Órgão disciplinador não tomou conhecimento do assunto até hoje e ainda protela as providencias para data incerta e não sabida? Por certo se a Folha de São Paulo não levantasse o tema, esta falta de regras continuasse para sempre. Resta salientar que propaganda enganosa é crime e no rótulo desses pães está escrito “pão integral”, sem sê-lo.

Indo além, mesmo depois de uma eventual regulamentação, o setor teria que ser fiscalizado pelos órgãos competentes, através de análise de amostras aleatórias, para checagem do fiel cumprimento da mesma. Isso, infelizmente, não vai acontecer tão cedo.  Melhor optar por produtos  caseiros, de padarias confiáveis, que prezem  mais a saúde do consumidor que o lucro fácil das grandes marcas.

 

Foto: Divulgação

 

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