Os morcegos são do “bem”

Os Morcegos são do “bem”: um aliado contra o mosquito da dengue!

Você vai conhecer agora o outro lado desses seres noturnos que habitam cavernas e estrelam filmes sobre vampiros!

Os morcegos desempenham um papel primordial no equilíbrio do meio ambiente. Eles são, entre outras coisas, os principais predadores de insetos noturnos; um único morcego pode comer até cinco mil deles numa única noite (incluindo os mosquitos que nos transmitem doenças como a dengue e a malária). Isso equivaleria a um ser humano comer 50 pizzas no jantar!

E mais: como se alimentam das pragas, esses mamíferos voadores também trazem benefícios diretos para a agricultura. Com menos pragas, usa-se menos pesticida e, como consequência, temos comida mais saudável. A eliminação de insetos com morcegos, só na América do Norte, poupa anualmente na indústria agrícola cerca de 23 bilhões de dólares. Além disso, os morcegos são grandes polinizadores e dispersores de sementes. Ajudam no repovoamento de plantas, na manutenção de florestas, no crescimento de espécies frutíferas como as bananeiras, e são os únicos seres a polinizar o agave. Quem gosta de tequila, agradeça, pois, aos morcegos!

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Quando consideramos todos esses aspectos, não há dúvida de que os morcegos são grandes amigos do ser humano. Tudo bem que alguns estão longe de ser bonitinhos, mas nem por isso deixam de ser nossos aliados.

Morcegos em perigo

Hoje, os morcegos sofrem inúmeras ameaças, tanto as decorrentes de mudanças climáticas, quanto pela destruição de seus hábitats naturais e pelo uso de pesticidas. É por isso que a instalação de casas de morcegos pode proporcionar a esses animais um local seguro onde morar, sem incomodar ninguém. Em contrapartida, eles limparão a área ao se alimentarem com os mosquitos portadores de doenças e outras pragas.

Ficou curioso? Pesquise mais sobre essa criatura extraordinária e compartilhe seus conhecimentos com amigos. Veja na internet, entre outros, estes dois vídeos, que mostram a eficiência desses exterminadores de pragas: www.helpthebats.ca/; www.defenders.org/bats/bat.

Acho impressionante como pouca gente tem noção da importância dos morcegos em nosso ecossistema. Ensine a seus filhos sobre a necessidade de proteger e respeitar esses parceiros da natureza.

Como os morcegos “trabalham”

Estima-se que 250 espécies de morcegos dependem parcial ou totalmente das plantas como fonte de alimento. E de alguma forma, as plantas também dependem dos morcegos. Afinal, os que se alimentam de frutas deixam cair sementes durante o transporte, fazendo com que a planta brote em um novo local. Já os que sugam o néctar das flores, carregam consigo o pólen. Ao pousar em outra flor, deixam nela grãos que permitem sua reprodução, do mesmo jeito que fazem os beija-flores.

Para se ter ideia da importância dos morcegos, basta dizer que cerca de dois terços das florestas tropicais do mundo todo são polinizadas por eles. A dispersão das sementes também faz com que eles sejam os principais responsáveis pela regeneração de reservas naturais degradadas.

No Brasil, o conhecimento sobre o papel e as funções dos morcegos ainda é muito restrito, apesar de existir aqui uma entidade que se dedica ao seu estudo. Por outro lado, na Europa e na Austrália, nos Estados Unidos e no México, os agricultores já reconhecem a relevância desse animal, principalmente como predador de insetos e pragas. Lá, as pessoas chegam a comprar morcegos de regiões onde eles são abundantes para introduzi-los em outras áreas de plantio.

Os morcegos têm a dieta mais variada entre os mamíferos, pois podem comer frutos, sementes, folhas, néctar, pólen, artrópodes, pequenos vertebrados, peixes e sangue. No Brasil, há cerca de 138 espécies de morcegos, entre as mais de cem mil existentes. Dessas, só três espécies se alimentam exclusivamente de sangue: os morcegos hematófagos ou vampiros. Mas eles não gostam de sangue humano e não chupam o sangue dos animais. Os morcegos fazem um pequeno corte com os dentes na pele dos bichos e depois ingerem o sangue que sai do ferimento. Ou seja: nada de sugar as jugulares de mocinhas indefesas.

Outra informação importante é que os morcegos transmitem raiva, assim como nossos cães e gatos. Mas quando está infectado, o morcego raivoso apresenta um comportamento estranho e anormal. Ele fica deitado no chão e quando alguém tenta removê-lo, recebe uma mordida. Portanto, se você encontrar um morcego no chão não toque nele sem proteção.

É importante lembrar que o morcego, por ser silvestre, é um animal protegido por lei: matá-lo é crime; preservá-lo é cumprir a lei e cuidar da natureza. Mas nenhuma importância é dada a esse fato e são inúmeras as empresas especializadas em exterminar morcegos sem o menor controle e sem nenhum fundamento técnico.

Esses bichinhos maravilhosos

Em resumo: os morcegos contribuem para a estrutura e a dinâmica dos ecossistemas na medida em que atuam como polinizadores, dispersores de sementes, predadores de insetos (incluindo pragas agrícolas), fornecedores de nutrientes em cavernas. Possuem ainda o extraordinário sentido da eco localização (biossonar ou orientação por eco), que utilizam para buscar alimento e se comunicar. O morcego atinge a maturidade sexual aos dois anos de idade e tem um filhote por gestação, a qual dura de três a cinco meses, em média; portanto, não se prolifera tão intensamente quanto dizem.

As casas de morcego

Como não encontrei à venda no Brasil nenhuma casa para abrigar morcegos, comprei uma no exterior e fiz um molde. Agora, estou produzindo esses ninhos em fibra sintética e com material reciclado.

(Eugenia, e se os moldes de cerâmica derem certo? Talvez fosse melhor não dizer aqui de qual material é feita a casinha, pra você não ficar com folhetos em desacordo com o produto, né?).

Apesar de serem úteis, ninguém quer e nem precisa conviver com morcegos dentro de casa. Até porque, quando eles se instalam nos telhados e forros, seus dejetos sujam as lajes e podem até mesmo vazar para dentro dos cômodos. O ideal, portanto, é atraí-los para longe, alocando-os de forma segura e ecológica.

Eu aprendi que não se deve tirar nada de ninguém sem dar algo em troca e é exatamente isso que as pessoas podem fazer no caso desses mamíferos voadores. Observe onde ficam as árvores ou quais são os pontos preferidos por onde os morcegos transitam. Esses serão os locais mais eficientes para disponibilizar os ninhos. Assim, eles nunca mais incomodarão ninguém, pelo contrário, continuarão auxiliando no combate a pragas e na polinização das plantas.

A transferência e a aceitação dos ninhos não ocorrem de imediato. Não desanime! Pode levar até dois anos para que os animais assumam a nova residência. As casas instaladas no início da primavera têm maior chance de ocupação do que em tempos de inverno. Isso porque os morceguinhos nascem no começo do verão – principalmente nas regiões com estações mais definidas.

Os morcegos têm como predadores as corujas, os falcões e, eventualmente, os gatos! Todo cuidado é pouco: os morcegos têm que se proteger. Por isso, os ninhos devem ser fixados a pelo menos quatro metros e meio do chão. Diante da nova casa não deve haver obstáculos que precisem ser contornados, como fiação elétrica e galhos de árvore. A área de entrada e saída dos morcegos deve ser livre, para facilitar o voo. Tanto um poste bem alto quanto uma parede de prédio podem ser usadas para a instalação de ninhos.

A disponibilidade de mais de uma casa, uma próxima à outra, aumenta a chance de ocupação. Os morcegos precisam visualizar os ninhos para que optem por eles – daí também a importância da área aberta. Em regiões frias, as casas devem ser posicionadas de frente para o sol da manhã, ou seja, voltadas para o sol nascente. Caso você queira visualizar o interior da câmara do ninho para certificar-se de que há moradores, coloque uma lanterna de baixo para cima e tente ver o movimento durante o dia (dessa forma não haverá perturbação), ou então simplesmente observe se há morcegos deixando o local ao entardecer.

Espero ter despertado o seu interesse por essas criaturas maravilhosas e tão diferentes do nosso mundo. Se a conscientização sobre a importância delas se disseminar, muitos serão os beneficiados, de parte a parte. Não se deixe levar por informações infundadas. Neste momento em especial, os morcegos podem ser nossos grandes aliados no combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana.

Os ninhos são comercializados através do portal www.amantesdavida.com.br

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