Ócio não é a minha praia

por Ana Boucinhas

Quando no alto da minha idade estava preparada para curtir o ócio com dignidade, e aparece a presidente da OBME (Organização Brasileira das Mulheres Empresárias) e me intima para ser sua Vice-Presidente.

        Como vou morrer com dificuldade de dizer não, quando dei por mim, já estava embrulhada para presente em um mundo onde o ócio não tem espaço. Claro que eu já fazia parte desta organização que foi trazida pela querida e saudosa amiga Adelina de Alcântara Machado.

        Mas, à época, era uma leveza e para falar a verdade, não tinha noção do que fosse a OBME. Não pagava a singela contribuição e nem era cobrada para isso. Adorava a companhia das antigas e novas amigas, todas bonitas, alegres, divertidas e charmosas.

       Às vésperas de sua morte, Adelina instituiu uma dócil e recatada japonesa, chamada Lilian Schiavo, para assumir a presidência. Como a parte jurídica da organização estava fora dos conformes, lá fui eu acompanhar a presidente e a sua então vice, a supercompetente Roseti a perambular por cartórios e afins.

     Resumindo: a então vice teve que se mudar de São Paulo e, claro, como estava ali do lado, lá fui eu entronada na Assembleia Legislativa de São Paulo no seu lugar.

     Dou aqui um conselho às minhas leitoras. Não confiem nunca na aparência de uma oriental. A suave e tranquila Lilian Schiavo passou a atuar como um trator, mas sempre com aquele arzinho de docilidade.

     A danada, sozinha, foi abrindo janelas e escancarando portas e em menos de dois anos, finalmente vemos o quanto a fundadora da OBME sempre se portou como visionária. Jamais teria indicado uma “ôba ôba” para substitui-la na organização que só ela tinha noção da enorme dimensão. 

    Para quem não sabe, e nem eu sabia, a OBME é a representante no Brasil de uma organização francesa chamada FCEM que foi fundada na época da segunda guerra por duas empresárias, para unir mulheres que tinham que tomar a frente dos negócios enquanto seus maridos saiam literalmente batalhando na guerra. Para falar a verdade, não sei se os respectivos maridos retornaram vivos. Só sei que as danadas lutaram tanto enaltecendo a importância e a capacidade das mulheres, que da organização, hoje, fazem parte importantes empresárias que alçaram e continuam alçando voos próprios pelo mundo afora.

   Para se ter o peso da semente plantada pelas duas esposas dos combatentes, hoje a FCEM encontra-se representada em 150 países distribuídos nos cinco continentes. E aqui no Brasil, é a OBME a sua “filial”. 

    É uma tremenda organização reconhecida internacionalmente tendo inclusive cadeira consultiva na ONU. No seu calendário consta um Congresso Internacional anual e diversos congressos que reúnem empresárias das mais diversas regiões do mundo. O incrível é que em todos eles, as mais altas autoridades do País onde está sendo realizado o evento comparecem e aplaudem o encontro que vai movimentar a economia.

           Voltando à suavidade (sic) da nossa presidente, a danada acaba de voltar de uma reunião organizada pelo Ministério de Relações Exteriores da Argentina, onde levou as empresárias brasileiras a fazerem parte do Mercosul através da OBME. 

          Resultado do campo ceivado pelo trator:  acabou o meu sonhado ócio com dignidade. Cá estou eu na gracinha que ela aceitou assumir… Responsabilizar a OBME como anfitriã do VIII Congresso Americano da FCEM nos dias 27 a 30 de junho, em São Paulo.

         Trocentas reuniões, rodeada de mulheres ativas, mas também alegres e entusiasmadas dando tratos a bolas para recebermos “comme il faut” as representantes da ” matriz” com as respectivas delegações de empresárias vindas da Argentina, México, Uruguai, Paraguai. Peru. Bolívia, República Dominicana.

         Mulheres de porte já estão de malas prontas para que seja promovido o intercâmbio de negócios, a exploração de oportunidades de comércio, a criação de alianças tecnológicas e sobretudo elos de união entre todas.

         O tema do encontro, claro que determinado pela FCEM, é aliás muito sugestivo e oportuno – “Conexões para acelerar processos de troca”. 

         Que as empresárias brasileiras interessadas em expandir suas atividades, mostrar seus projetos e saber das novidades, não percam a oportunidade !!!!!!!

          E para não deixar barato, o evento vai ser realizado no Clube Nacional – Rua Angatuba 703 – Pacaembu ! 

          Não tem jeito. Para quem gosta de movimento, o ócio não é opção. Quem sabe daqui há alguns anos ……. rs. 

Comentário 1

  • Silvana Gonçalves de Lima16/06/2019 em 19:20

    Amei o texto

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