O Fantasma da Solidão

por Ana Boucinhas

As saudáveis mulheres contemporâneas já nasceram sabendo lidar com a solidão numa boa.


A coisa mais normal, hoje em dia, é ver um grupo de jovens executivas que de vez em quando dão com a maior tranquilidade um chapéu nas obrigações do lar, deixam os maridos cuidando das crianças e lá vão se distrair um pouco com as amigas.
Já estão preparadas para usufruírem lá na frente das benesses da vida, quando a solidão vier bater na porta.
Mas até pouco tempo atrás, as coisas eram bem diferentes. A vida da mulher se resumia em acumular as funções fora e dentro do lar. Os maridos de então, eram os filhos mais mimados, pois na imensa maioria, não mexiam uma palha para ajudar em nada. Claro que todas tinham um monte de satisfações nas diversas áreas de atuação, senão teria sido difícil segurar nos ombros a capa de mulher maravilha.


O tempo foi passando e dentro dele a mulher continuava com a mesma rotina de sempre. Quando a capa pesava muito, só para desanuviar, dava uma escapadela vapt vupt e pegava às escondidas um cineminha à tarde. Mas sempre, com o maior remorso, voltava ao lar doce lar.

O tempo passa mais ainda e os filhos alçam voo. Já diminui o ritmo das obrigações, ok. Mas o maridão assume com tudo o papel de filho e nestas alturas a coisa complica, pois já está aposentado e o que mais quer é ser super mimado.

Dando um azar, o companheiro batia as botas e aí se perdia o chão de vez. As que tinham netos, davam-se uma sobrevida por algum tempo. Depois batia a solidão, que ia para a depressão e dela para a morte era um pulo.

As novas coroas, em compensação, na mesma situação, depois de pouco tempo cai a ficha e resolvem dar uma guinada na sua existência.

Claro que não é da noite para o dia que o raiar da liberdade entra com tudo. Ela chega como o amanhecer. Uma pitada de claridade anuncia discretamente que a escuridão está por terminar.

De repente, começa a bater uma singela satisfação por não ter que pular da cama e repetir os comportamentos onde a solidão não tinha espaço. É o primeiro sinal de que uma nova vida vem pela frente.

Acostumadas que fomos a uma vida cheia de atribuições, depois de uma semana dormindo até acordar passa a não ter mais graça. Mas foi dado um tempo para percebermos que temos que passar a andar com as próprias pernas, pois ninguém precisa mais dos nossos feitos.
Só o movimento em busca de uma nova realidade, já coloca o universo a nosso favor. Oportunidades aparecem do nada, desde que fiquemos atentas e exercitemos a sensibilidade “cósmica “.

Aproveitar a solidão para descobrir coisas que nos satisfazem e nos engrandecem como ser humano, é uma tremenda balada para o ego.

Quando menos se espera, cá estamos nós cheias de atividades que nos enaltecem e nem acreditamos que houve um tempo em que o máximo que fazíamos só para nós era uma escapadela fortuita a um cineminha.
São tantas as descobertas e a maior delas, sem a menor dúvida, é ter achado que dentro do fantasma da temida solidão, quem mora é a liberdade !!!!

Comentários 6

  • Wilney Ferraz21/09/2019 em 08:33

    Muito interessante texto. Sucinto, porém, nada escapou da análise leve e bem digestiva… Bem por aí! Congrats, Anuska. Sudadi di tu!

  • ana maria boucinhas19/09/2019 em 10:53

    Vou passar no face in box meu telefone Qdo vier a S.P vamos trocar trocentas mil figurinhas rs bjss

  • Ana18/09/2019 em 22:58

    Como sempre dando um banho com aquilo que escreve!
    Vejo isso acontecer com muitas amigas! Graças a Deus, no “esplendor” dos meus 7.3, ainda trabalho, ainda faço planos!
    Você é demais!

    • Helô24/09/2019 em 12:37

      Que sorte a sua,Ana! Tenho a mesma idade, moro sozinha e me sinto muito infeliz, nada mais me atrai, planos não faço mais… Convivo com 12 gatos, cuido deles empurrada.

  • Liana Della Casa18/09/2019 em 22:06

    Adorei amiga!
    Muito bem escrito, totalmente dentro
    da nova realidade.
    Graças a Deus!!!
    Beijo, beijo, beijo!

  • Luisa Barbero18/09/2019 em 19:11

    E isso mesmo !adorei tudo que escreveu , vivo muito bem comigo mesma ,,beijos precisamos nos encontrar

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