O empoderamento da gratidão coletiva

Mais do que palavras da moda, o empoderamento e a gratidão

têm efeitos benéficos comprovados até pela medicina 

Houvesse um concurso para premiar as palavras mais comentadas ultimamente,
EMPODERAMENTO e GRATIDÃO ganhariam estourado. O empoderamento chegou com pompa e circunstância. Com o termo “poder” compondo a palavra, a imaginação foi direto para reis, rainhas, imperadores, coroas e tiaras de diamantes.
Mas a liberdade poética durou pouco. Bastou associa-la aos movimentos da década de 1960 – onde a palavra poder conscientizava grupos sobre a importância da autovalorização – para sacar que o aportuguesado “envoyrement ” era dirigida aos pobres mortais mesmo.

Na realidade, empoderar nada mais é do que auxiliar o desenvolvimento de habilidades de uma pessoa para que possa obter poder através de seu próprio esforço.

Mas desde que a ONU usou, em 2010, a nova roupagem etimológica ao estabelecer os princípios do empoderamento da mulher, todos os grupos sociais de minorias adoraram a ideia contida no termo e resolveram adotá-la também como ferramenta de luta por seus específicos direitos. Daí o prêmio ser concedido à nova palavra. Aliás, o educador Paulo Freire merece um prêmio “hors concours” pois foi o autor do termo empoderamento, em seu sentido transformador.

Já a gratidão… desde que saiu dos anais exclusivos da religiosidade, tomou um vulto inesperado.
Filósofos, psicólogos e cientistas debruçaram-se sobre o estudo deste sentimento e, por unanimidade,
concluiram que a gratidão tem o poder de ” blindar” as pessoas contra as adversidades da vida.

Um estudo publicado em abril de 2015 pela Associação de Psicologia Americana, por exemplo, mostrou que pacientes que demonstravam mais gratidão registravam níveis menores de biomarcadores inflamatórios. Menos presença de inflamações no organismo, melhor a qualidade de vida, é claro.
Verificou-se ainda que pessoas gratas conseguem perdoar com mais facilidade, são menos narcisistas, mais generosas, e que essa sensação se reflete no organismo como um todo.

Resultados saídos de exames de imagens, tornam os céticos os mais novos apreciadores dos efeitos da gratidão.
Quando são dirigidos os pensamentos de agradecimento, as máquinas detectam a liberação no cérebro de uma substancia chamada dopamina. Esta substância atua no controle do movimento, da memória e da sensação de prazer.
São tantas as descobertas na área neurológica, que o que eram apenas invocações religiosas, passam a ser fontes de cura para doenças típicas da velhice. O Mal de Parkinson, por exemplo, tem sua origem ligada à falta de dopamina. A carência desta substância acaba alterando os movimentos do corpo, tornando-os descoordenados.
Face ao efeito produzido no cérebro diante de pensamentos de gratidão, a manifestação expressa deste sentimento passará a ser receitada como remédio preventivo aos idosos.

Já que o hábito do exercício da gratidão promove a melhora da saúde física e mental, além de aumentar a auto estima, que passe a ser incorporado à rotina de todos nós .

Assim, as novas terminologias que explodem na mídia, são na verdade antigos comportamentos repaginados, que têm o grande mérito de aprimorar o desenvolvimento do ser humano.

Agradeço à infinita sabedoria por ter me inspirado neste texto, com o fim precípuo de realçar a força do poder mental que todos tem.

 

Ana Boucinhas

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