O criador da anestesia

 

Com todo o respeito e admiração aos cientistas que já tornaram o mundo melhor e a outros que virão, existe um a meu ver, que deveria sair da obscuridade e ocupar o pódio na história mundial da ciência. WILLIAM TOMAS GREEN MORTON, que depois de disputas, acabou levando a paternidade da invenção da ANESTESIA.

Até o dia 16 de outubro de 1846, quando o dentista americano MORTON fez com êxito a demonstração pública de que era possível adormecer o paciente durante a cirurgia, a turma de enfermos comia o pão que o diabo amassou quando submetida a alguma intervenção.

Foto: Divulgação

Claro que não se ousava fazer estripulias no corpo humano, mas membros eram seguramente extirpados para garantir sobrevida ao indivíduo. Valia qualquer método para diminuir a dor. Os assírios curtiam apertar a carótida da vítima, digo paciente, até levá-lo a desmaiar. Na época medieval, uma tigelada no crânio nocauteava o enfermo, coitado!

Ópio, gelo, vinho, até magias e orações serviam como tentativas, mas não passavam de quebra galhos. Em meados do século XIX, pairava no ar que finalmente estava por surgir o fim da dor nas extrações dentárias ao menos.

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O também dentista Horace Wells, amigo de Morton descobriu que o óxido nitroso, vulgo gás hilariante servia como analgésico. Depois de experiências, ele mesmo submeteu-se à inalação do gás. Não sentiu dor alguma e o duro foi conter as gargalhadas durante a extração de um dente. A euforia em divulgar e ganhar dinheiro com a descoberta durou até o dia em que usou menos gás do que deveria e o cara que estava de cobaia na demonstração urrou de dor na extração. Wells trocou a profissão de dentista pela fama de charlatão.

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Já William Thomas Green Morton, na maior pose, chegou sob holofotes na sala de cirurgia com um globo de vidro contendo uma esponja embebida em éter e umas válvulas de couro que garantiriam o fluxo unidirecional para os pulmões do paciente que seria operado de um tumor do pescoço. Assim que o cara dormiu, Morton olhou na maior moral para o cirurgião e disse: “Doutor seu paciente está pronto! E… estava mesmo, pois não manifestou durante o procedimento o menor sintoma de dor”.

Acabada a demonstração, o não modesto Morton, eufórico com o que acabava de demonstrar publicamente, virou-se para o auditório e disse: “Daqui a muitos séculos, os estudantes virão a este hospital para conhecer o local onde se demonstrou pela primeira vez, a mais gloriosa descoberta da ciência”. Obviamente de lá para cá a anestesia deu um salto qualitativo enorme. Mas a base para firmar a maravilhosa descoberta partiu das suas pesquisas.

Vivas a Sabin e a Fleming, e a todos os cientistas que focam seus estudos em parcelas específicas da população mundial. Convenhamos que graças ao passo inicial dado por Morton, a maioria de todos os habitantes do planeta Terra pode, quando necessário, dormir numa boa enquanto seu corpo está na sala de cirurgia.

Vale ou não vale um lugar de honra na história da Ciência à WILLIAM THOMAS GREEN MORTON?

 

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