O casamento na Roma Antiga

 

Na Roma antiga, era costume o noivo dar à noiva, no dia do casamento, como símbolo de amor, um fruto de marmelo! Colocavam também destes frutos ao pé das estátuas dos deuses.

A noiva era coberta pelo flammeum, que era um véu cor de fogo, que se usava nas bodas. Coroada de verbena e cingida pelo cinturão das virgens, a noiva era conduzida por pessoas da família e amigas ao recinto conjugal, onde se dava de comer a simbólica fruta e, imediatamente, os acompanhantes se retiravam, deixando-a na companhia do marido.

Foto: Divulgação

Em Roma, o matrimonio legal se contratava de maneiras diferentes, chamadas confarreatio ecoemptio. Os varões podiam casar-se desde a idade de quatorze anos e as mulheres de doze.

O matrimonio legal só o podiam contrair os cidadãos romanos; os desprovidos dessa qualidade necessitavam de permissão especial.

Não se efetuava o matrimônio senão depois de se haver consultado os auspícios e oferecido sacrifícios ao Céu e a Terra, aos primeiros esposos, à Minerva, sempre virgem e a Juno prónula.

Nestes sacrifícios só se imolava um bácoro, ao qual se tirava a pele. Não se realizava o matrimonio nem em dias nefastos nem durante a celebração de festas públicas, nem em dia nenhum do mês de… maio!

Só as viúvas contraindo novas núpcias podiam casar-se em dias de festa, de modo a que estas uniões, consideradas um tanto escandalosas, tivessem menos público.

Chegado o dia das bodas, era a noiva penteada, repartindo-lhe os cabelos em sete madeixas com a hasta connurbrialis; coroavam-na com uma verbena apanhada pela mesma desposada e calçavam-na com sapatos vermelhos.

Punha-lhe depois com um vestido branco e vaporoso, túnica recta, guarnecida por uma franja de púrpura adornada com desenhos e apertavam-lhe a cintura com um cinto de lã, preso com um nó, chamado nó virginal, ou de Hércules. Este nó devia ser desatado pelo noivo, na câmara nupcial.

A cabeça e o pescoço da nova desposada eram cobertos por um véu cor de açafrão, tom procurado, intencionalmente, para dissimular o rubor da donzela. A este véu chamava-se flammeum, por sua cor berrante, fazendo lembrar a chama (flamma).

À noite acompanhava-se a nova esposa ao domínio conjugal, num simulacro de rapto, arrancando-a violentamente dos braços de sua mãe ou tutora. Esta cerimônia memorava o rapto das sabinas.

Os parentes e amigos dos recém-casados acompanhavam o cortejo nupcial e durante o trajeto as pessoas jovens dirigiam à noiva zombarias e gracejos (sales et convicia). As portas da casa nupcial estavam ornadas com flores e folhagens e as salas adornadas com tapetes.

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Na hora em que a esposa estava para pisar o umbral da porta do seu novo lar, detinham-na para lhe perguntar quem era e o que procurava. A donzela respondia, dirigindo-se a seu esposo: Ubi tu Caius, ibi ego Caia (onde fores o dono, venho para ser dona).

O nome Caia ou Gaia fazia alusão a Caia Caecilia ou Tanaquil, mulher do velho Tarquínio, que deixara a recordação de suas virtudes domésticas e cujo fuso se conserva no templo de Sancus, divindade Sabina.

A esposa dependurava a porta de sua nova residência lã trançada e besuntada com gordura de lobo para afugentar os encantamentos e sortilégios.

Considerava-se de mau agouro que ao entrar na casa a esposa pisasse no umbral; para evitá-lo, era carregada nos braços pelo marido e colocada assim em seu novo domicílio.

Já na casa, fazia-se a entrega das chaves e punha-se aos pés, sem tosquiar, de um cordeiro. Ambos os esposos tocavam a seguir o fogo e a água, princípio da geração universal. O esposo oferecia um banquete aos seus parentes e amigos e aos de sua esposa.

O casamento em Roma era, portanto um ritual riquíssimo em simbolismos que explica muitos costumes hodiernos, que praticamos sem nos darmos conta da origem dos mesmos. “Nada se cria, tudo se transforma”, não só na natureza, mas também no comportamento humano!

 

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