Noma

 

Pela terceira vez consecutiva, o restaurante dinamarquês Noma, leva o “Oscar” da gastronomia dado pela British Restaurant Magazine, em super solene cerimônia de gala, em Londres neste ano de 2012.

Situado no charmoso cais do porto de Copenhague, ao lado de cafés e restaurantes badalados é surpreendente que o chef Rene Redzepi, jovem de 34 anos, tenha conseguido tornar a Dinamarca, país de poucas riquezas agro-pecuárias, em referência mundial da gastronomia.

Foto: Divulgação

Em seu restaurante, os queridinhos da culinária internacional foie-gras e azeite de oliva dentre outros, por exemplo, são elementos ausentes. Mas as algas, as vieiras, o tutano, o toucinho, certas flores e folhas locais são componentes obrigatórios. Diante da escassez de variedade o chef Redzepi valorizando ao máximo o que serve, chega ao preciosismo de usar cereais biodinâmicos- plantados e colhidos em fases apropriadas da lua.

Vem do próprio Rene o critério de avaliação do responsável pelos restaurantes concorrentes atualmente: “O chef moderno é confrontado com desafios e responsabilidades que vão muito além de prover sustento para uma refeição”.

Reinventar a comida nórdica sem dúvida é um tremendo desafio. Mas pessoalmente acho ter sido modesto em não ressaltar ser a arte da apresentação dos pratos e a feliz alquimia na junção dos elementos, fatores meritórios da sua premiação. Sem falar no tributo que presta aos seus ancestrais wikings, passados para a posteridade como bárbaros, mas tornados sábios por Redzepi.

A ausência de talheres nas entradas servidas promove a importância do contato direto da comida à boca. Super elegante da parte deste sensível jovem, a homenagem.

Que tal nos reunir on-line com os 40 privilegiados que depois de 3 mêses de espera conseguiram lugar em uma das doze mesas? A elegante decoração rústica passaria despercebida, não fosse a singeleza dos vasos de flores sobre as mesas sem toalhas e sem talheres, mas iluminadas com velas acesas, mesmo em dias ensolarados.

Foto: Divulgação

Do nada, surge o próprio Redzepi, acompanhado de um dos seus 25 auxiliares. Abrindo o espetáculo culinário, aproximam os vasos sobre a mesa que até então eram meramente decorativos dos felizardos e… good surprise!

As flores neles expostas, que entre nós assemelham-se aos capuchinos, abrigam em seus miolos scargots adormecidos em tapete de mostarda, maionese, alcaparras e enchovas.

Retirados os vasos, as ostras banhadas em água do mar sobre algas, assumem o espetáculo.

Saem as fábricas naturais de pérolas, e vieiras desidratadas viram chips para servirem de talher ao creme de agrião em molho de tinta de lula. Finda a homenagem aos wikings, talheres são magistralmente colocados, para os próximos eventos gastronômicos.

Foto: Divulgação

Maravilhosamente assados na manteiga de cabra, aipos são servidos sobre trufas negras. As pièces de resistance são um saboroso filet mignon quase cru, cortado na ponta da faca, coberto por condimentadas folhas de azedinha e um filet de cervo aparamentado sob pétalas feitas de beterraba e frutas vermelhas.

Como sobremesa, Redzepi transforma uma mera raspadinha num néctar dos deuses, pois se torna fiel escudeiro de um sorvete de mirtilo, servido com crótons de brioche e folhas de azedinha. Claro que a raspadinha é de algo inusitado, posto que de folhas de pinheiro.

Quem deve andar meio enciumado é o Christian Anderson, pois tem que dividir as honras dos seus contos infantis com este quase garoto, responsável pelo incrível NOMA.

E quem estiver programando uma experiência gastronômica deste porte, pode ir telefonando para 32963297 para agendar o dia em que vai ter que ir à Strangedade, 93 em Copenhague e mandar saludos dos amantes da vida do Brasil.

 

Comentário 1

  • Renata09/06/2012 em 12:06

    Simplesmente incrível Pena que não li este artigo quando estive lá!!

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