Nelson Rodrigues

Exposição celebra centenário de Nelson Rodrigues – peças do autor chegam a SP

No centenário de seu nascimento, comemorado em agosto, o escritor ressurge em depoimentos e vídeos.

Foto: Divulgação

 

“Toda mulher gosta de apanhar. O homem é que não gosta de bater.” A frase que causa repulsa e barulho é do polêmico dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980).

No centenário de seu nascimento, comemorado em agosto, o escritor ressurge em depoimentos, vídeos, fotos e palavras na mostra “Ocupação Nelson Rodrigues”, em cartaz desde quinta-feira (21) no térreo do Itaú Cultural (zona oeste de São Paulo).

Famoso por evocar questões mais íntimas do imaginário da humanidade, Nelson é apresentado na exposição de forma não didática e fora da ordem cronológica. Três temas compõem a exibição: família, jornal e teatro.

Foto: Divulgação

Com entrada grátis, a mostra busca fugir do estereótipo libertino do autor e da análise de suas obras. A ideia é que o espectador mergulhe no universo rodriguiano e entenda melhor aspectos de sua vida e formação, que levaram à concepção de seus trabalhos.

Nas próximas semanas, a cidade será tomada por outros eventos que celebram os cem anos do dramaturgo. Os amantes de teatro poderão conferir novas encenações das peças “Boca de Ouro”, com Marco Ricca no elenco, e “A Falecida”, com Maria Luisa Mendonça. Ambas têm direção de Marco Antônio Braz.

Uma programação especial no SESI promove, até o fim do ano, leituras dramáticas e debates que discutem o legado do jornalista. Participam nomes como a atriz Fernanda Montenegro e o cineasta Nelson Pereira dos Santos.

FAMÍLIA

Logo na entrada da mostra, uma grande fotografia de Recife, cidade onde Nelson nasceu, é coberta por um espelho d’água. A origem pernambucana surge para conduzir a obra dos Rodrigues.

À esquerda, 16 cadeiras, cada uma com um design, em torno de uma mesa de jantar, representam a família e a personalidade de cada membro. “Todos eram muito talentosos. Tinham vida própria”, comenta Maria Lúcia Rodrigues, filha do escritor e responsável por selecionar todo o conteúdo da exposição no Itaú Cultural.

Na mesa, tablets, com vídeos e fotos, traçam um panorama da vida artística e intelectual dos 14 irmãos e de seus pais. Outra atração são os textos redigidos por Nelson para dez dos seus irmãos.

JORNAL

“Muita gente conhece meu pai de uma maneira distorcida. Além de ser uma pessoa muito doce e pouco conciliadora, ele era um ‘outsider'”, diz Maria Lúcia Rodrigues.

Textos nas paredes, com textura de cortina de teatro, telões e escrivaninhas com tablets tentam reproduzir uma redação de jornal. Filho do jornalismo policial, Nelson é mostrado, por meio de fotografias e recortes de periódicos, como um pensador, que procura e se arrisca a ter uma opinião própria.

TEATRO

Embora ocupe um espaço pequeno, o tema baliza a cenografia da exposição, que lembra o cenário de uma peça. Portas giratórias com textos trazem frases de artistas e do próprio autor sobre suas obras.

Há ainda dois monitores com fones de ouvido com entrevistas de personalidades, como Fernanda Montenegro, Augusto Rodrigues e Ziembinski. Há ainda um depoimento de Clarice Lispector (1920-1977) ao dramaturgo.

Foto: Divulgação

 

 Fonte: guiafolha.com

 

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