“Não chores por mim Argentina”

 

A crise argentina não consegue apagar os rastros de glamour fincados em Buenos Aires. Nos tempos áureos em que o País ocupava importante papel na economia mundial, Paris foi a musa inspiradora para o layout da cidade. Grandes avenidas, enormes parques, monumentos imponentes e arquitetura majestosa, impuseram grandiosidade ao espaço dos portenhos.

A contemporaneidade instalou-se agora em Puerto Madero, a Buenos Aires do século XXI. O rio Tigre na nova era é ali circundado por prédios modernos, hotéis de primeira e simpáticos bistrôs com seus ombrelones na calçada, auferindo o charme europeu de sempre.

Foto: Divulgação

Ao dramático tango, uma releitura foi dada pela nova geração. Desvinculando-se das milongas, o tango eletrônico  passou a ser alegre, cheio de leveza e curtido nas “discos” também.

Claro que aos turistas de primeira viagem e aos saudosistas, os clássicos shows estão ali para satisfazê-los. Mas em Puerto Madero, casais de bailarinos com a incrível técnica dos mesmos passos, onde as pernas se trançam voluptuosamente, participam de um tremendo show hi-tech, cheio de efeitos de luz. Os olhares agressivos são trocados por semblantes maliciosos e marotos.

No antigo bairro de San Thelmo, um tesouro escondia-se sobre escombros de uma casa na calle Defensa, número 755. No exato local, em labirintos de túneis, objetos encontrados foram indicadores de que exatamente ali, ficou sepultada por séculos, a aldeia fundada por Pedro de Mendonza.

Foto: Divulgação

Após 20 anos de cuidadosos trabalhos de restauro, o espaço passou a ser o maior centro arqueológico de Buenos Aires. Como esta preciosidade permanece nas mãos de um particular, não cabe a nós indagar. Resta-nos apenas divulgar este novo antiquérrimo lugar, que transformou as raízes da capital portenha em um museu e numa extraordinária casa de eventos.

Grupos previamente agendados são recepcionados pelos proprietários. Para se chegar ao grande salão circundado por mezaninos, faz-se necessário um passeio pelos longos corredores, onde férrea iluminação sombreia as paredes de tijolo aparente.

Enquanto o semblante de antiguidade é apreciado, súbita e dramaticamente faz-se a escuridão e durante segundos, brilhantes holofotes acompanham os movimentos de um casal de bailarinos de tango, surgidos do nada.

Refeitos da surpresa, as pessoas continuam o trajeto até ao ponto em que o casal de proprietários aguarda os merecidos aplausos. Dali, ao grande salão onde uma mini-orquestra acompanha músicos líricos em composições populares. Do mezanino, novos holofotes acompanham excelentes pares de dançarinos que com leveza e graça introduzem os presentes no divertido “baile” comunitário.

Mesmo diante da crise, surgiu acidentalmente o espaço El Zanjon, levando aos portenhos motivos para a Argentina não chorar.

Foto: Divulgação

 

 

Comentário 1

  • haydee Zambotti22/11/2012 em 22:41

    Descrição perfeita de Buenos Aires de hj, meus parabéns!!

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