Mulheres e o Tempo

 

Ter 60 anos é estar disposta a viver intensamente a década que se abre e na medida do possível, época de transformar sonhos em realidade. 

Ter 60 anos é ter respeito pelos espelhos, porque eles não mentem. É tempo para reconhecer quem são seus verdadeiros amigos, para saber dizer não, quando for necessário. 

Tempo de conversar com seu corpo, satisfazer os caprichos da sua digestão, os ritmos de seu coração, a capacidade das suas articulações quando o tempo está úmido. 

Ter 60 anos é dar risada de todas as receitas de emagrecimento que saem nas revistas, pois já sabe que sua dieta é a vida. É conversar com a sua solidão, para nunca se sentir só. 

Ter 60 anos é não pedir autorização para ninguém se quiser ir ao cinema às 15h da tarde ou entrar no computador às 3h da manhã. 

Ter 60 anos é ter duas vezes 30, ou seja – muita juventude acumulada. É aprender a rir dos discursos de uma sociedade baseada numa lógica de mercado que exige só produtividade e consumo. 

Hoje as mulheres de 50, 60, 70 são muitas vezes surpreendentes. Estamos criando novas imagens a partir da identidade feminina. 

Acho que para os homens seja mais difícil trabalhar as questões da andropausa do que nós trabalharmos a menopausa. Para eles é mais difícil envelhecer, pois se fossilizaram, enquanto nós evoluímos como nunca nas últimas décadas. As mulheres de hoje são o verdadeiro motor da mudança e os homens não – A mulher redefiniu a sua existência. 

As mulheres estão abrindo todas as portas e inaugurando uma velhice cheia de possibilidades impensáveis há apenas cinco décadas atrás. 

Como filha simbólica de Simone Beauvoir, o fim da mestruação é um alívio, o início de um novo ciclo  produtivo e fase de crescimento intelectual. A menopausa deve ser vista como um privilégio, uma nova possibilidade de prazer. 

Os médicos deveriam dizer às estas mulheres modernas que façam amor sem se preocuparem com calendário, com pílulas e que podem amar sem culpa. 

A mulher deve se  cuidar, fazer os ajustes normais para poder conhecer seu novo corpo e as possibilidades que se abrem com a idade. Mas para isto é preciso ter tido oportunidade de refletir sobre muitos eventos de sua vida. Deve encontrar um ginecologista inteligente que não se limite ao discurso de médico.    

Deve ter podido conversar com outras mulheres, aprender o impacto da cultura sobre a nossa sobre vivencia. 

Para a mulher que vivenciou o feminismo como nós, os 50, 60 e os 70 anos é um privilégio.

Foto: Divulgação

 

Fonte:www.isalud.org

Parte da palestra ministrada por Mirta Nuñes

 

 

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