Mestre do pânico

 

Ele era um menininho de cinco anos, quando entrou sozinho na delegacia, a mando de seu pai e entregou ao policial um bilhete manuscrito que lhe fora confiado  por ele para ser entregue àquela pessoa. “Isto é o que fazemos com meninos que não se comportam bem” – avisou-lhe a autoridade, fechando ruidosamente a porta de uma cela vazia, deixando o garoto trancafiado. Foram poucos minutos – a criança não fazia a menor ideia do porquê da punição. Teria cometido um crime? Feito seu pais zangar-se? Ou seria uma brincadeira de mau gosto? Ficar preso aterrorizou o menino.

Pelo resto da vida, ficou sem saber o motivo do ocorrido mas o fato marcou-o para sempre. Tinha medo de guardas – evitava dirigir temendo quebrar alguma regra e achar-se em apuros de novo. Ficou obcecado com a inocência das pessoas que eventualmente se prejudicassem inconscientemente.

Quando jovem, em Londres, frequentou uma escola católica de princípios muito rígidos. Quem infringia o código de comportamento era punido mas podia optar se recebia de pronto o castigo, se preferia postergá-lo para a pausa do almoço ou ainda, para o final do dia. A grande maioria empurrava sempre para mais tarde a punição – com isso, a expectativa do desfecho inevitável tornava-se muito pior que o próprio fato em si. O suspense era terrível! O garoto via-se, mais uma vez, às voltas com angústias e pressões psicológicas.

O pai morreu quando ele tinha meros quatorze anos. Saiu do colégio e começou a trabalhar numa empresa de construção civil mas não foi adiante. Seu coração preocupava-se com outros assuntos. Estava obsecado pelo medo, suspense e pelo desconhecido que aterrorizavam a mente humana.  Começou a criar histórias com esta temática.

O menininho apavorado, já adulto, que ficara detido numa cadeia londrina, tornou-se o mais conhecido diretor de filmes de suspense do mundo. Fez mais de cinquenta séries para TV e episódios para as telas de cinema e fazia suar frio e gelar a espinha dos espectadores. Era o mestre do pânico: Alfred Hitchcock!

Foto: Divulgação

Adicionar comentário