Meninas, vamos correr?

Parte IV

por Maria Eugenia Cerqueira

Como tudo na vida, prevenir é melhor do que remediar. Vivemos num país em que,  queiramos ou não, temos que conviver com a violência urbana. Assim sendo, na prática do nosso esporte, convém tomarmos algumas precauções.

Há muito que evito participar de corridas noturnas, apesar de achá-las divertidas. Não é preciso acordar cedo e no verão o clima é mais agradável à noite, mas o quesito “segurança” fica prejudicado. A menos que haja um grupo que vá e volte de carro junto, é arriscado, ao término da prova, ir até o estacionamento e entrar no veículo sozinha. Isto se ele não tiver sido roubado…

Ainda assim, as empresas continuam incentivando a prática de corridas noturnas e o número de participantes é significativo. Se você tiver interesse, procure tomar algumas medidas de prevenção. Ao inscrever-se, informe-se sobre a disponibilidade de estacionamentos próximos ao local da largada e chegada.  Com o crescimento da frota de veículos nas cidades, os roubos e outras ocorrências ligadas à segurança têm aumentado consideravelmente. Todo cuidado é pouco. Parar em via pública à noite não convém. Os meliantes sabem que os corredores vão levar algum tempo até retornarem, dando-lhes tempo de agir com bastante calma e frieza. Danos ao patrimônio são péssimos mas superáveis. Devemos no entanto lembrar que, em média, a cada 12 minutos, nos quatro primeiros meses de 2019, uma pessoa foi assassinada no país, de acordo com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O seguro morreu de velho.

Indo além, o calçamento das cidades deixa muito a desejar e a possibilidade de queda aumenta exponencialmente.  Mesmo correndo em locais iluminados ou se o corredor estiver portando lanterna para testa, as sombras podem escamotear buracos e desníveis que potencializam riscos. Conversei com diversos amigos que correm e a grande maioria levantou este problema nos eventos noturnos. Uma simples torção e as corridas terão que ser suspensas por meses a fio, isto sem contar a necessidade de fisioterapias e despesas médicas.

Os promotores dos eventos, tanto noturnos quanto diurnos, se sérios, solicitam o acompanhamento de autoridades policiais, mantém equipes médicas para casos de emergência e contratam seguros para resguardar os atletas contra possíveis acidentes. Ainda assim, não conseguem cobrir todas as ocorrências. 

Outras dicas são boas, com relação a corridas noturnas. Procure descansar fisicamente durante o dia. Ainda que tenha que trabalhar, movimente-se menos para que o cansaço não interfira na sua performance.  Faça um lanche no meio da tarde. Frutas e alimentos com carboidratos são uma boa opção. Evite ingerir alimentos integrais, frutas laxativas como mamão, laranja, ameixa e tangerina. Alimentos gordurosos, fritos e gratinados também não são aconselháveis. Repolho, couve-flor, pimentão e brócolis provocam gases. Privilegie batatas, aipim, inhame, legumes cozidos, torradas, bolos simples. Hidrate-se bem e, se possível, reponha eletrólitos com alguma bebida esportiva que contenha sódio e potássio quinze minutos antes de começar a correr.

Aguardando o sinal de largada, principalmente se estiver frio, dê um capricho no aquecimento. Prepare seus músculos. Alongue-se ou dê um pequeno trote de dez minutos, enquanto aguarda o sinal de partida.

Leve uma camiseta seca e um abrigo, para troca, e proteja-se depois da corrida. Não convém ficar muito tempo com a roupa suada pois o suor esfria e a diferença térmica pode diminuir sua resistência a gripes e resfriados.

Após a prova, hidrate-se e faça uma refeição com proteínas e carboidratos.

O mais importante de tudo: divirta-se! É para isto que praticamos esporte – para melhorar o corpo e principalmente a cabeça.

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