‘Meninas do Brasil’

Pateo do Collegio recebe Exposição ‘Meninas do Brasil’

Pinturas retratam a história da vida real de 15 mulheres de diferentes gerações.

Uma equipe de filmagem gravará depoimentos durante a exposição que poderão virar novas telas e farão parte de um documentário 

Após ser muito bem recebida pelos paulistanos no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, a exposição “Meninas do Brasil”, do artista plástico jesuíta Geraldo Lacerdine, segue para um novo endereço: no Centro Histórico da cidade. A partir de 13 de novembro, o Pateo do Collegio recebe as telas que retratam a trajetória de 15 mulheres brasileiras, de diferentes gerações. Lacerdine teve o dom de transformar narrativas destas personagens obras de arte.

Foto: Divulgação

O trabalho é resultado de uma pesquisa de oitos anos sobre cultura brasileira, que teve como foco central a mulher como expressão cultural. “São histórias tristes e profundas. Apesar do sofrimento, eu queria destacar a dignidade de cada uma delas e a maneira foi dar cores a estas histórias”, explica o artista. O objetivo da exposição foi dar voz a mulheres anônimas, que muitas vezes são silenciadas pela exclusão social por serem desprezadas, abandonadas, pobres ou negras e foi com cores vibrantes e fortes que Lacerdine resolveu homenagear estas personagens.

Foto: Divulgação

Entre as histórias estão as de Elizete, a primeira da série, do interior de São Paulo, abandonada pelo marido que teve de cuidar de cinco filhos sozinha; Dandara, uma sem-teto de Belo Horizonte (MG); Tereza, de 78 anos, que vive em uma solidão profunda após ser esquecida pelos filhos; Alice de 13 anos grávida do próprio pai; e de Judite, 50 anos, que espera por um homem que conheceu quando moça.

São telas de acrílica sobre compensado, que reproduzem quase em tamanho original das personagens, mede cerca de 1,30m x 1,80m. Ao lado de cada obra, há um descritivo da história da mulher retratada na pintura – com alguns fragmentos de depoimentos. Em meio à exposição haverá uma cabine onde será possível escutar a voz das próprias mulheres junto às imagens das obras. “O processo de identificação com as narrativas das telas é imediato. Muitas mulheres se não se identificam com as histórias, conhecem alguém que passou por isto”, afirma Lacerdine, diretor de comunicação da Companhia de Jesus (Província Brasil Centro-Leste).

Novas histórias podem virar uma pintura – Junto à exposição ‘Meninas do Brasil’ estará uma equipe de filmagem para gravar novas histórias. Mulheres interessadas em contar sua vida terão lugar cativo. As histórias mais interessantes se transformarão em pinturas e estarão em um documentário que será produzido pela Companhia de Jesus. As gravações acontecerão no dia 25 de novembro, das 11 às 16 horas.

Aos 35 anoso mineiro Geraldo Lacerdine é da ordem dos jesuítas (Companhia de Jesus). Formado em comunicação, filosofia e teologia, abraçou a pintura como modo de expressão aos sete anos de idade.

Algumas das obras que compõem a exposição: 

Foto: Divulgação

 

Judite – “Quando eu era menina moça conheci o homem mais formoso que qualquer mulher pode conhecer na vida. Falava manso, gostava de cantar e assubiá… Quando bati o olho nele, percebi que ele seria o pai dos meus filhos. Eu era tão doida por ele, mas tão doida, que nunca tive coragem de me declarar com medo de ele me dizer não e eu perder tudo, até a oportunidade de só olhar pra ele de vez enquanto. Hoje tenho 50 anos, nunca tive homem nenhum, só tenho a esperança de que um dia ele virá dizer que me ama.”

Alice – “Não gosto de falar de mim, me acho feia, de cabelo duro… Eu queria ter o cabelo liso, tenho certeza que as pessoas gostariam mais de mim! Tenho 13 anos e já estou embuchada… Também não gosto de falar disso… Foi meu pai quem teve a culpa.”

Foto: Divulgação

Elizete – “O pior dia da minha vida foi quando o ordinário do Manuel me abandonou de resguardo no quinto menino… Eu tinha saído do banheiro, quando vi o bilhete depositado em cima da cama… Li e percebi o transtorno do meu desespero… O que eu vou fazer da minha vida? Eu não tenho ninguém por mim e tenho cinco meninos pequenos… Sem rumo, sentei na janela e chorei meu desespero de não ter ninguém por mim…”

Odete – “Eu gosto de gera menino, é a coisa mais boa desse mundo… Senti o bichinho chutano na barriga da gente! Sabe que eu me sinto meio Deus, criano a vida dentro de mim?”

Tereza – “Sinto muita falta dos meus fios. Quando a gente fica velha, o povo some tudo! Eu moro sozinha, fico sozinha, como sozinha, durmo sozinha… das poucas alegrias que tenho é quando os menino liga e diz que vai chegar no final de semana… Aí eu espero, espero e ninguém vem.”

Foto: Divulgação

 

Virgem das Dores – “Sinto que ela se parece com nóis, que sofre a dor do desespero quando temos pouco pra darprós nossos filhos… que agoniza sentada do nosso lado nas pernoites frias nos hospitais públicos… Quando perdi a Camila, minha menina do meio com meningite, ajoelhei no meio do corredor do hospital, fechei os olhos e senti a Mãe me olhando com o coração aberto de dor…era o meu coração que estava daquele jeito e ela me entendia…imaginei que colocava a mão no coração dela e…não sei explicar mas o meu ficava em paz..”

 

Serviço:

O que: Exposição “Meninas do Brasil”

Quando: De 12/11 à 20/12, de terça-feira à domingo, das 10h às 16h

Onde: Pateo do Collegio  (Praça Pateo do Collegio, 2, Centro)

 

Comentário 1

  • Elisete Toledo12/11/2012 em 19:44

    muito interessante a exposição e os critérios do artista.

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