Marta H. Jakoby

 

Do barro ao mármore, elementos transformam-se em arte nas suas mãos.
Movida pela paixão, foca-se agora na glamorosa “Paintpic” mix de retratos e pinturas com tintas e pigmentos naturais. Certamente seu trabalho atual engrossará sua enorme coleção de exposições pelo mundo e de medalhas comprobatórias de seu enorme talento.

Entrevista  com MARTA HIRSZBERG JAKOBY 

AV – Com desenvoltura você se movimenta por vários elementos, dando asas à sua criatividade. Existe algum que seja seu preferido?

Marta – Todos os materiais são fonte de grande inspiração, mas o osso sempre teve seu primeiro lugar em minha vida, transformar mortalha em obra de arte e algo forte e que me move.

AV – Pelo histórico do material, você sabia que o osso foi a primeira manifestação artística do homem?

Marta – Ele matava o animal a pauladas e com uma pedra cortava sua carne com batidas, e observou que a pedra deixava sinais nos ossos. Como o homem sempre gostou de contar sua história começou a gravá-la com pedra nos ossos. As presas do mamute e os chifres do alce, por serem imensos, deram o nome “Arte do Rena”  à esta gravação. Tudo o que sabemos da vida do homem das cavernas devemos a ela, (a caverna de Altamira é prova viva disso).

Ao iniciar meu trabalho em osso, me encantava saber que ele nunca desapareceria da face da terra, e eu muito jovem, achava essa imortalidade uma maravilha (um sentimento de quem ainda não amadureceu). Esse mesmo motivo, me iniciou no trabalho com mármores e granitos de grana altíssima…para que nunca se quebrassem e se mutilassem com o tempo, como acontecia com as maravilhas italianas sem braços, cabeças ou pernas que as pessoas ainda admiram tanto.

AV – Sua passagem pela moda foi rápida, mas significativa. Quais os prêmios que foram auferidos por ela?

Marta – Minha passagem pela moda nem foi tão rápida, pois me era muito necessária financeiramente. A moda sustentou meu atelier por alguns bons anos, mas nunca pretendi fazer carreira. Fazia um trabalho que me desse lucro considerável para investir em mármores e ferramentas, apesar de ter sido muito bem sucedida na moda onde criei e trabalhei para marcas famosas, até que a arte estivesse madura e como escultora pudesse me sustentar.

Mesmo assim ganhei glórias com design, não só de moda como de jóias, e o prêmio que mais gostei foi participar como represente do Brasil na Primeira Semana de Arte em Cuba, nela acontecia a Primeira Bienal, o Primeiro Cuba Moda, o Primeiro Festival de Música, e o Primeiro Festival de Cinema, onde encontrei colegas e amigos do mundo todo. Cuba naquela época já vivia fora do nosso tempo e realidade. Então fui convidada para assumir um projeto de moda e arte na Espanha, e para a surpresa da Europa fomos os vencedores do prêmio concedido pelo Fundo de Bienes Culturales. Esse assunto é enorme… então paramos por aqui.

AV – O interesse pelo conhecimento de técnicas de diferentes elementos a levam a pesquisar na fonte. Qual foi o mais gratificante?

Marta – O mais gratificante foi o vidro e sua entrada em minha vida, deu-se quando eu já tinha completado 35 anos de vida artística. Bater em pedra precisava de muita força e entalhar ossos de bons olhos. A energia corporal e a boa visão estavam dando gritos de alerta,  e já trabalhava com dificuldade e dores. Ainda assim prosseguia, pois era neles que sentia que transformava sonhos em obras de arte. Mas havia amadurecido, e não me importava mais com a eternidade dessas matérias, pelo contrário, estava encantada e convencida que a verdade só sobrevivia nas fragilidades e transparências. Assim me dediquei ao estudo do vidro, nele encontrando a minha realidade artística daquele momento e foi mágico.

AV – O que compunha a linha utilitária que você desenvolveu no Canadá?

Marta – Foi desenvolvida aqui no Brasil e exportada para o mundo todo, Miss Mel, em homenagem a minha filha e sócia Melissa, mesas, bandejas, pratos, porta revistas, porta retratos, chaveiros, vasos, uma infinidade de itens em vidro e alumínios exclusivos e pintados a mão.

AV – Em sua intensa vida envolvida em maravilhosos trabalhos e inúmeras viagens, há espaço para o lazer?

Marta – Sempre houve espaço para o lazer e para minhas filhas. Viver sem lazer é muito sem graça. Adoro viajar, namorar, curtir um jogo de cartas, cinema com pipoca e coca-cola, teatro, shows, um bom livro, a boa mesa, papinho com os amigos, enfim, tudo que nos faz muito mais vivos e mais alegres.

AV – Das suas 13 premiações já conquistadas, tem alguma mais significativa?

Marta – Representar o Brasil nos 40 anos do MASP, a comemoração dos 90 anos e a despedida do Professor Bardi como diretor do Museu, tendo Leonardo da Vinci como partner e representante das Artes Internacionais, com extensão a exposição de abertura da Maison de Lámerique Latine em Montecarlo foi uma honra enorme…

AV – Sua inquietude e sua experiência com certeza a levam a constantes buscas no seu habitat- a arte. No momento, onde está ela canalizada, existem projetos em execução e à vista, e a informática foi incorporada de alguma maneira na sua vida artística?

Marta – A internet se apoderou de mim de forma encantadora. Fiquei apaixonada por suas possibilidades de criação. Desenvolvi juntamente com o computador, uma nova técnica em pintura, “paintpic” (nome que dei aos retratos e pinturas elaborados em um mix de impressão em alta qualidade artística, executada com pigmentos vivera, em kanvas de puro algodão “canson artist made”, e pintura feita à mão com tintas e pigmentos naturais a base de água. O chachiz executado em madeira ecologicamente correta, proporciona a qualidade e a durabilidade da obra, preenchendo assim os requisitos da “exigência museu” -garantia de mais de cem anos.

Este é meu trabalho artístico atual pois, com quase 65 anos, a falta daquele bom e velho vigor muscular, me contou que era hora de deixá-lo ir, para que eu me enamorasse da pintura.

AV – Já que resolveram por lei que aos 60 aninhos já somos consideradas idosas, como esta indo você nesta fase de envelhescência?

Marta – Sinto-me numa fase realmente deliciosa da minha vida, nem sinto que envelheci, afinal, você tem exatamente a idade que se lembra que tem. Sinto que sou alguém muito mais despreocupada, desencanada e feliz. Mesmo sabendo que estou me tornando uma mulher clássica – madura, que se ama e se admira muito. Quem está ao meu lado sabe disso, adoro meus amigos e familiares. Hoje adoro ainda mais os que me deixaram, pois com isso fizeram minha vida muito mais fantástica… não sei por que demorei tanto pra perceber. Sou sim one in a lifetime tipe of woman.

AV – Que sugestão daria a uma pessoa madura, para encantar-se com os “anos prateados” que tem pela frente?

Marta – Quando Deus resolveu que ia esconder do homem a felicidade, para que ele a desejasse muito, fez muito bem em escondê-la dentro dele, pois na maturidade, resolvemos buscá-la dentro de nós, e não é que a danada está mesmo dentro de nós!

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
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Comentários 3

  • MARI04/05/2012 em 23:43

    NOSSA, SOU FELIZ POR FAZER PARTE DOS AMIGOS DA MARTA. MULHER DE EXTREMO VALOR EM TODOS OS SENTIDOS. OBRIGADA POR ME ILUMINAR COM SUA AMIZADE E DELEITAR MEUS SENTIDOS COM SUA ARTE…BEIJOS COM CARINHO E SAUDADE

  • ferran04/05/2012 em 11:27

    Interessante o artigo.Mas o que vejo que estas cada dia mais jovial e principalmete muito bela(rsrsrsrs) Bom isso não tenho duvidas
    Ferran

  • MANOEL LOURENÇO FILHO03/05/2012 em 16:20

    SOU SUSPEITO. TENHO AMOR PLATÔNICO POR ELA…OU SERÁ…AFINAL NÃO SEI.O QUE SERÁ, QUE SERÁ..?
    ELA É A MARTÍSSIMA, QUE MERECE TODOS OS POEMAS

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