Marilene Hannud

 

Marilene Hannud atua como consultora de moda criando e desenvolvendo coleções para confecções de moda feminina, desde a escolha de cores, tecidos, tendências até a concepção do catálogo ou desfile da marca.

 

AV – Como você define estilo?

MH – Estilo é o modo, o jeito que cada pessoa – homem ou mulher – tem de se vestir, baseado no seu jeito de pensar, de ser e de viver. O estilo é único, pelo menos, deve ser, uma vez que está ligado à individualidade, ao gosto de cada um. Mesmo não tendo nada a ver com os últimos lançamentos, cada pessoa assimila da moda que está na moda os elementos para compor o seu estilo.

AV – Você é conhecida por vestir não só o corpo, mas a alma da mulher. De que maneira você consegue captar o desejo maior de uma nova cliente?

MH – Cada mulher é única. Durante os anos que mantive meu atelier de prêt-à-porter e alta costura, pude conviver com esta idéia que eu considero mágica. A roupa nada mais é do que uma segunda pele e deve refletir não apenas o estilo ou o gosto, mas a alma de cada mulher. Acho fantástico quando uma mulher se emociona quando se olha no espelho. Este é o maior elogio que um criador de moda pode receber.

AV – Como você vê a insistência da mulher madura em continuar submissa à tirania da juventude?

MH – Cada idade tem o seu encanto, a sua beleza, a sua sensualidade. E, como tal, deve ser aproveitada ao máximo. Mas o tempo passa, não adianta tentar segurá-lo… Felizmente, de um tempo para cá, a moda está muito mais ampla, exatamente porque as mulheres também estão mais joviais. No entanto, existem certos modelos indicados unicamente para as jovens. As mulheres, que tentam se encaixar nessas roupas, com certeza erram na produção. Algumas exageram, beiram o ridículo, pra quê? Podem ostentar sua beleza em outras roupas… A moda não é tirana. Cabe a cada mulher jamais aceitar qualquer tipo de tirania dos modismos que surgem a cada estação ou da juventude. A moda é muito democrática!

AV – Existem países em que a mulher madura expõe com graça e elegância as marcas do tempo?

MH – Por incrível que pareça, a mulher européia acata a idade com muita facilidade. Em Paris, por exemplo, ainda capital da moda mundial, as mulheres não se preocupam com o tempo que passa… Elas se vestem bem, mantém a silhueta bem cuidada graças à alimentação e parecem felizes ao assumir sua verdadeira idade. Isso é um fator cultural. A Europa é o Velho Continente e as pessoas valem pelo que são não pelo que aparentam…

AV – Você é convidada com frequência para fazer palestras. Qual seu tema preferido?

MH – Todos os temas são interessantes. Mas acho muito gratificante quando tenho um público com mulheres mais velhas, da faixa acima dos 50, que se entusiasmam diante da possibilidade de mudanças no seu guarda-roupa. Dá para notar o brilho nos olhos de muitas delas. Outro assunto interessante é quando abordo as combinações de peças. As mulheres se lembram de tudo o que têm no armário e não vêm a hora de correr para casa para mexer nisso…

AV – Você criou um projeto social interessante, o ‘Faça você mesma’. Ainda se dedica a ele?

MH – Este projeto é muito importante e tenho a maior alegria quando tenho a oportunidade de colocá-lo em prática. Ainda este ano, penso falar com Lu Alckmin, que admira trabalhos sociais com bons resultados. Ou espero o ano que vem para propor à nova primeira dama do município… O fato é que este projeto dirigido a jovens carentes oferece aulas variadas – de corte e costura, maquiagem, cabelos e higiene, passando por confecção de bijuterias e etiqueta – proporcionando acima de tudo segurança e elevação de auto-estima.

AV – Atualmente pode-se dizer que a globalização atingiu também a elegância das mulheres ou há alguma nacionalidade que ainda se destaca?

MH – A globalização atinge todos os pontos, todos os campos, todas as áreas. No entanto, a elegância não tem nacionalidade hoje em dia, exatamente graças à globalização. Em Dubai, Arábia Saudita, em alguns países da África, no Oriente ou no Ocidente, existem mulheres com grande poder aquisitivo ou com maridos ricos. São mulheres antenadas, bem informadas, que viajam e encontram nas suas cidades ou nas capitais próximas um mercado de moda atualíssimo, além das grandes marcas internacionais. Elas estão por toda parte.

AV – Você consegue achar tempo para atividades de lazer?

MH – É importante dedicar um tempo para cinema, teatro, restaurantes, um momento delicioso para dançar – eu adoro! – encontrar os amigos, visitar os filhos, ler, receber os amigos, se divertir. Fora as horas dedicadas às atividades físicas – ginástica, massagem, acupuntura, yoga, dança e tudo o mais que se escolhe para andar na linha…

AV – E as atividades físicas a quantas andam?

MH – Sempre me cuidei, desde mocinha, e acabei me acostumando. Faço ginástica, tenho aula de dança e não dispenso caminhadas. Nada em exagero, mas ao menos 1 hora, de segunda a sexta. Não existe milagre. Você pode até comer menos, mas se não fizer uma atividade física não conseguirá emagrecer, nem manter a forma.

AV – Com o aumento da expectativa de vida, surge um novo mercado consumidor. Que sugestão você daria para atingir as necessidades deste novo nicho?

MH – Em todas as áreas estão surgindo produtos que facilitem a vida das pessoas que estão ampliando suas vidas. Desde comestíveis até objetos de casa, passando por acessórios e serviços. Acho que os mais interessantes são exatamente os serviços. Empresas que levam grupos de pessoas ao teatro, para jantar, para dançar. E até para viajar para longe ou para perto, finais de semana… Acaba de ser lançada uma revista de turismo para a Terceira Idade chamada Melhor Viagem. Não é o máximo?

 


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