Maria Silvia Righetto

 

No dia 23 de maio de 1955, nasceu uma menina que iria fazer uma grande diferença, quando adulta, para todos os animais abandonados cujos destinos cruzassem com o dela. A mãe, genuinamente brasileira e o pai de família de origem italiana, trouxeram ao mundo mais duas meninas – ficou sendo “o bendito entre as mulheres”, o que não deve ter sido nada mal. 

Quando pequena, sonhava em ser médica mas a vida fez com que estudasse matemática. Casada há quase quatro décadas, tem uma filha e um casal de netos cujos nascimentos foram os momentos mais marcantes da vida de Maria Silvia Righetto, quando chorou o quanto pôde, de pura felicidade. 

Em 1992, uma cadelinha de rua prenhe, abandonada e faminta, foi adotada pela família e batizada com o nome de Meme. Foi dessa adoção para frente que começou a missão de vida de Silvia. Seus familiares encararam com naturalidade e amor essa tarefa pois também sempre foram apaixonados por bichos. Claro: “quem sai aos seus, não degenera”. 

Aos poucos, o que vinha sendo feito informalmente, em agosto de 2006, tomou tal vulto que se transformou em uma organização não governamental, com instalações em Santana do Parnaíba, no bairro da Fazendinha, onde são abrigados cerca de cento e cinquenta cães, em regime rotativo, ou seja, novos resgates pendentes de adoção dos animais já alojados. 

Ao chegarem, essas vítimas do destino e do descaso humano recebem cuidados veterinários, sendo vacinados, vermifugados e castrados. Para tanto, Maria Silvia conseguiu a colaboração imprescindível de vários  voluntários que abraçaram igualmente a causa da defesa dos abandonados. Os bichos, ao invés de enfrentarem morte prematura, maus tratos, fome e enfermidades passam a ser tratados com amor, carinho e olhados com compaixão. 

Foto: Divulgação

 

Tive o privilégio de conhecer o Aubrigo – esse, o nome da organização. Ninguém tinha sido prevenido sobre minha visita. Fui até a casa da Silvia e de lá partimos. O local é muito amplo, com acomodações para grupos de cães, com grandes solários e áreas cobertas, escritório e local para atendimento veterinário. Passado o portão, ao pressentirem a presença dela, todos a saudavam na maior alegria, rabos abanando, uma sinfonia de latidos comemorando a chegada querida. Impressionante: nenhuma sujeira, nenhum mau cheiro. Enquanto circulávamos, ela descrevia minuciosamente a história de vida de cada um dos seus hóspedes e suas expectativas. 

Alguns, explicava, iriam ficar no Aubrigo até o fim de suas vidas pois tinham problemas insolúveis que dificilmente os tornariam aptos à adoção. A perspectiva de outros era diversa: eram jovens e bonitos, características atrativas. Mais tarde, consegui um dono para um deles, um boxer muito lindo e atlético do qual tenho notícias constantes e que está para lá de bem tratado. Quando Silvia consegue resgatar um animal e dar um lar para ele, está cumprida sua missão. 

Muita gente passa indiferente ao sofrimento dos animais famintos e lazarentos que foram abandonados à própria sorte nas ruas, pela impiedade de humana. Às vezes, apesar da vontade de participar, ignoram como fazê-lo, tolhidas pelas circunstâncias da vida. O trabalho, as obrigações do dia a dia, a falta de espaço e de tempo, a luta diária pela própria sobrevivência acabam induzindo as pessoas a imaginarem que está fora do alcance individual qualquer possibilidade de ajuda neste sentido. 

Foto: Divulgação

 

Que tal ajudar essa empresária do bem? Remédios, tapetes, jornais, roupas usadas em bom estado que possam ser vendidas, objetos de decoração e muito mais são “transformados” em dinheiro para o sustento desses antigos parias. Ninguém é tão pobre que não tenha algo para dar… Quem sabe possa até dedicar algum tempo como voluntário nas atividades do canil ou ainda na divulgação das necessidades da instituição? Todo esforço é válido e aceito do fundo do  coração – entre em contato através do site aubrigo.org.br. 

De uma forma ou de outra, Maria Silvia virou “médica”, já que cura os males provocados pela inconsequência e crueldade para com os animais. Perguntada sobre qual profissão jamais professaria, respondeu que seria “trabalhar com pesquisa usando cobaias” – resposta quase previsível, diante do exemplo de sua vida. O que mais a entristece: quando não consegue ajudar um animal necessitado. 

Entre amigos e conhecidos, busca sinceridade e honestidade, qualidades julgadas imprescindíveis pela entrevistada. De hábitos simples, privilegia a dupla arroz com feijão, legumes, ovos e queijos. Como protetora da vida, as carnes são deixadas de lado. O café da manhã é um momento especial, de acordo com Silvia pois é no acordar que “determinamos o nosso dia”. 

Quando o cansaço bate e não é para menos, diante dos desafios impostos pelos seus abrigados e todas as demais atividades, senta à beira da piscina de casa e deixa-se ficar, admirando suas plantas, seus gatos – há inúmeros deles traquinando, soltos – e, ao cair da noite conversa com as estrelas. 

Costura, borda, pinta quadros e peças para a ONG – o Aubrigo é todo decorado com motivos criados pela Silvia, tornando o local aconchegante e alegre. O tempo ajudando,  vai para a praia com a família. Quando a pessoa faz o que gosta, sente-se realizada e feliz – isto é o que ocorre com Maria Silvia. 

Percalços sempre há mas os desafios tornam a existência mais atraente. A única coisa que realmente desestrutura a entrevistada é ver a maldade humana. O Livro dos Espíritos e o Evangelho segundo o Espiritismo foram leituras marcantes em sua vida, tornando-a a mulher que é, digna da admiração de todos. Aprendeu a reconhecer seus próprios erros e a perdoar – às vezes leva tempo mas tudo acaba em esquecimento. 

Um esporte que gostaria de ter praticado, se fosse possível? “Dirigir um carro da formula Indy” – vejam só como as pessoas são surpreendentes em seus sonhos mais loucos! Isso, tratando-se de uma pessoa tranquila, que nem mesmo se lembra de ter comprado nada por compulsão, de que tivesse se arrependido! 

Pedi-lhe que se definisse em cinco palavras, ao que respondeu: “Uma pessoa que sabe ouvir”. Realmente, Maria Silvia ouve o apelo dos que sofrem, a voz dos oprimidos, sons que os ouvidos indiferentes não alcançam nem percebem. 

O portal Amantes da Vida sente-se privilegiado em entrevistar Maria Silvia Righetto, uma pessoa que realmente faz uma diferença, no mundo em que vivemos. Esperamos que possa sempre levar adiante seus projetos humanitários. 

 

Comentários 4

  • MARIA LUCIA MOURÃO17/08/2013 em 20:17

    Fiquei emocionada com a história de vida da Silvia! Que surjam sempre muitas “Silvias” salvadoras, por toda a parte, para minorar o sofrimento dos animais. Parabéns!!

  • Lucila15/08/2013 em 13:44

    Parabéns Silvia!

  • fatima vanoni14/08/2013 em 17:15

    Silvia e Edmur; tive o prazer de conviver em seu lar e agradeco a Deus este privilegio. Junto com a Silvia venci a indignacao de ver meus gatos envenenados e me fez entender que aquela dor representava o inicio da minha vida na protecao animal.

  • andrea scafuro14/08/2013 em 15:36

    Maria Silvia e Edmur Righeto são pessoas maravilhosas e que vivem cada minuto do seu dia em luta pelos animais. tenho muito orgulho de ter conhecido eles e de sermos amigos.

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