Marcelo Dourado

 

Formei-me em Direito pela Faculdade Nacional de Direito em 1973; pratico a advocacia desde o 2o ano da Faculdade, claro que inicialmente como acadêmico e estagiário, e depois como advogado. Trabalhei em escritórios jurídicos, onde desenvolvi bons conhecimentos de direito civil, administrativo e comercial. Trabalhei em Bancos de primeira linha. Participei ativamente do processo de privatização do setor bancário. E atualmente presto eventual consultoria jurídica no setor financeiro.

 

AV – Quando começou sua paixão por motos?

MD – Há muito tempo. Mas, não tão jovem, como é comum. Eu já deveria ter uns 27 anos. Minha primeira motocicleta foi uma Honda 500 Four, 1973, já um pouco usada. A partir daí sempre tive motocicleta.

AV – Sempre foi BMW ou há várias máquinas em sua vida?

MD – Há várias máquinas na minha vida. Comecei com as japonesas, Honda e Yamaha e foram várias. Mais recentemente fui para a alemã BMW.

AV – Já percebi que há espécies de confrarias, de acordo com as marcas das motocicletas. Como se explica este sentimento de grupo? Por que não há esta identidade relativamente a donos de Land Rovers, Mercedes,  dentre outras?

MD – De fato, os grupos de motociclistas são mais comuns. Mas, já ouvi falar em um grupo para os donos de Land Rovers, especialmente do modelo Defender. De outras marcas de carros eu ignoro.

Confesso que não sei a origem do sentimento de agrupamento dos motociclistas. Suponho que decorra da identidade de possuir alguma coisa um tanto exclusiva e capaz de fazer coisas diferentes. Em outras palavras: os grupos talvez tenham nascido quando essas máquinas eram poucas e seus integrantes assumiram alguns desafios, como viagens longas e trilhas com algum grau de dificuldade. Isto hoje em dia está ficando mais comum. Há quem já não ache tanta graça… (risos); mas a maioria ainda descobre algum novo desafio.

AV – O que você mais usa: carro ou moto? Moto é meio de transporte ou de lazer?

MD – Sem dúvida, a moto. É meu meio de transporte, até em dia de chuva.

AV – Como lidar com o fator segurança, estando de moto?

MD – Dois aspectos:

Um, segurança pessoal ante assaltos – tem-se de manter muita atenção o tempo todo. Eu costumo brincar dizendo que, como carioca, eu vivo “ligado” a tudo o que se passa ao meu redor quando estou na rua, seja de moto, de carro ou mesmo a pé. E se você estiver realmente atento, as chances de você sofrer alguma abordagem diminuem significativamente, pois o assaltante conta sempre com o fator surpresa; se ele perceber que você antecipou a aproximação dele, provavelmente ele abortará o assédio.

Outro aspecto, os de proteção individual – eu não dispenso os equipamentos mínimos de segurança (luva, jaqueta, calça, botas e capacete), mesmo na cidade e em trajeto curto.

Atualmente você pode andar bem protegido mesmo em altas temperaturas, como as do Rio de Janeiro, onde ando bastante também, pois há equipamentos feitos em material mais leve e com boa capacidade de proteção.

Além dos equipamentos, tem-se de ter uma direção defensiva ao extremo. Ao pilotar uma motocicleta deve-se ter em mente sempre que o motorista e mesmo o outro piloto de motocicleta poderão agir de modo distraído ou negligente.
É importante que o motociclista atual faça cursos técnicos e mantenha-se atualizado com as melhores técnicas. Estes cursos ajudam a você condicionar suas reações de modo a sair de situações de risco com mais chances do que aquele piloto inexperiente, ou simplesmente despreparado.

AV – Já lhe ocorreu algum problema neste sentido?

MD – Apenas uma vez sofri um assalto e foi na porta de minha casa no Rio de Janeiro. Eu tinha uma motocicleta ainda pouco comum (Yamaha 750cc Super Teneré) na época, e posso afirmar que o assaltante era um profissional. Sem violência alguma e com muita confiança ele levou a motocicleta.

AV – Você já sofreu algum acidente? Em caso afirmativo, pode descrever o que houve e como isto refletiu em você a posteriormente?

MD – Uma única vez sofri, há muitos anos, um pequeno acidente de motocicleta. Em uma curva, numa rua do Leblon, no Rio, onde passavam muitos ônibus, e por isso, havia óleo, num dia de chuva fina. Água e óleo são ótimos para mandar qualquer motociclista para o chão. Estava devagar e foi o suficiente para redobrar minha atenção tanto no meu modo de pilotar, como prever o que um motorista de outro tipo de veículo pode fazer, por mais absurdo que pareça.

AV – Sua mulher e filho(s) acompanham você nesta paixão?

MD – Dos meus casamentos, apenas uma ex-mulher me acompanhava com assiduidade. A filha não é uma apreciadora de motocicletas.

AV – Em seu facebook você colocou sua linda netinha sentada na moto, já “desencaminhando” a garotinha. Ficará numa boa vendo-a pilotar, quando tiver idade?

MD – Sim. Ficarei numa boa, se ela seguir um mínimo dos conselhos do avô, que sempre procurará mostrar a ela que é importante o uso de equipamentos de segurança; a realização de cursos técnicos que aprimorem sua maneira de pilotar e… ter algum juízo…

AV – Idade tem alguma coisa a ver com a pilotagem de moto? Você sente alguma diferença/limitação com o decorrer do tempo?

MD – É interessante esta pergunta. É inegável que fisicamente, por mais exercícios físicos que você pratique (e eu procuro praticá-los), o avançar da idade reduzirá sua capacidade. Reduzirá sua flexibilidade. No entanto, a maturidade e o condicionamento mental permitirão à você fazer manobras e ter resistência para longos percursos que muitos jovens não conseguem ter. Em outras palavras: com a idade, e eventual limitação física, poderá ser compensada com a experiência e com melhor concentração na pilotagem. O importante é você sempre fazer alguma atividade física para manter seu corpo pronto para o prazer de pilotar uma moto.

AV – Além do motociclismo, qual o seu hobby favorito?

MD – Leitura, caminhada, alguma musculação e alongamento, e, principalmente, brincar e cuidar da neta!

AV – Coloque em ordem crescente quanto a suas preferências: livros, cinema, teatro, televisão, esportes (tênis, caminhada, corrida, natação etc.).

MD – Neta, Livros, Caminhada, Natação…

 

Foto: Divulgação

 

Comentários 3

  • silvana saccoletto zendron25/04/2012 em 16:20

    Esse rapaz vai longe…
    A adv 1200 BMW é mais bonita que que a 1600.
    Valeu Marcelo!

  • José Victorino24/04/2012 em 16:02

    Matéria muito boa e leve de se ler, só não gostei da moto da foto, preferia a 1600. Bjs e parabens.

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