Manolo Blahnik

UM SALTO NO VERDE

O designer Manolo Blahnik  aposta em pares feitos sob encomenda com matéria-prima sustentável

Foto: Divulgação
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Com quase quarenta anos de carreira (a primeira loja, no bairro londrino de Chelsea, data de 1973), Manolo Blihnik já desenhou 30 000 sapatos. Investiu em pompons de mink, couro de avestruz, crocodilo, píton e galuchat, o granulado couro de arraia – não há terreno desconhecido para o designer celebrado pelo equilíbrio entre saltos vertiginosos, finesse e conforto. Aos 69 anos e com a mesma criatividade do menino que cresceu nas Ilhas Canárias fazendo botas de alumínio para o fox terrier de estimação, Blahnik experimenta agora pisar num novo território: o de matérias-primas sustentáveis. Junto com a coleção de verão, ele propõe dois modelos sob medida para a chamada fatia consciente das consumistas.

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Uma sandália de salto e uma rasteirinha bicolores são feitas de ráfia, cortiça e tilápia, um subproduto da indústria alimentícia – o filé de saint-peter vai para o prato, e poupa-se o couro, cuja textura lembra a da pele de cobra, de ir para o lixo. Elas vêm em oito combinações de cores azul, amarelo, preto e areia. Para o próximo inverno, uma das apostas é uma bota de cano curto de couro com tingimento vegetal. “O bacana de trabalhar com o Manolo é demonstrar que materiais ecologicamente corretos podem ser chiques, sem aquele ranço da peça riponga”, conta a estilista Marcia Patnmos.

Foi a americana, especialista em moda sustentável, quem instigou Blihnik a dar um salto no verde. “Eles toparam a proposta desde que eu trouxesse um material à altura do design”. Blahnik não está à toa no topo da sapataria. Ele passa semanas supervisionando a manufatura dos pares na fábrica italiana e liga pessoalmente para reclamar de falhas. Sapatos, afinal, como ele diz, “podem mudar uma mulher”.

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Por Ilana Rehavia – Londres

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