Manoel Poladian

 

Cortinas se abrem para apresentar o maior empresário do show business do mundo… Manoel Poladian.

Tenho a honra de entrevistar o elegante, seguro, charmoso e consagrado empresário. Uma emoção especial vem à tona, por ter sido uma das anônimas fãs que aplaudia com entusiasmo aquele colega de faculdade, sob um austero terno que apontava a seriedade dedicada à formação do show.

AV- O que o levou a dar o primeiro passo no ramo em que se tornou o expert número 1 do mercado?

MP- Em primeiro lugar, agradeço os elogios, mas só os aceito como um reflexo de mais de 50 anos de dedicação, envolvimento, trabalho árduo e uma equipe comprometida. Desde muito novo, acreditei que minha vocação me levava a duas áreas, o Show business e a Advocacia. Comecei aos 12 anos organizando festas. Aos 15 anos, trabalhei como humorista e redator de textos cômicos na TV Tupi, mas nunca deixando de estudar freneticamente para me tornar Advogado. Sempre me pautei na vontade de justiça acima de tudo, honestidade como prioridade e, o mais importante, em atender a luta e esforços de meus pais, imigrantes armênios que fizeram seus filhos advogados, médicos e engenheiros. Na Faculdade de Direito Mackenzie que confirmei a vocação também para o show business. O diretor social na época, Milton Saad, hoje brilhante jurista, nos convidou para realizar o tradicional SHOW DA BALANÇA. Como produtor e diretor, pela primeira vez realizei um sonho represado, transformamos o show em FESTIVAL DA BALANÇA e no primeiro grande festival de Bossa Nova do país. O sucesso confirmou que estávamos no caminho certo.

AV- De Elis Regina à sua próxima apresentação André Rieu, quais artistas superaram suas expectativas?

MP- Começamos no show business profissionalmente advogando para empresários internacionais argentinos, realmente a pior prova que alguém poderia passar. Aprovados, seguimos fazendo shows internacionais como Bill Haley e Seus Cometas, Ricky Shaine, Demis Roussos, Ray Conniff Orquestra e Coral, com o qual fizemos 15 temporadas no Brasil e exterior, alem de Dionne Warwick, Miles Davis, Dizzie Gilespie, Tony Bennett. Foram mais de 280 temporadas internacionais. Os nacionais começaram com Maria Bethania, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Simone, Roberto Carlos, Rita Lee, Ney Matogrosso, Elis anos 70. Nos anos 80 e 90. Sting, Tina Turner, David Bowie, The Cure, RPM e Daniela Mercury . Posso lhe garantir que os citados superaram minhas expectativas.

AV- É conhecido o seu entendimento de que o show business no Brasil é extremamente precário. A que se deve a pouca profissionalização dos envolvidos na produção artística?

MP- O show business virou um negócio de aventureiros com e sem muito dinheiro, mas profissionalmente é precário e subdesenvolvido. Há falta de cursos de formação, de acesso a maiores informações, ainda é bastante artesanal e amador. A profissão de empresário não está nem legislada.

AV- Com a proximidade da Copa, vem à baila a instituição da meia-entrada. Existe alguma entidade da classe ligada à apresentação artística que se mobilize para que o Estado subsidie a outra parte, a fim de que o expectador final seja beneficiado?

MP- Não. E a meia-entrada para estudante é uma vergonha nacional.

AV- De todas as suas produções até o momento, qual a que mereceu maior complexidade na montagem?

MP- Talvez Destino de Aventureiro, de Ney Matogrosso, que montamos no Circo Thianny (5.000 lugares) no Rio de Janeiro. Tinha 10 trocas de cenários, foi o primeiro show dirigido pelo Jorge Fernando. Devido à falta de espaço adequado à época, montamos o circo na Cidade Nova. André Rieu também está sendo uma operação-monstro, vamos adaptar o Ginásio do Ibirapuera para os espetáculos. São 10 contêineres de cenários, 380 pessoas trabalhando.

AV- Em relação ao custo-benefício, seria indiscrição indagar qual das suas produções foi a mais favorável?

MP- Com todos os artistas há momentos de pico e de baixa. Tivemos fases fantásticas com o RPM, Ney Matogrosso, com quem ficamos 18 anos, Roberto Carlos por 15 anos, Ray Conniff. Também tivemos muito sucesso com Simone, Titãs Acústico, Jorge Ben Jor, entre outros. Os desfavoráveis sempre, graças a Deus, têm o privilegio de esquecer.

AV- Seu interesse na promoção de artistas nacionais ainda é representativo?

MP- Sim. Sonho ainda em encontrar um grande artista de sucesso universal, conteúdo brasileiro para chegar a um sucesso mundial.

AV- Qual a emoção que mais movimenta a sua intensa atividade aos 69 anos?

MP- A paixão pelo que faço e se mantém desde o início igual ou maior.

AV- No seu contato pessoal com o artista bem maduro é verificável a existência de um denominador comum que dê a dica para manter o entusiasmo pela carreira?

MP- Sim o gosto e o prazer pelo trabalho que realizamos.

AV- A que fator atribui à manutenção do sucesso de artistas que desafiando o tempo, continuam a brilhar nos palcos?

MP- Para ser um verdadeiro astro, é preciso estudar a vida inteira, porque na hora em que ele parar e não se renovar será rejeitado pelo público. Ter humildade, sempre, e caráter em primeiro lugar. É muito difícil manter o sucesso, a pessoa tem que ter uma estrutura muito forte para agüentar o sucesso e suportar todas as bajulações e falsidades que o cercarão.

AV- Para a obtenção do melhor resultado à sua empresa, para onde é dirigido o foco na escolha do novo show. Artista ou no público-alvo?

MP- Eu acredito muito no sucesso que vem do povo, que vem da aceitação do público.

AV- Sempre “antenado”, a sua sintonia com a realidade mundial está lhe apontando ser a terceira-idade o público que vai “bombar “daqui para frente. Além do incrível Andre Rieu, já existem outras estrelas no bolso do seu colete?

MP- Existe mercado para todos os públicos.

AV- Na sua inquietude e no seu extremo entusiasmo, quais os sonhos estão na fila para serem realizados?

MP- Estou sempre em busca do novo.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
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Comentários 3

  • EDEN RASUK23/05/2014 em 19:49

    DOUTOR POLADIAN, SOBRE SER HONESTO O SENHOR PASSA A PRIMEIRA IMPRESSÃO DE SER HONESTO.PARABENS PELO SEU TRABALHO QUE, IMAGINO DEVE SER EXTENUANTE. BY THE WAY, POR GENTILEZA, GOSTARIA DE SABER SE É POSSÍVEL TRAZER ANDRE RIEU A UMA CIDADE DE MINAS GERAIS. E UMA IDÉIA DE CUSTOS,SE POSSÍVEL. GRATO

  • Ana Boucinhas08/08/2012 em 00:31

    Fico muito contente com seu comentário Elisete.Poucos imaginam o que tem atrás dos grandes shows.

  • Elisete Toledo08/08/2012 em 00:05

    Admirável a caminhada desse empresário numero 1 do show business……e não é só o artista que tem que ter estrutura para lidar com as “bajulações e falsidades que o irão cercar”….para o empresário e produtor cultural é preciso ainda muito mais que isso para não entrar nos esquemas fálicos e corruptos também nessa área, em nosso país…
    Parabéns ao ícone Manoel Poladiam por sua brilhante trajetória !

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