Luciana Villas-Boas

 

               CONFISSÕES DE UMA EDITORA

Foto: Divulgação

Considerada a mulher mais influente do mercado editorial brasileiro, famosa pelo olhar penetrante que fascinou toda uma geração, Luciana Villas-Boas deixa a direção da Record para se reinventar como agente literária, ao lado do novo amor.

Certa vez, o presidente da editora norte-americana Grove/Atlantic comentou com a carioca que, com livros, jamais se deve trair a intuição. Foi o melhor conselho que ela recebeu em seus 17 anos à frente da Record. Luciana relembra o dia que ignorou a dica e se arrependeu. O caso mais famoso foi ter deixado escapar O Código Da Vinci, de Dan Brown, que ainda não tinha estourado e terminou vendendo 1,8 milhões de cópias no Brasil.

Havia uma máxima do leitor brasileiro não gosta de thrillers históricos, e ela obedeceu quando os chefes recomendaram que não continuasse no leilão. “Se tivesse seguido minha intuição poderia ter insistido um pouco mais, estava sentindo que aquele livro era forte.”

Luciana percebeu que o conselho não se aplica somente aos livros. Olhando para trás, muitos de seus movimentos na vida foram guiados pela intuição. Inclusive os mais arriscados, como ter deixado o cargo de diretora editorial da Record, a mais importante do País, onde já fora escolhida a mulher mais influente do mercado e, aos 54 anos, recomeçar a vida como agente literária com a Villas-Boas & Moss. “Estou apavorada. Sou assalariada desde 1981. Pela primeira vez não vou ter uma renda fixa”, confessa.

Nos anos 90, embora tivesse em seu catálogo nomes como Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e Graciliano Ramos, a Record perdia espaço na imprensa e na crítica, principalmente para a Companhia das Letras.

Quem gostaria de ter editado? Laurentino Gomes e sua série de livros sobre a história do Brasil.

Qual livro mais gostou de ler? Um livro finlandês chamado Expurgo, de uma estoniana-finlandesa chamada Sofi Oksanen. O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós, e Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, também tiveram um impacto muito grande pra mim.

O que você nunca leu e tem vergonha de confessar? Muita coisa. Adoro uma autora que é considerada muito comercial chamada Philippa Gregory, que escreve em geral sobre a Era Tudor. A considero excelente, embora seja uma linguagem convencional e um grande sucesso comercial na Inglaterra. E, amo o Bernard Cornwell, que também escreve romances históricos.

Seu autor favorito? Adoro Arthur Schnitzler. E Graciliano Ramos.

Que livro você levaria para uma ilha deserta? A obra completa do Jorge de Lima. Em uma ilha você quer mais poesia.

 

Por Luiz Antonio Ryff

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