Joana Vasconcellos

 

No palácio de Versailles nesta temporada, fala-se português, ouvem-se fados e a rainha de plantão é a artista portuguesa Joana Vasconcellos. Nos salões onde a atmosfera do espaço figura entre o sonho e a realidade, a primeira artista mulher a expor, harmoniza suas obras elaboradas com objetos do cotidiano que disputam entre si a irreverência e a exuberância.

Joana sente a parte externa do palácio como masculino e o interior ela considera essencialmente feminino, associando a
bailes, perucas, rendas…

Foto: Divulgação

Nos jardins a Blue Champagne, uma escultura enorme feita com garrafas de champagne iluminadas em seu interior, garante um extraordinário efeito no cair da tarde. Na entrada do Parterie de Midi, duas enormes esculturas de ferro – um garrafão de vinho e um bule de chá festejam as obras que estarão sendo apresentadas no interior.

No Salon de La Paix, onde concertos compunham a vida musical de Versailles, o tema do fado cantado por Amália Rodrigues, justifica o enorme coração preto preenchido por milhares de talheres de plástico pintados de preto. Joana aponta com sua irreverência, o conflito entre a emoção e a razão.

Na espetacular Galerie des Glaces, com quadros e medalhões homenageando os combatentes corajosos, um enorme par de sandálias de salto alto, feito com centenas de panelas domina o espaço. Para Joana, o inox na escultura “Marilyn” é tão resistente quanto às armaduras e os escudos dos guerreiros.

No quarto da rainha, harmoniosamente integrada na decoração, “Perruque” não só faz uma apologia aos exuberantes penteados exibidos na corte. Sua forma uterina, com fios de cabelos que parecem algodão doce, traz a lembrança dos 19 partos ocorridos ali, dentre eles, Luis XV e Luis XVI.

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No anti-chambre do Grand Couvert, duas enormes lagostas parecem estar à espera da chegada dos reis.

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A Salle 1830, em seu suntuoso interior, com madeiras entalhadas, dourados e tapetes bordados, Joana coloca um enorme helicóptero revestido de folhas de ouro, com milhares de brilhantes Swarowsky e plumas de avestruz pink. Sua visão para transportar a rainha consorte francesa para a modernidade. Ao todo são 17 esculturas e há quem lamente não ter sido trazido seu famoso lustre confeccionado com milhares de OBs. Mas nem passou pela cabeça da artista trazer a famosa obra, pois, já imaginava a polêmica que causaria.

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Joana Vasconcellos nasceu em Paris em 1971, mas vive e trabalha em Lisboa. Transporta para suas obras a visão crítica da sociedade contemporânea. Sempre ligada à dualidade feminina, ressalta a intervenção da mulher na vida familiar e seu papel na vida pública. Compara-se a um jornalista, pois, em constante observação atenta à realidade, para produzir suas esculturas.

Na criação, usa objetos pré-fabricados e abusando da repetição numérica, converte em imagens absolutamente diversas.

Começou a 15 anos, em um atelier de 45 metros quadrados. Ao longo do tempo foi percebendo que poderia ir sempre mais longe. Mas, afirma que o artista não deve esperar por espaço maior ou por ter mais dinheiro para investir na criação. A necessidade de se produzir é o que importa. Seu famoso lustre de OB, diz ela foi feito no quinto andar de um prédio sem elevador.

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Sua energia criativa já lhe rendeu diversas premiações internacionais. Atualmente tem uma equipe de 14 assistentes, vindos das mais diferentes áreas – restauro de pinturas, arquitetos, joalheiros, técnicos com conhecimento de máquinas e efeitos especiais, formados em produção e gestão, fora a enorme equipe de bordadeiras.

Começou a expor em 1994 e seu processo criativo já lhe levou para Moscou, Londres, Veneza, Budapeste, Paris e inclusive já expos também na Pinacoteca de São Paulo. Graças a Joana Vasconcellos, Versailles em 2012 disputa com a Tour Eiffel o ponto de atração maior.

Foto: Divulgação
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