Jayme Vita Roso

 

Na história da humanidade, no mês de outubro, ocorreram inventos tecnológicos que mudariam a história da humanidade, como a inauguração da primeira linha telefônica, a criação da lâmpada elétrica e a utilização do éter como anestésico na primeira cirurgia  abrindo uma nova era na medicina.

Jaime Vita Roso
Jaime Vita Roso

Luminares como Gandhi, John Lennon, Oscar Wilde, Nietzsche também foram concebidos neste período do ano. Neste mesmo mês, em São Paulo, nasceu Jayme Vita Roso que se tornaria ilustre, no cenário jurídico nacional, sob o signo da Balança, no dia 16 de outubro do ano hebreu de 5693! Surpresos? Bem, no nosso calendário, em 1933.

Dois dias antes, a Alemanha nazista anunciara sua retirada da Liga das Nações (antecessora das Nações Unidas) e das negociações sobre desarmamento em Genebra, destruindo a política de reaproximação com os países vizinhos.

Sob o olhar do Zodíaco, acredite-se ou não, tinha início à vida de uma pessoa idealista por natureza, com sentido de justiça e bom senso apurados, com a sensibilidade necessária para atender às carências até mesmo da própria natureza.

Os pais, originários do sul da Itália, acostumados a condições de vida difíceis, transmitiram-lhe a determinação e garra para o trabalho bem como a facilidade da fluência em vários idiomas. Das duas irmãs, uma é-lhe mais próxima e querida, Maria Teresa.

Foto: Jaime Vita Roso
Foto: Jaime Vita Roso

Numa época de seca histórica vivenciada em todo o planeta, chamou a atenção de nossa revista eletrônica, www.amantesdavida.com.br, um indivíduo que, sozinho, arquitetou uma área de preservação e fez de seu sonho uma realidade, sem qualquer ajuda de dinheiro público.

Com o objetivo inicial de dividir e lotear, Jayme comprou em 1963, uma área de 86 hectares entre o bairro de Parelheiros e o município de São Bernardo do Campo, a 20 quilômetros de Santos. Seria uma aplicação de capital, considerada “segura”, diante das incertezas do governo do então presidente, João Goulart.

Tendo se tornado especialista em direito econômico, com mestrado completo na USP quando conseguiu créditos para o doutorado, partiu para a Itália a trabalho e de lá foi para a África. Nos cinco anos passados no país africano, Jayme pode aquilatar a extensão dos males que a devastação ambiental pode provocar no planeta. Ao voltar ao Brasil, em 1978, o sítio em Parelheiros já tinha destinação diversa:

“Depois de ver toda aquela desolação na África, comecei a pensar sobre o que fazer com a minha área, conta. Meus antepassados emigraram do sul da Itália para o Brasil no século 19 por causa de problemas ambientais, afirma. Nos séculos 16 e 17, os árabes e espanhóis invadiram aquela região e destruíram a cobertura vegetal para fazer construções e barcos. No século 19, essa devastação ambiental facilitou o surgimento de diversas moléstias endêmicas, como a malária”.

Sem qualquer estímulo, alvo de zombarias, ainda hoje, plantou milhares de árvores, quase um milhão de pés! A mata começou de forma aleatória: cada plantinha sendo colocada no solo pelas próprias mãos do advogado e seus auxiliares. Alvo da crítica e ridicularizarão de conhecidos e estranhos, que não viam sentido no projeto, foi ajudado pela esposa, Nancy Maria, com quem foi casado durante 56 anos, e pelas três filhas.

Nesta saga, recuperou cinco lagos e fez renascer quatro nascentes, preservando a flora e a fauna locais, inclusive a coruja, Curucutu (nome em tupi-guarani que se reporta ao pio desta espécie) que “batizou” o empreendimento. Árvores como a bracatinga, angico, pau-brasil, jacarandá, cedro, peroba e araucárias abrigam as aves e insetos, dando sombra e alimento a uma imensidão de animais.

Foto: Jaime Vita Roso
Foto: Jaime Vita Roso

Vita Roso gosta de tudo em ordem e seu “sítio” é um modelo de eficiência. A administração conta com sete casas – a sede, com 400 metros quadrados, e seis menores. Um viveiro produz mudas para o reflorestamento, já de acordo com os preceitos modernos de preservação ambiental. Toda a área é cortada por estradas impecavelmente conservadas e sinalizadas e, repita-se, tudo isto saído do próprio bolso do proprietário. Acho que se fosse de outro modo, não estaria desta forma… Bem, deixemos o assunto de lado.

Católico praticante mostrou a força de sua fé não só em Deus, mas também em Suas obras, preservando-as.  Pela garra com que levou à frente este sonho, pode-se acreditar em suas palavras quando afirma ser uma pessoa que crê em paixões e que costuma seguir suas intuições, não titubeando até mesmo em fazer renuncias materiais, em prol de um ideal.

Foto:
Foto: Jaime Vita Roso

Jayme aceita as limitações que a idade impõe, mas sem se render a elas: a música, a leitura, os passeios ocupam sua vida, sem contar as atividades literárias. É autor de mais de dezoito livros, tendo sido o último lançado em 2014, intitulado  “Da Arqueologia da Dúvida à Aurora da Verdade Ensaios Convergentes” que reúne artigos escritos pelo entrevistado e é ilustrado com fotos das obras de Dan Fialdini, escultor nascido em Minas Gerais e ,como Jayme, filho de italianos.

Interessante observar que apesar de dizer-se amante do azul em todos os seus matizes, o livro citado privilegia o marrom e sépia, com grande esmero gráfico e estético.

Perguntado sobre qual esporte praticaria, não fossem os riscos, elencou a canoagem – talvez ainda venha a fazê-la, quem sabe, dependendo dos rios que escolha. Apesar de ser considerada uma atividade radical, pode ser segura, se tomadas às devidas precauções. O destino sempre prega peças então… Ficam confirmadas as características de seu signo: Jayme mostra-se adepto da paz, quando elenca o boxe , luta livre e similar como aqueles pelos quais não nutre simpatia.

Olhando para os tempos idos, lastima o eventual mal que possa ter feito a terceiros e que sempre tentou corrigir, na medida do possível.

Não dá conselhos de vida – melhor que isso, deixa um belo exemplo, muito melhor que eventuais prédicas.

O entrevistado, no livro de sua autoria publicado em italiano, sobre Terranova da Sibari – I proverbi, pillolle di sagezza inicia, escrevendo entre aspas: “La felicità consiste nello scoprire qual é l’única cosa necessária nella mia esistenza e a rinunciare con gioia al resto” – Thomas Merton – sábia ótica de vida, a qualquer tempo e idade.

O mundo agradece o percentual de oxigênio que ajudou a preservar, ao menos pelos 0,5% do oxigênio consumido em São Paulo e nosso portal o privilégio de tê-lo tido como entrevistado.

 

Adicionar Comentário