Intolerância ou alergia?

INTOLERÂNCIA À LACTOSE OU ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE? O PASSO-A-PASSO PARA ENTENDER AS DIFERENÇAS ENTRE AS DUAS BARREIRAS 

Produtos à base de soja são alternativas para pessoas que não podem consumir leite

A soja e os produtos feitos à base do grão são bastante indicados como alternativa ao leite e seus derivados, principalmente para as pessoas que não podem consumi-los, porém, um ponto é vital esclarecer: intolerância à lactose e alergia à proteína do leite não são a mesma coisa.

Foto: Divulgação

“A alergia à proteína do leite é uma reação do organismo quando entra em contato com as proteínas do leite; uma delas, a globulina é a principal. Ela faz com que o sistema imunológico do alérgico a reconheça como agressora, o que gera uma reação que tem como objetivo combater este agente estranho”, explica a nutricionista Fátima Corradini Domingues. Já a intolerância à lactose surge quando há dificuldade na digestão do açúcar presente no leite: a lactose. Isso ocorre devido à ausência ou pouca produção da enzima lactase, responsável por digerir a lactose.

As duas complicações têm sintomas parecidos, mas perfis distintos. A alergia à proteína do leite costuma afetar apenas bebês, pois está associada à substituição do leite materno pelo leite de vaca, principalmente antes do primeiro ano de vida da criança. “Nesta fase, o intestino ainda não está preparado para receber e digerir a proteína do leite, entendendo-a como estranha e invasora, o que provoca uma reação contra ela e em defesa do organismo”, esclarece a profissional. De acordo com Fabiana Raucci, também nutricionista, a complicação não persiste por toda a vida da criança.

“Em 80% dos casos estas crianças voltam a consumir o leite por volta dos três aos cinco anos de idade, pois é quando o sistema imunológico cria maturidade, tornando-se tolerante as proteínas presentes no leite de vaca e seus derivados”.

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Por outro lado, a intolerância à lactose, quando não genética, pode surgir em qualquer momento da vida já que se dá devido à diminuição ou ausência de produção da enzima lactase, ocasionada por lesões intestinais, quimioterapia, radioterapia ou até mesmo pelo processo natural de envelhecimento.

Os principais sintomas da intolerância à lactose são dores abdominais, gases (flatulência), sensação de inchaço, cólicas abdominais, diarréia. A alergia à proteína do leite provoca os mesmos sintomas além de outros, como dificuldades respiratórias, edema, lesões na pele (coceira, vermelhidão, dermatite) e vômitos, dependendo do grau da alergia.

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Os tratamentos também são distintos: para a proteína do leite, é necessária a exclusão total do leite de vaca e seus derivados por um período variável de meses ou anos, dependendo da maturidade do sistema imunológico. Para a intolerância à lactose, o tratamento é feito por controle da dieta e medicamentos. O leite e seus derivados podem ser consumidos, porém em quantidades reduzidas, de acordo com a tolerância do organismo. O mais indicado é substituir esses alimentos por outros, sem lactose, como os produtos à base de soja.

É só falar em soja que a maioria dos brasileiros já faz cara feia. A fama de “gosto ruim”, porém, já está em processo de desmistificação. Atualmente, as indústrias do setor de alimentos estão empenhando-se para desenvolver produtos à base de soja sem o gosto característico do grão.

 

 

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