História de uma Harley

Harley-Davidson 1931 500c
Foto A. Vieira - Santos
Foto A. Vieira – Santos

Miguel San Giovanni Ambrosio, jovem italiano, viera para o Brasil, deixando em sua terra natal o pai saudoso, que ansiava por seu retorno. Prometeu-lhe então realizar seu grande sonho: receber uma Harley Davidson de presente. Melhor isca não poderia haver para seduzir o rapaz, mas apesar de comprada, ficou aguardando por ele em vão.

Quando a família conscientizou-se de que o apelo do Novo Mundo era mais forte que a tentação do mimo, rendeu-se à determinação do jovem e enviou-lhe de navio, a motocicleta que tendo aportado em Santos, acompanha-lo-ia por toda a vida, chegando à geração hoje dos seus bisnetos. Caso raro de um veículo datado de 1931 pertencente a um único dono.

Foi com ela que Miguel namorou, passeou com as filhas, ia e vinha do trabalho para casa, até completar sessenta anos, quando parou de dirigi-la.

Harley 1931
Harley 1931 

Tudo nesta raridade é original. Está claro que desde sua chegada, ao longo do tempo, houve necessidade de reparos, praticamente de uma remontagem minuciosa e preciosista. Uma jóia antiga não pode ser entregue a qualquer restaurador.

O destino fez com que a Harley chegasse às mãos de um artesão apaixonado por motocicletas e cujo hobby, desde menino, era desmontar seus brinquedos, destrinchando as pecinhas para remontá-las: Marcelo Peixoto. Durante três anos, instalou na sala de estar da casa dos pais, a moto que lhe havia sido confiada e, pelas fotos do manual do proprietário, refez meticulosamente peça por peça – um quebra-cabeça de grande porte e responsabilidade por estar lidando com itens insubstituíveis, uma obra de arte sobre rodas.

Marcelo trabalhou na Harley do Brasil desde 1995. Paulo Izzo detinha a representação da marca que entrara no país por Belo Horizonte, vindo a seguir para São Paulo, em 1992. Em 1997, no encontro nacional em Penedo, a motocicleta restaurada recebeu o troféu da mais antiga do Brasil, em perfeitas condições de funcionamento, coroando o trabalho executado com tanto afinco.

Com dois tons bem clássicos, som de motor único e inigualável, um cilindro em vez de dois, 500 cilindradas, atendia na medida à demanda da época em que foi lançada, alcançando 80 km por hora, com um consumo de 10 km por litro de combustível. O modelo de 350 cilindradas era considerado “inferior” enquanto o de 750 saía a um custo bem maior, menos comercial.

A placa original, verde, número 22, ainda existe e está cuidadosamente guardada. Hoje ostenta orgulhosamente na licença o ano de fabricação, 1931 com as letras DAV.

Os proprietários, Maria Madalena Ambrósio de Oliveira e Washington, seu esposo deixam, apesar de não haver mais necessidade de qualquer restauro, a motocicleta sob a guarda de Marcelo que dela não descuida.

Harley-Davidson 1931 500c – Restaurada

 

Comentário 1

  • silvana saccoletto zendron20/08/2012 em 10:11

    Adorei, a dica para quem gosta de motos é fazer uma visita no museu da BMW em Curitiba.

    sil

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