Hibiscus Esculentus

 

HIBISCUS ESCULENTUS (Abelmoschus esculentus) – Quiabo


Nosso conhecido quiabo, alvo de amor e ódio, nasce num arbusto perene, parente do algodão, de cerca de dois metros de altura. As folhas são palmadas, com cinco lobos, e têm de 10 a 20 cm de comprimento. Lindas flores com 4 a 8 cm de diâmetro, com cinco pétalas que vão do branco ao amarelo, muitas vezes tingidas de vermelho ou púrpuro na base, adornam a planta. O fruto, ou seja, o quiabo chega até 18 cm da ponta ao talo e contém inúmeras sementes claras, em seu interior.

É cultivado em todo o mundo, nas regiões temperadas e quentes, e está dentre as mais resistentes espécies vegetais, sobrevivendo em terras pobres, argilosas e secas. É sensível, no entanto ao frio e às geadas. Os frutos têm que ser colhidos bem jovens, pois rapidamente tornam-se fibrosos e duros e, claro, impróprios para consumo.

A origem do quiabo é bastante discutível entre os historiadores. Uns afirmam que veio do Sul da Ásia, outros da Etiópia ou ainda, do oeste africano. Nos Estados Unidos, é chamado de Okra, corruptela de Okwuru, originário do dialeto Igbo, falado na Nigéria. Em Bantu, okra chama-se kingombo e daí a palavra quiabo em português e quimbombó ou guigambó em espanhol.  Na Índia, Paquistão, Bangladesh e frequentemente na Inglaterra, é conhecido como bhind, bhendi ou ainda bendai.

Foto: Divulgação

Os egípcios e mouros dos séculos 12 e 13 conheciam este legume como bamay, o que indicaria, semanticamente, ter vindo do leste, através do Mar Vermelho. Uma das menções mais antigas nesta região, data de 1216, por um mouro espanhol que visitou o Egito e descreveu o cultivo da planta pelos habitantes do local que a cozinhavam com carne.

Da Arábia, o quiabo espalhou-se pela costa do Mediterrâneo em direção ao leste e foi introduzido nas Américas pelos navios negreiros em 1658, primeira menção de sua existência no Brasil para em seguida, surgir no Suriname em 1686.  É largamente consumido na Papua Nova Guiné, junto com o arroz e a batata doce. Foi introduzido na America do Norte no início do século XIII, chegando até a Filadélfia e a primeira menção de grandes plantios, já estabelecidos, no sul do continente data de 1806.

Lembro-me desde a época em que ia à feira com minha mãe que ela escolhia o quiabo quebrando-lhe a pontinha. Estala-se e partia,
lavava, e se dobrava, não estava bom, melhor não comprar, pois ficava fibroso. Não gostava dele gosmento e para cortar a baba, ela usava sumo de limão durante o cozimento – o resultado era ótimo e aprendi desde cedo a consumir esta iguaria que tem gente que nunca comeu… Cozido, refogado, grelhado, em saladas ou acompanhando carnes, frango, camarões e por aí em diante.

Foto: Divulgação

 

Além de gostoso, o quiabo é cheio de qualidades intrínsecas: é rico em vitamina C, A, complexo B, ferro, cobre, magnésio, sódio, cálcio e em fibras. Na culinária brasileira o caruru, espécie de guisado de camarão seco, dendê, cebola, pimenta, sal e peixe assado, integra, junto com o vatapá e o acarajé o trio mais famoso de comidas para santos. O “Caruru-dos-meninos” homenageia São Cosme e São Damião e não pode faltar no dia em que são homenageados.

Hoje em dia, restaurantes estrelados fazem releituras desse legume maravilhoso e novas receitas são criadas compondo a moderna cozinha brasileira. Para completar com chave de ouro, quiabo dá o ano inteiro! Vamos lá, gente!

 

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