Harmonia em Paraty

 

A harmonia imperou em Paraty na  décima feira internacional literária, a Flip. Até a  irregularidade das pedras do chão, que costuma ser um desafio ao equilíbrio, não nos deixava esquecer a cada passo, o homenageado Carlos Drummond, com a pedra no meio do caminho. 

Foto: Divulgação
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Conhecedores de feiras similares, simplesmente se deslumbram com a alegria e descontração contagiante que impera na cidade quase que congelada no tempo, que é Paraty. 

Às magníficas tendas armadas, onde se deram as palestras dos 40 autores convidados, a mídia tratará de fornecer todas as informações. Aos amantes, alguns dos detalhes que cercaram os quatro dias do importante evento e que foram curtidos com carinho especial.

Ana Boucinhas

Os estrangeiros que lotavam os restaurantes foram recebidos como se estivessem numa feira de Frankfurt. Comida sofisticada, serviço impecável e de quebra, performáticos interrompiam por segundos os papos, declamando uma poesia de Drummond.

Estátuas vivas espalhadas pelas ruas, despertavam a curiosidade e saindo da estagnação, prestavam homenagens poéticas em troca de moedas. Pelas ruas, quando se via um grupo de pessoas amontoadas nas janelas e nas portas de algum espaço, com certeza o local estava sendo ponto de encontro de autores, assistidos por lotada e interessada platéia. 

Ana Boucinhas ao lado da estátua de Drummond

 

O sírio Adonis e o libanês Amin Malouf, depois da séria palestra sobre as perspectivas do futuro da cultura árabe, se deliciavam descontraidamente com os doces típicos distribuídos em dezenas de carrocinhas pelas esquinas.

Não sei como Jennifer Egan descreveria a Flip pelos olhos dos outros, mas pelo entusiasmo com que foi aplaudido, seus olhos não se esquecerão jamais da natureza e do povo alegre que cerca Paraty. 

Ao abrir a feira, Luiz Fernando Veríssimo, despojou-se de sua timidez natural e transvestiu-se da sua característica maior – o bom humor.

Ana Boucinhas e Luis Fernando Veríssimo

Falando em alterações, o cartunista Laerte não surpreendeu em incorporar seu personagem Hugo/Mariel e apresentar-se num leve vestido com saia colorida até os pés. Afinal de contas, segundo suas palavras, a militância atual é “para superar a questão da divisão de gêneros”.

Os eventos em off da Flipinha trouxeram o bucolismo perdido no tempo de volta. Livros infantis pendurados nos galhos das árvores apontam os frutos vindos da leitura. Aos pés das imensas árvores, crianças eram gostosamente acolhidas para ouvirem as histórias lidas.

Definitivamente Paraty tornou-se parceira à altura para receber  representativos expoentes da literatura contemporânea.

Graças à deliciosa cidade, o Brasil passou a ser uma referência para o turismo cultural também.

Foto: Divulgação
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Comentário 1

  • Maria Eugenia Cerqueira14/07/2012 em 20:35

    Meu filhão estava por lá e não pude ir, uma pena. Também adorei a matéria´principalmente a Ana namorando com o Drumond…

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