Gil Screnci

 

Dos componentes visuais que definem o estilo de uma pessoa, o cabelo certamente é o cartão de visita. Com sua sensibilidade em captar as últimas tendências de corte pelo mundo, Gil coloca suas clientes no top de linha de qualquer que seja o seu estilo.

AV- Quais as cidades internacionais que ditam as tendências do cabelo e existem focos específicos  nas mulheres maduras? 

Gil– Londres – Paris – Nova York- Milão e Berlim são os carros-chefes. A beleza da mulher não tem idade. O único detalhe a meu ver que merece ser diferenciado é o comprimento, acima do ombro sempre.  

AV- Que considerações você leva para definir o hair style a cada cliente, sobretudo quando tratar-se de uma mulher experiente? 

Gil– A estatura e a expressão corporal dão as primeiras dicas. Antes de pegar a tesoura, num papo descontraído já dá para sentir o perfil. Da profissão ao astral, passando pelo modo de vida, interesses, atividades etc. percebem-se tratar-se de uma mulher moderna ou conservadora. 

AV- Mas imagino seja complicado para você, definir um layout novo para uma mulher conservadora que resolva dar uma guinada. 

Gil– Daí a necessidade do bate-papo inicial. A experiência me comprova que alterações abruptas são difíceis de será assimiladas em curto prazo. Assim, satisfaço parcialmente seu desejo, fazendo um corte bem atual, mas sem grandes ousadias.  O cabelo determina o estilo da mulher e dificilmente a mudança é da noite pro dia.

 AV- Na Europa e nos USA as mulheres tem desfilado com muita graça seus cabelos brancos. Mas por aqui, ainda são poucas as que desistem das tintas. Qual o motivo?

Gil– A brasileira em geral limita-se a equiparar cabelo branco à velhice. Basta uma amiga fazer um comentário maldoso, tipo “você envelheceu do dia pra noite”, ela  já volta voando para as tintas. Elas não perceberam ainda que o cabelo branco tem uma textura e um brilho especial e é o corte o que determina o perfil da mulher contemporânea e não a cor. Já as mulheres estrangeiras, além de se importarem menos com palpites alheios, a idade não é um valor de peso para elas. Sua pergunta me trouxe imagens de mulheres super transadas, com cortes ousados, que vejo andando com firmeza e graça pelos points no exterior. 

AV- Você proporia a todas as suas clientes maduras que assumissem seus brancos? 

Gil– Muito difícil este tipo de proposta aqui. Assumir o branco é uma atitude forte e só á mulheres com personalidade  forte, seguras de si e bem-resolvidas eu proponho o desafio. 

AV- As mechas continuam sendo uma boa opção para disfarçar o cabelo branco? 

Gil– Às pouco ousadas, os reflexos servem para diminuir a freqüência da tintura. Mas sem a menor dúvida, o corte é fundamental para a mulher transada.  

AV- Você nas décadas de 60/70 já lidava com as mulheres maduras de então. Você sente diferença na sua cadeira, com o comportamento da mulher madura de hoje? 

Gil– Sem duvida. O conceito anterior era o uso de cabelos muito severos. Lutei para suavizar, sempre passando a convicção de que a idade não era um fator de peso. Mas a resistência era grande. Hoje, salvo ao comprimento, não existe diferença nas faixas etárias. Acabou a rigidez, acabou o “penteado”. Hoje estar penteada é ter um corte correto. É a irreverência no corte que dá o ar interessante. 

AV- Você, que domina com maestria a tesoura, qual o momento da criação de um novo corte que lhe dá maior satisfação? 

Gil– Minha maior alegria é ver ao final do corte, a imediata mudança de astral. Aquela pessoa meio insegura, meio de mal consigo mesmo que sentou na cadeira, levanta-se dela, achando-se alta, loira, magra e chiquérrima. Aumentar a auto-estima da cliente é o meu maior prazer. 

 

Comentário 1

  • ORIANA ZAMBONI03/07/2012 em 11:10

    O Gil arrasa! he´s the best ever!

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