Geração fifty fifty

por Ana Boucinhas

No delírio da minha pretensão, cheguei a avaliar até pouco tempo atrás, se teria realmente valido a pena ter participado da revolução comportamental da mulher do século XX.

A minha geração provocou a saída da zona de conforto em que as mulheres se encontravam e acabamos por oferecer uma cansativa dupla jornada de trabalho a elas.

Durante um bom período, os maridos limitavam-se a assistir passivamente o entra e sai da mulher que ia para as faculdades ou para o trabalho, e ao retorno ao lar, tudo para ser arrumado… Eles continuavam a manter a suprema posição de chefe de família, num misto de filho mais velho, aliás.

Mal sabia eu que as “coitadas das mulheres” promoveram silenciosamente uma tremenda contra revolução de lá para cá.
Os homens não foram às ruas rasgar cuecas e nem desandaram a querer disputar com as mulheres espaços tipicamente femininos. Foram elas que com a maior habilidade, redistribuíram as funções no lar e conquistaram com galhardia a condição de paridade no círculo familiar.

Foi num recente esplendoroso domingo de sol que meus “carrillons” internos ecoaram o som da alegria que vem da alma diante de fatos impensados .
Lá atrás, um clube era o local de lazer para os maridos e de inquietante preocupação para as mamães que mantinham sob as suas esfrangalhadas asas, a própria cria. As então coitadas, não podiam alçar um mínimo voo, pois ao menor descuido… perigo à vista para os pimpolhos. A eles cabia apenas acertar a conta no final do período e olhe lá.

Foi um tremendo choque de realidade ver o novo cenário no antigo clube.

Garotões sarados trocavam numa boa a fralda dos seus bebês, enquanto jovens mamães batiam descontraídos papos nas mesas do bar com as asas livres leves e soltas.
O olhar mais atento me levou a perceber de imediato que não houve inversão de papéis. O casal simplesmente passou a alternar na maior tranquilidade os cuidados com os filhotes. O bastão da responsabilidade agora é passado sem o menor sinal de aborrecimento, de um para o outro.
Ficou evidente que as danadas declararam numa boa o fim da supremacia masculina !!
Daqui pra frente só aplausos pela continuidade que as mulheres deram ao movimento feminista quase agressivo da década de 60.

Diante de tanta colaboração, comecei a entender e a achar natural a divisão de contas na hora de pagar um jantar. Seria um golpe de mestre terem conseguido aliar a paridade de funções à manutenção do marido como fiel provedor. Mas realmente é um pensamento que só passa pelas mulheres lá de trás como eu, pois as agora maravilhosas mulheres da geração fifty fifty não teriam a pequenez de explorar seus companheiros.

Mal sabíamos quantas alterações positivas estavam programadas para as futuras gerações !!!

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