Flora Mortari Scognamiglio

 

“O Cultivo da Eterna Juventude”

De Mântua (Mantova), cidade natal de Virgílio, joia do Renascimento Italiano, na grande planície italiana, atravessada pelo rio Pó, a 40 km de Verona, região das mais férteis do país, intensamente cultivada, veio o pai de Flora Mortari Scognamiglio para o Brasil, acossado pelas grandes cheias que tanto fertilizavam quanto destruíam. Giuseppe Mortari, seu pai nasceu realmente num pequeno povoado chamado Poggio Rusco, perto de Mantova, era camponês, porem sua mãe Emma Romei Mortari era nobre e nasceu em Florença.

Nascida no dia 02 de agosto do ano de 1911, no seio de uma família abastada, Flora dedicou-se aos estudos tendo frequentado o Externato Elvira Brandão, tradicional escola de São Paulo na época.

Quando era jovem, morava em um casarão na Avenida Paulista, em frente à Capela do Colégio São Luis.

Frequentando as festas e saraus do Círculo Italiano, conheceu Osvaldo Scognamiglio, que, encantado com a bela moça de olhos azuis profundos, com ela contraiu núpcias no dia 02 de maio de 1935. Desta união, que perdurou até 1975, ano em que o marido veio a falecer, nasceram seis filhos – cinco mulheres, Dora, Olga, Ana Maria, Marina , Vera e um varão, Flavio. Doze netos perpetuam a saga desta leonina, que com mãos de ferro enluvadas de veludo, dirigiu a formação de todos, com ênfase especial nos ensinamentos cristãos.

De princípios rígidos, extremamente ativa e severa, praticou seus dons desde muito jovem.  Ainda adolescente, ministrava aulas de catecismo aos colonos da fazenda de seu pai, em Valinhos. Mais tarde, já casada, foi presidente da Confederação das Famílias Cristãs, da Aclimação.

Fundou em São Paulo o Movimento “Calor Humano”, com sede na Igreja Santa Teresa do Itaim, para cuidar do bem estar de idosos, que organizava passeios, visitas a museus, asilos, creches, exposições e outras tantas atividades, sempre voltadas para a turma da melhor idade na qual, graças à sua eterna juventude, que até hoje Flora se encontra.

Prestou exitosa assessoria direta à presidência  do Clube Pinheiros, nas gestões do Dr. César Roberto Granieri, sendo responsável por tudo que se referia aos assuntos de terceira idade.

Para se ter uma ideia da determinação e vontade de manter-se mentalmente ativa, aos sessenta anos iniciou seus estudos da língua alemã no Goethe Institute. Isto sem contar que a este tempo dominava perfeitamente o francês, o italiano, e o português, é claro.

Em períodos financeiramente menos propícios, arregaçou as mangas e, sempre com objetividade, ajudou o marido e a criação dos filhos, executando pinturas e trabalhos em madeira na forma de bandejas, tocheiros, relógios, finamente ornados por mãos infatigáveis. Expunha e vendia suas peças e até hoje guarda algumas em sua casa, registro de sua coragem leonina para enfrentar o mundo.

Seu espírito artístico revelou-se também na música, apaixonada pelos clássicos românticos como Chopin que executa ao piano com precisão e alma, para encanto de toda a família e amigos até os dias de hoje.

Vizinha do Shopping Iguatemi, costuma ir até lá escutar música à tarde.

Na última visita ao médico, manifestou à saída, vontade de “fazer uma farra” segundo suas próprias palavras – terminou a tarde tomando um delicioso chá no Museu da Imagem e do Som, com a filha Vera, sua inseparável companheira.

Prefere o clima quente ao frio e, provavelmente para combinar com o azul dos olhos, opta por esta cor. Devota de Santo Antonio e de Santa Therezinha do Menino Jesus, até hoje faz questão de não perder uma Missa sequer aos domingos, apesar da sua idade avançada, frequentando a Igreja de São José da Rua Dinamarca.

Os frequentadores que lá vão, estão acostumados a vê-la em sua atitude piedosa e concentrada, e já lhe prestaram diversas homenagens.

Nada mais justo, pois Flora, ou D. Flora como todos respeitosamente a chamam, aos cento e um anos de idade, continua a viver intensamente, aproveitando tudo que a vida tem a lhe oferecer.

 

Comentários 12

  • Flora Padua Lima14/10/2012 em 01:06

    Tia e madrinha,querida, por quem tenho muito amor e admiração.

  • Mara Postal de Campos20/09/2012 em 13:01

    Parabéns D.Flora, não a conheço pessoalmente, mas muito ouvi da senhora, pelo seu filho, Dr.Flávio.
    É facil identificar quando uma família cresce alicerçada dentro de valores religiosos.
    Uma mãe catequista é sempre uma catequista, porisso o admiravel valor humano do Dr.Flávio.
    Deus recompensa com vida longa e feliz aos que se dedicam ao Seu plano de vida.
    Sejam abençoados seus passos e sua vida.

  • Terezinha Fioratti20/09/2012 em 10:32

    Parabéns aos familiares desta jovem senhora,e um prazer ler um relato deste.Mais que lição de vida!Mas de como desfruta-la,e poder de vez em quando “fazer a farra”,mesmo com 101 anos !
    Vida longa Sra.Flora.

  • carlos alberto costa andreotti( cacá)19/09/2012 em 19:24

    A HISTORIA DA VIDA DA SRA.FLORA É EXEMPLO
    E LIÇÃO DE VIDA PARA QUALQUER SER HUMANO.
    QUE RECORDAÇAO MARAVILHOSA. PARABENS PARA

    TODOS OS FILHOS E NETOS DA QUERIDA FLORA
    SCONAMIGLIO.

    CACÁ ANDREOTTI

  • Denise Citti de Lauro18/09/2012 em 19:02

    Reportagem muito bem feita.
    Ela é uma pessoa admirável,como foram suas irmãs e o irmão.
    Tenho sorte de ter vários exemplos assim na família, ela é irmã da minha avó Ana.

    Denise

  • Gabriela de Lauro Oliveira18/09/2012 em 18:59

    Achei muito bonita a reportagem com a tia da minha avó. Vocês estão de parabéns.

  • Vera de Souza Nazareth de Toledo17/09/2012 em 23:26

    Achei a sua entrevista muito bem feita e gostei muito pela vitalidade de uma senhorinha de 101 anos.

    Parabéns a vc. mais uma vez e a ela um grande abraço.

  • Raul Zeni17/09/2012 em 18:01

    O exemplo de vida dado pela da. Flora, nos motiva a ver no horizonte da vida, o estímulo
    para para o entusiasmo de viver.

  • Thais Siqueira Bertuol16/09/2012 em 21:09

    São exemplos de determinação à vida, à família e à sociedade como o de D. Flora que nos motiva a olhar o longo prazo de forma positiva. Parabéns, D. Flora!

  • vera16/09/2012 em 20:33

    Eugenia, achei muito bem feita essa entrevista, você conseguiu sintetizar 101 anos com o essencial da personalidade e da estória da mamãe!
    Parabéns! Muito bom!

  • rosanatbz@uol.com.br16/09/2012 em 13:26

    Serei eterna admiradora da D. Flora,sempre aprendi alguma coisa ao longo da nossa carinhosa convivência.Seus filhos e netos são exemplo de dignidade e de amor pela família.

  • JORGE CANEDO16/09/2012 em 00:57

    Acho o máximo chegar nesta “tenra” idade com tanto pique e energia!

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