Flip 2013

 

Com a presença de autores mundialmente respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif Kureishi, a primeira Festa Literária Internacional de Paraty, realizada em 2003, inseriu o Brasil no circuito dos festivais internacionais de literatura. Ao longo de suas edições seguintes, a Flip ficou conhecida como um dos principais festivais literários do mundo, caracterizada não só pela qualidade dos autores convidados, mas também pelo entusiasmo do público e pela hospitalidade da cidade. Nos cinco dias de festa, a Flip realiza cerca de 200 eventos, que incluem debates, shows, exposições, oficinas, exibições de filmes e apresentações de escolas, entre outros, distribuídos em Flip . Programação Principal, FlipMais, FlipZona e Flipinha.

Composta de uma conferência de abertura e 20 mesas que reúnem para uma conversa informal convidados dos mais variados horizontes (escritores, cineastas, quadrinistas, historiadores, jornalistas e artistas plásticos, entre outros), a programação principal da Flip é realizada na Tenda dos Autores que possui um auditório com 850 lugares. Todos os eventos contam com tradução simultânea e são transmitidos na Tenda do Telão, com capacidade para 1.400 pessoas, e ao vivo, pela internet.

Show de Abertura

Depois de ter aberto a primeira edição da festa, em 2003, Gilberto Gil volta a Paraty para dar a partida nesta segunda década de existência da Flip. Num show intimista, com violão e percussão, o grande cantor e compositor revisita alguns dos maiores sucessos de sua carreira.

Foto: Divulgação

Homenagem Flip 2013

De professor a prefeito, de revisor a cronista, do partido à prisão: Graciliano Ramos, escritor homenageado da Flip deste ano, baseou-se principalmente em experiências pessoais para escrever seus romances. Para ele, a vivência individual esteve sempre ligada ao conjunto de circunstâncias temporais. Extremamente pessoal, sua literatura tem caráter universal.

Apesar disso, afirmou em uma carta à Raúl Navarro, seu tradutor argentino: “os dados biográficos é que não posso arranjar, porque não tenho biografia. Nunca fui literato, até pouco tempo vivia na roça e negociava […] que hei de fazer? Eu devia enfeitar-me com algumas mentiras, mas talvez seja melhor deixá-las para romances..

Logo na infância Graciliano manifestou talento para escrita. Em 1904, ao lado de um professor e de um primo criou o jornalzinho O Dilúculo (alvorada) no qual publicou seu primeiro texto de ficção O pequeno pedinte. Um ano depois com medo de que o filho seguisse a carreira literária seus pais, Sebastião e Maria Amélia Ramos, o mandaram para um internato, mas nem assim conseguiram inibir sua paixão. Mesmo de lá o menino conseguiu publicar alguns sonetos na revista O Malho, do Rio de Janeiro.

Mesmo tendo que ocupar os mais diferentes cargos para manter as contas em dia, Graciliano não deixou de usar sua vocação a serviço de “todos os infelizes que povoam a Terra., como afirmou em seu discurso de 50 anos. A favor da literatura ao alcance de todos e contra ao fato dela se tornar muitas vezes um símbolo de distinção entre as classes sociais, o autor defendia que escrever poderia ser uma atividade de poucos, mas não para poucos: .a palavra não foi feita para brilhar, mas para dizer”, disse certa vez.

Foto: Divulgação

Exposição

Graciliano, a ética da escrita

Montada no espaço expositivo da Casa da Cultura de Paraty, a exposição em torno do autor homenageado da Flip 2013 parte de uma premissa fundamental: a de que o rigor que levou Graciliano a rever inúmeras vezes seus trabalhos é inseparável do seu posicionamento crítico diante dos problemas da sociedade brasileira.

Foto: Divulgação

Num país injusto como o Brasil, uma das sociedades com a distribuição de renda mais desigual no mundo, conhecimentos que deveriam estar ao alcance de todos tornam-se com frequência sinal de status, demarcando as diferenças sociais. A cultura literária é, em nosso país, um desses campos da atividade humana muitas vezes postos a serviço dessa lógica de distinção. Um dos traços marcantes da obra de Graciliano Ramos, é a crítica a essa concepção elitista da literatura. “A palavra não feita para brilhar”, comentaria, mas “para dizer”.

A aposta na comunicação como o fundamental da escrita se opõe a concepções beletristas do literário. Em lugar do fetiche da grande obra, ou do grande autor, Graciliano enfatizará a importância da disciplina e do trabalho: “Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício”. “Torcer” as frases para remover adornos desnecessários e chegar ao essencial da experiência humana. Essa é a ética de trabalho com que Graciliano moldou sua vocação de escritor, colocando-a a serviço de “todos os infelizes que povoam a Terra”, e que essa mostra pretende tornar visível por meio da exposição de manuscritos e exemplares de livros rasurados pelo autor.

A ênfase na rasura, tomada como figura ética fundamental da criação de Graciliano Ramos, é complementada por material multimídia com fotos, filmes e depoimentos sobre o escritor.

Serviço:
2013 – de 03 de Julho, quarta-feira até domingo, 07 de Julho 
Festa Literária Internacional de Paraty

Foto: Divulgação

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