Flip 2012

 

Flip – Festa Literária de Paraty

”Você não acha que Paraty é um cenário perfeito para um evento como a feira do livro?” A pergunta feita por Liz Calder ao seu marido Louis Braum desencadeou o evento literário mais importante do Brasil. 

Vindo de uma inglesa visionária, empreendedora, com um incrível carisma intelectual, apaixonada por nosso País já era previsível a realização de seu sonho – autores e leitores se encontrando em uns cem cenários paradisíacos em clima de celebração. 

Amigos e colaboradores se juntaram na formatação do projeto bolado pela já fundadora da Bloomsbury, e lá vinha Liz Calder matar a saudade da sua casa em Paraty, com ele debaixo do braço. A dificuldade em patrocínios não foi fator de desânimo, pois Liz, com seu faro excepcional, não tinha a menor dúvida no êxito do empreendimento intelectual a que se propôs.

Assim, indiretamente, o adorável Harry Porter foi quem ajudou a viabilizar em parte, as primeiras edições da Flip, pois JK Rowling foi descoberta pela Bloomsbury, da qual Liz é fundadora e sócia. 

O sonho envolveu amigos tão entusiasmados, que era com naturalidade e entusiasmo que Luiz Schwarcz, Mauro e sua mulher Belita, dentre tantos, passavam o chapéu para a cobertura da primeira Flip, tendo Flavio Pinheiro como curador. 

Em 2003, em uma Paraty tranquila, a excelente cobertura da imprensa promovendo o evento, levou 5mil pessoas a prestigiarem a realização do sonho. 

Amanhã, 4 de julho, uma Paraty fervilhante será pequena para acolher o numero de pessoas que irão aplaudir 40 autores vindos de 14 países. 

Cerca de 200 eventos-debates, shows, exposições, oficinas, pré-estréias e exibições de filmes, leitura de peças estarão acontecendo em paralelo. Dentre eles, o Movimento por um Brasil Literário irá propor discussão sobre a biblioteca da escola como espaço dinâmico de apropriação do conhecimento. Bons ventos assoprem esta direção! 

A qualidade dos autores e o entusiasmo do público integram a Flip no circuito internacional da literatura. 

Para marcar seus dez anos, a organização da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty criou uma programação especial, além de lançar dois livros e um DVD que ajudam a contar e repensar sua história. 

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

PROGRAMAÇÃO REFORÇADA 

A primeira celebração dos 10 anos de Flip será feita pelo cronista gaúcho Luis Fernando Veríssimo, na conferência de abertura do evento. Sob o título Flip, ano 10, sua fala presta uma homenagem às edições anteriores, evocando também as mudanças vividas pelo Brasil nesse período. Presentes em edições anteriores da Festa, os britânicos Ian McEwan e Hanif Kureishi e o espanhol Enrique Vilas-Mata voltam para a tenda dos autores. 

Durante os cinco dias da Festa haverá uma exposição com fotos de Walter Craveiro, que registrou todas as edições da Flip, montada ao ar livre em dispositivos luminosos. 

Foto: Divulgação

PARATY E AS FESTAS 

A cidade de Paraty, com seus grupos musicais e cênicos, também se mobiliza para celebrar os dez anos da Flip. Bandas e Bonecos criados por artistas e artesãos da cidade saem para festejar a Flipinha e as cirandas locais se apresentam em diferentes momentos da Festa, inclusive no show de abertura. 

HOMENAGEM

O escritor homenageado da décima Flip, Carlos Drummond de Andrade, começa um de seus poemas de um jeito que pode parecer pretensioso: “E como ficou chato ser moderno./ Agora serei eterno”. Os versos que de início soam como uma bravata e assumem outro sentido quando pensamos no contexto em que Drummond desenvolveu sua obra literária. Embora hoje seja considerado um clássico, por muito tempo Drummond recebeu críticas duras de pessoas para as quais o que ele escrevia não merecia nem mesmo ser chamado de poesia. “Ser moderno, na época, significava explorar novas formas de criação artística, que para esses críticos seriam esquecidas com o tempo, pois não tinham valor das obras antigas. Drummond faz uma referência bem-humorada a essas discussões, que marcaram o rumo da literatura brasileira no século XX.

Foto: Divulgação

Um dos traços mais marcantes da obra de Drummond é que ela desde cedo soube combinar as invenções modernistas com um grande domínio da forma poética e uma visão aguda dos dilemas humanos. Ou seja, desde seu primeiro livro, “Alguma Poesia”, Drummond demonstrou que a escolha entre ser moderno e ser eterno era um falso dilema.

 

Data do evento: de 04 de Julho às 10h até dia 08 de Julho de 2012 ( os ingressos a partir desta data somente serão vendidos em Paraty). 

Para verificar toda a programação da Flip acesse www.flip.org.br 

Adicionar comentário