Evolução do protetor solar

 

Anunciando o verão, um arsenal de produtos começa a ser colocado no mercado. Guerra à vista pela disputa do Consumidor!

Maravilha termos a oportunidade de escolher dentre uma infinita gama de cremes, protetores, hidratantes em pomadas, em potes e spray. Iremos sair do verão com a pele suave de um bebê, com os cabelos esvoaçantes, os olhos brilhantes, as unhas firmes e um natural aquário onde nossos órgãos internos deverão estar boiando obrigatoriamente.

Nós, sobretudo as mulheres da geração baby-boomers, sempre alertas com a evolução em todos os aspectos, acompanhamos com a maior naturalidade o crescimento enorme da cosmética nas últimas décadas e cá estamos nos aconselhando sobre as últimas novidades no maior interesse.

Foto: Divulgação

Mas se tivermos um momento de nostalgia, vamos surpreender a nós mesmos e levaremos às jovens de hoje a nos olhar como corajosas sobreviventes. Até ao final da década de 60 nas bolsas de praia… só uma toalha. Chapéu e óculos eram meros componentes de charme.

A única preocupação era tornar o corpo bronzeado e para isso nada melhor do que espalhar coca-cola pelo corpo. Sei lá se coloria mesmo a pele, mas era esta a nossa intenção. As cariocas lembram bem que os mates geladinhos também prometiam uma corzinha quando jogados no corpo.

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Da Argentina vinha o famoso bronzeador Rayto de Sol. Com seu marrom forte, o cuidado era apenas espalhar bem para que o corpo inteiro já se tornasse artificialmente colorido na hora.

Alquimistas de plantão preparavam uma mistura de óleo de amêndoa com urucum e desfilavam sua pele lisa, brilhante… mas a presença de cocada ambulante era sentida a metros de distância. O já clássico óleo Jonhsons substituía o óleo de amêndoa numa boa e mesclado com a água onde foi cozida a beterraba, era a certeza de uma tremenda cor.

As meninas de pele clara, para evitar que o nariz despelasse, pareciam saídas de tribos indígenas, com tiras do branco hipoglós. Mesmo correndo o risco de ter a pele manchada, o limão nos cabelos garantia umas mechas lindas! Mas manchar com perfume, poucas corriam este risco.

Sem o buraco de ozônio enfiado nas nossas cabeças como espadas, tínhamos no sol o maior cúmplice da nossa saudável cor do verão. As praias até as 10h30min eram reservadas aos recém-nascidos. A partir deste horário, gatinhas estendiam-se sem qualquer disputa, pois tinha sol para todo mundo.

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Bons tempos em que podíamos curtir sem culpa o verão!

Foto: Divulgação

Hoje em dia, as que ousam ainda ir à praia, precisam de um ajudante para carregar a bolsa. Protetores nas mais diferentes escalas. Um para o rosto, outro para as mãos, os pés merecem algo diferenciado e por aí vai. Os cabelos se não forem usados produtos específicos para os momentos diferentes, danou. Entre uma aplicação e outra, copos, copos e copos de água.

Importante não se esquecer de hidratar também a vista, vai que entupa o canal lacrimal. Claro que burrifadores com água mineral são  i m p r e s c í n d i v e i s, sob pena de  ter a pele enrugada  irreversivelmente. As mais avisadas já passaram protetor com filtro solar para as unhas sob o esmalte. Mas é sempre bom levar um, caso dê uma descascada em uma delas. Afinal de contas, não é um mísero frasquinho que vai fazer a diferença no peso.

Quanto à coca-cola, nem pensar. Descobriram ser corrosiva e o risco de ir perdendo pedaços do corpo durante a exposição ao terrível sol é enorme.

Claro que agradecemos ao ramo farmacológico a necessária proteção, pois de lá para cá, comprovadamente nosso amigo tornou-se um brutal inimigo. E quem deve agradecer mesmo são os meninos, pois terão ao seu lado, jovens perfumadas e não mais cocadas, saladas e as filhas de caciques.

Comentários 3

  • Ercilia S. Turato27/12/2012 em 16:57

    lEGAL….ERA ISSO MESMO. MAS, NÃO NOS PREOCUPAVA O PESO….SÓ UM POUQUINHO…OS HOMENS GOSTAVAM DE CORPOS ARREDONDADINHOS, NÉ?! MAS A COR ERA IMPRESCINDÍVEL.FAZIA PARTE DO LOOK DE VERÃO.

    FICAVA AO LADO DA NOSSA BARRACA NO GUARUJÁ UMA JOVEM SENHORA BRANQUINHA, LOIRA DE OLHOS AZUIS.ELA PASSAVA NO ROSTO E NO CORPO TODO UM PRODUTO CASEIRO FEITO DE CENOURAS. lAMBUSAVA-SE TODA E SE ESTIRAVA AO SOL DAS 10 ÀS 14 H. COM OUTRO AGRAVANTE: ESTIRADA NA CHAISE LONGUE E DENTRO DO ÁGUA, NA PRAIA. ATENTEM PARA O DETALHE: ESSA CRIATURA, TENHO CERTEZA, DEVE TER CHEGADO AOS 40 ANOS FEITO UM “MARACUJÁ DE GAVETA”. O SOL É O MAIOR INIMIGO DA PELE, PRINCIPALMENTE APÓS AS 10H DA MANHÃ.

  • Marilena13/11/2012 em 12:45

    Que delícia de artigo ! Faz lembrar que realmente tivemos uma juventude dourada em todos os sentidos. O óleo e o urucum nos deixavam prá lá de bronzeadas , não nos preocupavamos em ter o corpo da Barbie, não tinhamos depressão nem stress, eramos muito alegres e felizes ! “Lindas, leves, soltas …” E… o sol não nos deixou com a pele encarquilhada !!!!
    O mundo mudou ? O sol mudou ? Quem sabe ? Lá vão todas com o arsenal nas bolsas térmicas(que sufoco!) fazendo a alegria dos fabricantes de cosméticos.

  • Lilian13/11/2012 em 10:07

    Estou aqui me divertindo com as receitas para obter uma pele marronzinha. Lembrei do descascado e das bolhas, que você moreninha talvez não passou, daquele creme de embalagem rosa claro, o CALADRYL, que ficava todo melado e gelado e encostava no pijama…ufa!
    Que delícia de artigo!

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