Ercília Pugliese

 

Ercília Rossini Pugliesi nasceu no dia 11 de abril de 1930, em Campinas, no Estado de São Paulo, numa família de sete irmãos, quatro mulheres e três homens.

Aos vinte anos, depois de dois de namoro, a ariana, impulsiva e criativa, contraiu matrimônio com o geminiano José Pugliesi que reverenciava não só a inteligência de Ercília como principalmente seus olhos verdes e brejeiros. O encantamento nunca se desfez.

Juntos por cinquenta anos, frequentaram clubes como o Piratininga, Paulistano, Pinheiros e Jockey Clube. A dança e a música sempre encantaram Ercília. Houve tempos em que o casal curtia as pistas das boates da moda, deslizando ao som de boleros melodiosos, de letras tristes, gênero preferido pela entrevistada. Sempre juntos, José e Ercília passeavam muito, por todo mundo, ampliando horizontes e fazendo amizades.

A mulher “desempenada” de hoje deve sua energia ao gosto pela ginástica e ao jogo de vólei, que praticou desde mocinha. Determinada, foi em busca de autoafirmação, numa época em que a maioria das mulheres costumava acomodar-se no lar.

Formou-se em Direito em São Paulo. Trabalhou no Governo do Estado, exerceu por muitos anos na Alfândega, o cargo de Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil e foi eleita vereadora por Atibaia, cidade em que residia, por três mandatos, de 1988 a 2000. Note-se que logo na primeira candidatura, Ercília foi a mais votada da cidade! Com muito sacrifício pessoal, desdobrava-se nos papéis de mãe, esposa e profissional, equacionando o tempo para dar conta de todos os recados com louvor.

Quinze anos depois de nascida sua filha Patrícia, deu à luz a um segundo bebê, um menino. O lado hilário é que, aos quarenta e sete anos, acreditava estar se sentindo mal em função da menopausa… Foi quando o casal decidiu mudar-se para Atibaia, acreditando ser mais tranquilo o local para a criação de filhos. O local escolhido e onde passaram a morar mais se parece com  um sítio, cheio de árvores e jardins bem cuidados, xodós da dona da casa.

Dercy Gonçalves, Paulo Maluf, Vanderleia, José Sarney, Hebe Camargo e João Figueiredo, só para citar alguns, frequentavam este cantinho do céu e privavam da amizade dos Pugliese. O casal, agregador por excelência, sempre se viu rodeado por amigos fiéis, independente de tendências políticas e classes sociais.

Como boa ariana, Ercília sempre buscou uma causa pela qual pudesse empenhar sua luta e energia. Com coragem, foi atrás da melhoria de vida das pessoas mais carentes de Atibaia,  tornando-se querida e admirada no interior de São Paulo.

José já partiu. Ercília é viúva mas tem nos filhos e netos, os companheiros de sua jornada. Perguntei-lhe: qual seu prato predileto? Escargot – respondeu sem pestanejar. A bebida? Whisky. Sobremesa? Frutas – Deu risada. “Quem ler isso, vai achar que eu sou besta…” Só quem não a conhece – disse-lhe.

Ao lado da Ercília, a vida fica mais leve e descontraída. Do alto da enorme experiencia de vida que acumulou, aconselha que as pessoas priorizem a educação, a dignidade e a honestidade.

Confidenciou-me que se tivesse outra chance de recomeçar, nada faria diferente do que fez. Essa assertiva é invejável para a grande maioria das pessoas. Tenho o privilégio de conhecer Ercília há muitos e muitos anos e minha admiração por esta eterna guerreira continua crescendo.

 

 

 

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